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Review: Diablo II: Resurrected apresenta um visual novo, mas uma jogabilidade antiga

Por Chris Rantin

Nos anos 2000, a Blizzard lançava Diablo II. O game — que posteriormente se tornaria um clássico — continuava a história deste universo grandioso, mostrando o embate contra as forças demoníacas, ao mesmo tempo que apresentava um RPG de ação bastante interessante. Agora, 21 anos depois, a desenvolvedora atualiza o game com Diablo II: Resurrected, a versão remasterizada do jogo memorável. 

Cumprindo o que se propunha a fazer, a nova versão traz gráficos modernos e bonitos, se aproveitando da tecnologia que não estava disponível no passado. Funcionando pela fidelidade ao original, a remasterização entrega aquilo que os fãs tanto amaram no clássico, mas a experiência frustra aqueles que não foram fisgados pela nostalgia. 

Ficha Técnica

Título: Diablo II: Resurrected

 

Lançamento: 23 de setembro de 2021

 

Desenvolvedora: Blizzard Entertainment

 

Gênero: RPG de Ação

 

Plataformas: Xbox One, Xbox Series X/S, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e PC

 

Modos: Single player, Multiplayer

 

O retorno do clássico 

A maga, uma das personagens disponíveis em Diablo II Resurrected

Diablo II: Resurrected é, para todos os efeitos, praticamente idêntico ao jogo de 21 anos atrás, trazendo todo o conteúdo de Diablo II e da expansão Lord of Destruction. Sua proposta, como fica claro desde os primeiros anúncios do jogo, era presentear os fãs da franquia com uma atualização gráfica que não afetasse o gameplay clássico, apenas introduzindo uma ou outra mudança. Assim, o jogo retornou com um visual de 4k Ultra HD (2160p) no PC e tudo que os fãs mais amaram no game original. 

Por isso, ainda temos os mesmos sete personagens jogáveis (Amazona, Assassina, Bárbaro, Druida, Maga, Necromante, Paladino), cada um dotado com 30 habilidades únicas que influenciam no jogo de modos diferentes — alternando os itens que você pode utilizar e a maneira que você enfrentará as hordas infernais. 

A história também não foi modificada. Continuando os eventos do primeiro game, vemos que Diablo possuiu o herói que o havia derrotado, usando-o para conquistar seus objetivos terríveis, contando com aliados poderosos em sua empreitada — incluindo Arqueira e Feiticeiro, outros heróis aventureiros que falharam no passado. Usando tudo a seu alcance para tentar impedir que Diablo liberte todo seu poder diabólico, Errante Sombrio, o herói possuído, é lentamente corrompido por essa força terrível. 

Assim, de forma misteriosa, forças infernais surgem para espalhar destruição por onde o viajante perambula, causando um pandemônio na vida dos inocentes que estão nas terras do Santuário. Até que, por fim, Diablo consegue voltar para sua forma original, assumindo o título de Senhor do Terror mais uma vez. Agora, cabe a um novo herói utilizar tudo que for possível para dizimar as forças vilanescas do antagonista, batendo de frente também contra Mefisto, o Senhor do Ódio e Baal, o Senhor da Destruição

Entre as novidades que Resurrected trouxe, temos a progressão multiplataforma, que manterá seu progresso (tanto em nível do personagens, quanto em itens)  em qualquer console que você jogar; Um ranking mundial competitivo para que os jogadores possam disputar pela glória, uma interface atualizada e mais amigável e um baú expandido para que você consiga armazenar mais itens — e compartilhar seus tesouros entre todos os personagens da sua conta. 

Beleza que põe mesa

Na minha review de primeiras impressões de Diablo II: Resurrected, comentei que foi chocante me dar conta de como o jogo original era, por falta de uma palavra melhor, feio. Ainda que essa declaração possa ofender os fãs do clássico, venho reforçar minha opinião. Entendo perfeitamente bem que, nos anos 2000, Diablo II mostrou tudo o que podia, levando em conta as limitações da época. Contudo, isso não significa que eram gráficos bonitos — e o mesmo acontece com a grande maioria dos games daquela década. 

Por isso, chega a ser chocante ver como Diablo II: Resurrected foi atualizado visualmente. Os inúmeros vídeos comparando os gráficos do novo jogo com o clássico conseguem mostrar apenas parte desta evolução. Jogar o game passa uma outra sensação. Se antes os personagens não eram mais do que pixels amontoados, se movendo de uma forma mais travada, o Resurrected apresenta um visual atualizado com gráficos polidos e uma movimentação bem mais natural. 

Os cenários também receberam muito carinho dos desenvolvedores, ganhando uma noção de perspectiva mais realista, com mais noção de profundidade e um jogo de luz e sombra que deixa tudo mais interessante. Além disso, vemos conseguimos ver o mapa interagindo com o que está acontecendo ao seu redor — dentro das limitações. Uma bola de fogo consegue iluminar por onde passa, tendo sua imagem refletida caso sobrevoe uma poça de água, por exemplo. 

Os efeitos climáticos — ou de ambiente — também são bem bonitos de se ver. A chuva que caí, a neblina que sobe no cemitério, a fogueira crepitante, o vento que balança componentes do mapa… Tudo isso é muito bem feito, aumentando a imersão no jogo por ser muito bem trabalhado e natural. 

Ao mesmo tempo que tudo parece moderno, o que temos está repleto de nostalgia. Nada foi modificado de uma maneira que altere a memória dos fãs. Os principais elementos do cenários, dos personagens e das habilidades foram preservadas, o que deixa a experiência ainda mais marcante. 

Por isso, é impossível não ficar encantado com a atualização gráfica que o jogo recebeu. E, sendo essa a principal promessa e objetivo da remasterização, podemos afirmar que Diablo II: Resurrected faz o que havia sido prometido, conseguindo modernizar o jogo dos anos 2000 e criar uma experiência que faz justiça a sua história. 

Oportunidade perdida

Contudo, nem tudo são flores quando falamos desta obra infernalmente bonita. Justamente por ter um gráfico atualizado e moderno, é um tanto decepcionante ver como Diablo II: Resurrected não modificou a jogabilidade para acompanhar seu novo visual. O que temos é um modelo que funcionava nos anos 2000 mas que, atualmente, chega a ser frustrante. 

É claro que, como mencionei anteriormente, a proposta da remasterização era não modificar a gameplay clássica, mas isso não deixa de ser uma oportunidade perdida. Comparando com os próprios jogos da franquia, temos Diablo III, lançado em 2012, que trazia uma jogabilidade um tanto mais dinâmica e interessante do que o seu antecessor. Isso só mostra que, seria possível atualizar — em todos os sentidos — o jogo original. 

De muitas maneiras, Diablo II: Resurrected parece um point and click que, apesar de divertido nos primeiros momentos, não demora para se tornar cansativo e enfadonho. As hordas de inimigos repetitivos faz com que enfrentar demônios se torne algo mecânico e pouco emocionante. Conseguir controlar praticamente todas as ações do seu personagem com poucos cliques do mouse resultam em algo não muito envolvente e divertido. Ter que constantemente retornar para a base para abrir espaço no inventário minúsculo também ajuda a deixar o jogo travado.

Assim, o que temos é um jogo muito bonito, mas que não dá um passo além. Diablo II: Resurrected poderia ser muito mais, tendo uma gameplay atualizada que combinasse com seu visual moderno. Ao não fazer isso, a Blizzard entrega um jogo que vai encantar os fãs do original, mas que pode oferecer uma experiência muito frustrante para aqueles que não se apaixonaram pelo clássico. 

Mesmo assim, seria injusto chamar o jogo de ultrapassado ou tirar o mérito da remasterização. Afinal, nunca prometeram criar algo além de uma repaginação gráfica, apesar do meu desejo para que eles ousassem e fizessem isso. 

 Nota

Quando escrevi sobre minhas primeiras impressões de Diablo II: Resurrected, disse que a nova versão do jogo era uma faca de dois gumes. Acho que essa expressão define muito bem como foi minha experiência com essa remasterização. 

Visualmente bonito, o game traz uma atualização gráfica impecável. Mas justamente por mostrar como o jogo dos anos 2000 poderia ser modernizado, sua gameplay travada fica ainda mais acentuada e limitante. 

Talvez não seja o melhor jogo para uma jogatina de muitas horas seguidas, uma vez que os aspectos negativos acabam cansando muito rapidamente aqueles que não estão deslumbrados pela nostalgia, mas ainda temos um jogo com uma história interessante e um conceito bacana. 

Diabllo II: Resurrected é o jogo dos anos 2000 com uma nova roupagem. Tanto para o melhor, quanto para o pior, o que temos é apenas a atualização parcial do clássico que encantou jogadores no passado. 

Levando em conta que a proposta da remasterização era manter a gameplay original, apenas atualizando os gráficos, a nova versão leva a nota de 7.5 da Legião dos Heróis. 

Diablo II: Resurrected já está disponível para Xbox One, Xbox Series X/S, PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch e PC.

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"