Chucky 1×04: É Só Soltar

Capa da Publicação

Chucky 1×04: É Só Soltar

Por Gus Fiaux

Chucky tem mais uma vez se mostrado, semana a semana, capaz de subverter e brincar com diversos clichês, tropos e arquétipos do terror – um feito inacreditável, levando em conta que a série é, em tese, o oitavo capítulo da franquia criada por Don Mancini (isso se excluirmos da contagem o reboot de 2019) – e não são muitas as sagas de horror que conseguem manter a qualidade e o conceito até o terceiro capítulo, que dirá o oitavo.

No quarto episódio da temporada, chamado “É Só Soltar”, acompanhamos as consequências do incêndio na casa de Lexy Cross, como já havíamos visto no final do episódio anterior. Aqui, descobrimos que a única vítima fatal da festa foi Oliver, o garoto que Chucky assassinou a facadas enquanto a música rolava solta. Mas isso não significa que todos estão bem: não só Lexy, mas Devon, Junior e Caroline (a irmã de Lexy) são hospitalizados.

E é aqui que vamos a um dos pontos altos do episódio: a ambientação. Já não é de hoje que hospitais servem como o cenário perfeito para explorar o terror – basta lembrar de Halloween II: O Pesadelo Continua e o exemplo mais recente de sua própria franquia, Halloween Kills. Hospitais funcionam tão bem não apenas por serem espaços contidos e claustrofóbicos, mas principalmente porque existe a sugestão do pós-trauma.

Amor adolescente no ar.

E após os eventos bombásticos do terceiro capítulo, faz sentido que o trauma esteja no ar como nunca antes. É aqui que vemos Jake Wheeler finalmente se desassociando completamente da figura de Chucky e percebendo que não seria capaz de matar ninguém – e é onde a ruptura começa a se acentuar, já que o Brinquedo Assassino está mais que disposto a capturá-lo e se vingar de sua “traição”.

Porém, dessa vez, Jake não está mais sozinho, já que Lexy finalmente sabe do segredo do boneco. É até interessante ver como essa dinâmica está se readaptando na série e há grandes chances de que os dois terminem sendo amigos – mesmo que as feridas deixadas pelo bullying da garota ainda não tenham se cicatrizado completamente. E chega a ser curioso, mas é o tipo de dinâmica muito frequente na franquia desde a trilogia original de Brinquedo Assassino.

Por outro lado, há outra figura que tem ganhado mais destaque a cada episódio e que está se tornando um dos vários protagonistas: Devon. Inicialmente, parecia que a paixonite de Jake era unilateral e platônica, enquanto Devon não dava muita bola para ele – porém, nesse quarto episódio, temos alguns indícios fortes de que esse sentimento não é só verdadeiro como também recíproco, tendo em vista como Devon se esforça para proteger e defender o amigo.

Chucky veste carvão-chic.

Isso por si só já é muito interessante, uma vez que não é sempre que vemos relacionamentos LGBTQIA+ na mídia, ainda mais sendo tratados de uma forma tão bonita e bem-desenvolvida. Don Mancini realmente sabe o que está fazendo aqui, e chega a ser um soco na cara de quem diz que “estão estragando Chucky” por colocar personagens diversos, sendo que o cerne dessa franquia sempre foi esse.

Mas por falar no boneco, aqui acontece algo que eu sempre gostei muito de ver nos filmes: Chucky também foi consumido pelo fogo na casa de Lexy e, por conta disso, não está mais a belezinha inocente de antes. Na verdade, o design novo do personagem consegue ser igualmente assustador e divertido, com seu rosto derretido fornecendo expressões faciais muito peculiares.

Isso até lembra um pouco o Chucky da “cara costurada” de Noiva Filho – o mais assustador e medonho, na minha nada humilde opinião. E o divertido aqui é lembrar de como esse personagem não é só tecido e plástico, mas também carne viva, por conta do feitiço lançado por Charles Lee Ray no filme original. Isso gera momentos de profundo e paralisante desconforto, como toda a sequência na mansão onde Lexy e Jake o encontram.

O trio se forma!

Agora, a narrativa parece ter engatado em outra marcha – e nem sequer estamos perto da final, já que ainda restam seis episódios para o fim da temporada. Contudo, a pista dada é que Chucky vai causar muitos problemas e estará solto em uma frequência assassina maior do que tudo que já vimos e, para impedi-lo, Lexy, Cross e Devon terão que se unir, formando o trio mais inusitado da ficção de horror desde Brody, Hooper e Quint em Tubarão.

Outro episódio sensacional que traz tudo o que se espera de uma história protagonizada pelo boneco mais letal do mundo: muito sanguerisos desconfortáveisum senso de que essas crianças estão abandonadas à própria sorte e, é claro, uma aventura letal. Diferente de Andy Barclay, no entanto, os três agora têm um ao outro e provavelmente darão trabalho ao vilão.

Por sinal, temos mais um flashback do passado de Charles Lee Ray – e é bem interessante por mostrar o assassino mais velho, vivendo em um “orfanato”. Para os fãs mais atentos: fiquem de olho, pois temos a participação de uma figura bem interessante do filme original, estabelecendo fortemente essa conexão entre o passado, o presente e o futuro de Chucky.

Chucky é exibida semanalmente no Star+, às quartas-feiras.

Abaixo, veja também:

Imagem de perfil
sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux