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Review: Demo de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin é caótica, mas não é ruim

Por Márcio Jangarélli

Rumores nunca nos preparam 100% para quando vemos o anúncio real de um novo game, não é? Leaks falavam sobre um derivado da franquia Final Fantasy com foco em ação e um tom mais soulslike, mas quando Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin foi anunciado no domingo da E3, ficamos até abalados.

Depois de uma estreia conturbada, uma demo temporária do game já está entre nós. Já joguei essa “Trial Version” de SoP: Final Fantasy Origin, exclusiva de PlayStation 5, e agora posso contar para vocês o que foi esse surto peculiar da Square Enix.

Pegue seu espadão, invoque sua personalidade mais radical e venha comigo nessa. O Caos te espera.

O que é Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin?

Logo oficial da demo do game.

Durante a E3 2021, uma surpresa no showcase da Square Enix: Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin, um derivado de ação, com pegada soulslike, da franquia. Com previsão de lançamento para 2022, uma demonstração do game foi lançada logo depois do evento, colocando o jogador no gameplay mostrado no trailer.

Com produção do Team Ninja, de Nioh, e da Koei Tecmo, de Samurai Warriors, SoP: Final Fantasy Origin é extremamente diferente do restante da saga. Com muita violência, sangue, combate em tempo real e uma tomada mais sombria, as inspirações do game em Devil May Cry e Dark Souls são claras.

A versão de testes disponibilizada deve servir como pesquisa para a produção do game. No final da demonstração, é possível responder a uma pesquisa detalhada da Square sobre sua satisfação com o gameplay mostrado e a promessa é de que mudanças drásticas sejam feitas até o lançamento.

Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin está agendado para 2022, disponível para PS4, PlayStation 5, família Xbox e PC.

Explorando a demo de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin

Confesso que essa foi uma experiência estranha. Sou fã da franquia Final Fantasy desde moleque, então a possibilidade de um novo game, com inspirações em outra saga que eu amo de paixão – Dark Souls – parecia o paraíso, certo? Bom, todo o anúncio de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin foi bem longe disso, mas não de todo ruim. Só… estranho, como o título mesmo sugere.

Primeiro que o trailer passa uma energia pesada de adolescente de 15 anos do início dos anos 2000. Não é um tom decadente como o dos soulsborne, style como o de Devil May Cry ou sombrio como um The Last of Us. É hiper dramático, se leva a sério demais e tenta ser “radical” muito, muito além da conta. Isso acaba se aplicando na demo e é o principal problema do projeto.

Nem mesmo o game está muito certo do Caos que o Jack caça.

Além disso, os gráficos do game não pareciam lá tão finalizados no vídeo, a montagem do trailer é bem confusa e estressante e a repetição da vontade do protagonista de matar o famigerado Caos virou até meme. A demo não é quebrada dessa forma, é bem divertida na verdade, mas ainda carrega um pouquinho de cada um desses infortúnios.

Sem contar que os arquivos dessa versão trial chegaram corrompidos para todo mundo que baixou o game no domingo e a equipe da Square só conseguiu consertar isso hoje (terça). Mas isso não cabe na minha avaliação, pelo menos. Quem sou eu pra julgar os imprevistos dos outros, não é mesmo?

Garland, do primeiro Final Fantasy, é o boss final da demo.

Falando sobre a demo em si de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin – se encurtarem esse título para o lançamento eu vou ficar bem feliz – traz um gameplay consideravelmente grande, divertido e entrega uma experiência completa sobre os planos iniciais dos produtores para o jogo. Ela engloba tudo o que é mostrado no trailer, incluindo a batalha contra o Garland, além de um tutorial inicial em um cenário totalmente diferente e muito mais iluminado que o restante do game.

O principal problema de SoP: Final Fantasy Origin é o tom da aventura. Se a Square não rever a narrativa e a mensagem que esse projeto quer passar, ele será só um lançamento trash, porém engraçado, de 2022. É até cartunesco o quanto esses personagens são genéricos, pagando de total badass, e o quanto esse protagonista, o Jack, tem problemas de temperamento e uma obsessão por matar o Caos.

Stranger of Paradise se leva a sério demais e só os piores soulslike fazem isso. Esse já é um ambiente absurdo, você não precisa deixá-lo ainda mais dramático.

Não é o melhor dos gráficos, né? (Captura direta da demo no PS5)

É importante notar que essa problemática do tom está impregnada no jogo. Os cenários não conseguem ser tão bonitos quanto poderiam, os personagens perdem qualquer carisma, os diálogos são doloridos de escutar, a trilha-sonora misturando música clássica, com gostinho Final Fantasy, e batidas eletrônicas atiça seus nervos e por aí vai.

Também, ainda que não sejam ruins – e nem estejam no nível mostrado no trailer – os gráficos precisam de uma melhora brusca, ainda mais se visam lançar SoP para PS5 e Series X. Alguns cenários, animações e personagens são visualmente bem bonitos e até dá para enganar, mas o gameplay apresenta muita queda de framerate e a tonalidade edgy anos 2000 deixa tudo muito “sujo”. Ainda é um alfa, então é compreensível não estar no melhor polimento, mas poderia ser melhor.

O menu da demo é bem simples, mas efetivo. Não há pausa real no gameplay.

Porém, Stranger of Paradise tem suas qualidades. Mesmo que siga elementos clássicos de jogos de ação atuais e soulslike, como a dificuldade mais dura, punições em caso de derrota, defesa, dash e parry essenciais para as batalhas e tudo mais, o gameplay traz algumas novidades bem legais, mescla características clássicas de Final Fantasy e JRPG nesse combo todo e o resultado é divertido e intrigante.

Controlando o Jack, você pode mudar de profissão e cada uma delas possui uma árvore de habilidades diferente. Na demo foram mostradas as profissões de Espadachim, Mago e Lanceiro, com suas respectivas evoluções caso você complete a evolução das skills. Ainda, você pode transitar entre dois jobs diferentes no meio da batalha, criando dinâmicas muito legais, principalmente combinando o Mago no processo.

Cada profissão tem sua própria árvore de habilidades e barra de evolução.

Nas batalhas, você conta com um sistema de atordoamento, quando dá para quebrar a defesa do inimigo usando principalmente magias, permitindo uma finalização ou golpe crítico. As finalizações transformam os monstros em cristais vermelhos e rendem MP para o seu personagem. São reflexos principalmente de Nioh no game, mas um pouco mais dinâmico.

Uma função bem interessante de Final Fantasy Origin é o “Soul Burst”. Ativado com o bolinha, isso funciona quase que como uma aparagem de ataques e magias inimigas, com o bônus que você absorve o impacto. Essa absorção te rende uma cópia do poder do seu oponente – uma bola de fogo, por exemplo – e restaura seu MP. Aprender o Soul Burst é tão essencial quanto dominar a aparagem em Dark Souls. 

Suas magias ficam armazenadas em uma roda de habilidades da profissão de Mago.

Falando em magia, outro acerto do gameplay está na profissão de Mago. Habilitando esse job, suas magias ficam disponíveis no R2, em uma roda, para você escolher rapidamente na hora do ataque. O seu cajado funciona no combate corpo-a-corpo, derrubando a guarda do inimigo mais rápido e restaurando seu MP.

Os feitiços também são usados para situações no cenário – usar Waterga para apagar as chamas bloqueando seu caminho – e para anular poderes do oponente – como usar Firaga para “derreter” a espada de gelo recém-conjurada do boss. O uso da magia é muito inteligente e te deixa querendo ver mais dessa profissão, cuja evolução é Mago Sombrio.

Cada profissão possui seu próprio set que também muda durante a batalha.

Seus companheiros não são possuem uma inteligência artificial muito boa, mas identificam e combatem inimigos sozinhos sem problemas, te deixando mais livre. Já as ameaças do game são engenhosas e podem te encurralar e matar rapidamente se você perder o foco. O destaque fica para a batalha final, contra Garland, que possui uma boa curva de aprendizado e é realmente legal de explorar.

No quesito level design, nada inovador, mas projetos promissores. Vemos o uso de atalhos e caminhos alternativos, assinatura dos soulslike, que funcionam bem para a proposta do game.

Por fim, o Jack não fica só de camiseta o tempo todo. A demo mostrou alguns sets de armadura diferentes e toda a imagem do personagem é personalizada – e são visuais até que interessantes, se considerarmos o tom do game. Só vemos uma versão de cada arma, espada grande, cajado e lança, mas fica claro que teremos uma variedade grande na versão final.

O que achamos de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin?

Jack se preparando para eliminar o caos da produção do game.

Como dito, foi uma aventura bem estranha. Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin é extremamente caótico, mas possui uma alma curiosa. Se você dá uma chance para a demo e bloqueia o tom nervoso da coisa toda, é uma experiência divertida e até acessível, quando, diferente de muitos soulslike, aqui existe a opção de mudança de dificuldade.

Se o objetivo do Jack é matar o Caos, que ele faça isso com o caos do projeto em si. Acredito que com o feedback recebido do trailer e demonstração e mais um ano de produção e polimento, esse possa sim ser um título digno da franquia Final Fantasy e de um 2022 lotado de jogos incríveis.

E você, o que achou do trailer? Teve a chance de jogar a demo de Stranger of Paradise: Final Fantasy Origin?

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.