Review: Chernobylite e a busca pela patroa em meio ao lixo nuclear

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Review: Chernobylite e a busca pela patroa em meio ao lixo nuclear

Por Fernando Maidana

Chernobylite é o mais novo lançamento da The Farm 51, uma desenvolvedora que vem investindo há anos em disseminar informações sobre o desastre nuclear de Chernobil.

Em 2015, o estúdio escaneou diversas regiões da usina e seu entorno para o lançamento de um projeto educativo que colocava o espectador dentro de Chernobil em uma experiência imersiva de VR.

Agora, o estúdio dá um passo além e mistura diversos estilos e gêneros de jogos para apresentar uma narrativa imersiva e levar os jogadores para conhecer os mistérios de Pripyat.

Ficha Técnica

Lançamento: 28 de julho

Distribuidora: All in! Games

Plataformas: PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Xbox One e PC

Gênero: Survival, Horror e Roguelite

Modos: Single-player

Lá e de volta outra vez

Na trama, acompanhamos Igor Khymynyuk, um cientista que trabalhava em Chernobil quando o desastre nuclear aconteceu, em 1968.

A namorada de Igor, Tatiana, desapareceu misteriosamente no acidente e, 30 anos depois, nosso protagonista começa a ter sonhos com sua amada fazendo aparições enigmáticas na usina.

Um grupo inicial é recrutado para investigar o local, mas forças armadas tomaram a usina e, ao que tudo indica, continuam conduzindo experimentos com um novo elemento oriundo do desastre: a Chernobilita.

Essa é a premissa do jogo, que abre precedentes para termos criaturas bizarras, confrontos contra milícias e muitas horas de exploração.

Lar, doce lar

Apesar de em um primeiro momento o jogo parecer um shooter padrão, Chernobylite traz elementos que tornam a gameplay mais rica e complexa do que isso.

Depois da introdução somos apresentados à base, que pode ser customizada de acordo com as necessidades e o estilo de cada jogador.

Semelhante ao que acontece em outros títulos, como Fallout, é preciso administrar os recursos e garantir que todos os membros do grupo tenham suas necessidades atendidas.

Construir uma mesa para aprimoramento de armas é bom, mas demanda energia. Para isso é necessária a construção de um gerador, mas isso prejudica a qualidade do ar no interior da base.

Assim, o jogador precisa estar atento para que sua base não jogue contra si mesmo e prejudique a taxa de sucesso das missões.

Coração de Mãe

Logo de cara, você se depara com O Assalto, a grande missão que deve ser cumprida para que o protagonista obtenha suas respostas sobre o que está acontecendo.

Mas não adianta tentar encarar o desafio no início do jogo, já que você ainda não tem as habilidades ou a equipe necessária.

Para tanto, uma série de missões diárias podem ser realizadas, que te recompensam com recursos para o aprimoramento da base, pontos de habilidade e a possibilidade de recrutar novos integrantes para o time.

Muitas vezes, esses membros são encontrados em situações onde você deve fazer uma escolha.

Vale a pena gastar as preciosas balas de sua pistola para enfrentar um grupo que está ameaçando um médico?

Fora que levar mais uma pessoa para a base acarreta em mais gastos e recursos que terão de ser realocados para que todos tenham suas necessidades atendidas.

Caso alguma atitude sua interfira no bem estar da base, os membros podem até mesmo abandonar a equipe.

Esse sistema é interessante e contribui para a complexidade na hora de tomar suas decisões.

Missão dada é missão cumprida (Às vezes…)

Ao olhar pela janela nos deparamos com o que seria o mapa do jogo e cada integrante do seu time (incluindo você) pode fazer uma missão diária.

Cada missão oferece recompensas diferentes e a taxa de sucesso varia de acordo com o equipamento que você leva a campo.

No entanto, nem sempre é necessário cumprir todos os objetivos para finalizar a missão.

Algumas vezes, os inimigos podem ser muito desafiadores. Neste caso, não se sinta mal por apenas coletar os recursos mais fáceis e abandonar a área para retornar quando estiver mais bem preparado.

Mas lembre-se… Os inimigos também estarão se aprimorando nesse intervalo.

Joga y Joga

A gameplay de Chernobylite é competente.

O jogo te encoraja a sempre apostar no modo furtivo, já que os inimigos são mais numerosos e poderosos que nosso protagonista.

Igor é um cientista, não um soldado, portanto sua precisão e habilidades estão aquém do que se espera em um jogo de tiro, mas tudo isso pode ser aprimorado com treinamento.

Os exercícios disponíveis variam de acordo com os membros recrutados para a equipe, já que são eles que treinam o protagonista.

O jogo também encontra soluções criativas para driblar limitações como paredes invisíveis. Seu medidor de radiação é seu maior aliado em Chernobylite, assim o jogo impede que você acesse algumas áreas com a desculpa de que o local possui um nível de radiação muito elevado.

Ambientação

A história de Chernobylite não traz nada de inovador.

Apesar de possuir uma trama consistente, o grande destaque do jogo é a imersão proporcionada.

Como já mencionado, o estúdio fez um excelente trabalho ao mapear a região em seus mínimos detalhes. A riqueza de elementos aliada a uma excelente sonorização e uma jogabilidade fluída tornam a ambientação de Chernobylite um verdadeiro primor.

Mas a sensação de um ambiente vivo deixa a experiência ainda mais divertida.

Caso você abandone uma missão sem eliminar todos os oponentes, eles podem se fortalecer, o que deixa a área ainda mais difícil de ser neutralizada no futuro.

Um dia chuvoso pode ser um grande aliado nesses casos, já que a baixa visibilidade te dá vantagem sobre os inimigos.

O jogo te estimula a conhecer a área das missões e entender como cada elemento altera a gameplay para saber se vale a pena arriscar um membro valioso em troca de recursos ou se é melhor passar o dia aprimorando sua base.

Nota

No final das contas, Chernobylite surpreende.

O jogo mescla características de obras consagradas como a saga Metro, S.T.A.L.K.E.R. e Fallout, mas ainda consegue trazer um gás novo ao gênero.

O sistema de administração de recursos torna a jogabilidade mais rica, mas não é tão complexa a ponto de desencorajar quem não curte se dedicar a estudá-lo.

A trama e a relação entre os personagens funciona, mas é a ambientação quem rouba os holofotes ao te deixar tenso o tempo todo, seja para passar por um acampamento inimigo ou fugir das grotescas criaturas radioativas de Chernobil.

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sobre o autor Fernando Maidana

Boa piada. Todos riem. Rufam os tambores. Cortinas se fecham.