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Bravely Default II é um JRPG divertido, mas cansativo

Por Cristiano Rantin

Bravely Default II, um dos lançamentos mais aguardados de 2021, chegou trazendo uma aventura fantástica para os fãs de JRPG. Entre horas de diversão, o jogo apresenta alguns problemas que podem afetar a experiência dos gamers, mas, no geral, se sustenta como uma ótima fonte de entretenimento. 

Apesar de ser parte da franquia Bravely Default, iniciada em 2012 para o Nintendo 3DS, Bravely Default II não exige dos jogadores conhecimento prévio sobre o outro jogo. Funcionando como uma história única, o novo game introduz novos personagens e uma história diferente, sendo bem amigável para os jogadores que estão conhecendo esse universo agora. 

Sobre o que é Bravely Default II? 

Bravely Default II já está disponível para o Nintendo Switch

Lançado em 2021 para o Nintendo Switch, Bravely Default II é um jogo da Square-Enix que segue os moldes dos JRPG, trazendo muita ação e aventura com um visual que mescla artes aquarela com o estilo chibi. 

No jogo acompanhamos a jornada de Seth, um jovem marinheiro que, certo dia, desperta em uma praia após um naufrágio. É ali que ele conhece a princesa Glória e seu fiel escudeiro, descobrindo a nobre missão da moça: Restaurar a harmonia do mundo e impedir que a destruição continue trazendo desgraças para a humanidade.

Mergulhando de cabeça em uma jornada para salvar o mundo, Seth e Gloria acabam conhecendo o estudioso (e beberrão) Elvis e a mercenária Adelle. O grupo segue pela missão, mas para trazer o equilíbrio ao mundo, será preciso coletar os cristais da Água, do Fogo e da Terra – completando o conjunto com o cristal do Ar, já em posse da princesa.

Como era de se esperar, essa missão não será nada fácil. A lenda dos artefatos já se espalhou e forças malignas querem colocar suas mãos nos itens para os mais variados motivos. Agora, os Heroes of Light precisam manter a coragem e não titubear na sua luta que pode decidir o futuro da humanidade para todo o sempre.

O que achamos de Bravely Default II?

Vamos começar indo direto ao ponto: Bravely Default II não tenta reinventar a roda ou apresentar uma história única e diferentona. A premissa do jogo é bastante clichê, aproveitando dos elementos clássicos do gênero JRPG para trabalhar uma trama um tanto genérica, mas que funciona. Temos um protagonista de passado misterioso, que é jogado no meio da história sem muita noção do que está acontecendo; uma princesa que necessita de ajuda; E, como não poderia faltar, artefatos mágicos que precisam ser encontrados para salvar a humanidade de uma grande tragédia. 

Isso, no entanto, está longe de ser um defeito. Mesmo que utilize de recursos tão batidos, a narrativa do jogo é bem interessante e executada com esmero. Com personagens cativantes e divertidos, você consegue aproveitar a lore do jogo e ficar interessado nos inúmeros diálogos presentes no game — tanto os que aparecem em cutscenes, quanto os que surgem na “conversa do grupo”. 

O gráfico do jogo é uma história a parte e, diferente da lore, não funciona muito bem. Misturando artes em aquarela e um visual chibi 3D, Bravely Default II tem um gráfico que pode ser descrito como esquisito. Não há grandes problemas nas artes, que são lindíssimas, ou no chibi, que é até fofo. O principal defeito se encontra nas texturas.

Texturas do jogo deixam a desejar

Andando pelo mapa, ou até mesmo durante as batalhas, é possível notar problemas visuais que não condizem com o potencial do Nintendo Switch. Esse problema fica mais visível quando jogamos em telas maiores, como na TV, mas não fica imperceptível quando estamos jogando no próprio console. A falta de refinamento é nítida e deixa a experiência do jogador um tanto zoada. 

Mas é na jogabilidade que Bravely Default II brilha. Alternando entre as cutscenes da lore e as sequências de combate, o jogo permite que você ande livremente pelo mapa. Assim, é possível caçar baús de tesouro, revirar as moitas em busca de moedas e itens e, é claro, enfrentar os inimigos que ficam perambulando livremente.

O game mostrará inimigos te caçando — sempre dando a chance para você fugir, caso haja espaço no mapa — quando o nível deles for compatível com o seu, ou fugindo de medo quando você estiver mais poderoso. Desse jeito, fica fácil fazer seu grind, ou seja, farmar xp para upar de nível matando uma centena de monstros. Também será possível entrar em dungeons e lidar com monstros mais fortes e até com alguns “chefões” poderosos que se escondem por ali.

Apresentando um sistema de combate por turnos, Bravely Default II fica mais interessante graças ao seus sistema de profissões, que permite a combinação de diversos feitiços, algo que movimenta bastante a dinâmica do jogo. É possível desbloquear mais variações conforme você progride na história, o que transforma o visual dos personagens e o leque de habilidades que você possui na hora de enfrentar os inimigos. 

Mas, talvez o que mais inove nesse estilo seja as mecânicas de Brave e Default. Ainda que seja um combate por turnos, é possível usar Brave e executar mais de uma ação quando for sua vez. Já no Default, o personagem assume uma postura de defesa e recupera os pontos de bravura gastos.

Visual Chibi dá toque caricato e divertido ao game

Como isso deixa o jogo mais interessante? Essa opção permite que você encerre batalhas mais rapidamente, que você ressuscite e cure todos os seus aliados de uma única vez, ou que você enfeitice toda a party inimiga de uma única vez. As possibilidades durante o combate ficam bem mais divertidas quando você não é limitado a fazer uma única ação, mas, ao mesmo tempo, isso te obriga a utilizar uma estratégia para saber quando é mais inteligente gastar seus pontos de Brave e quando seria mais sábio se proteger na postura Default.  

Apesar disso, é preciso ressaltar que o jogo fica repetitivo muito rápido. Ainda que surjam novos inimigos conforme você avança pelas regiões, não há mudanças muito significativas. A impressão que dá é que, depois de um tempo, você está andando em círculos em busca de XP para poder enfrentar os pontos cruciais da história. Em vários momentos desliguei o Switch e fui fazer outra coisa, simplesmente por estar cansado de ver mais do mesmo. É um problema que costuma ser recorrente em jogos do gênero, especialmente os que exigem grind, mas o jogo poderia se esforçar mais um pouco para evitar essa fadiga.

Outro ponto que deve ser comentado é a falta de personalização dos personagens. Se você, assim como eu, gosta de passar um tempo encontrando visuais e itens pra ficar mais bonitinho, tenho uma má notícia para você. Bravely Default II não investe muito nisso. O que influencia o que seus personagens usam é a profissão primária deles e, no fim, as armas e itens que você compra não fazem tanta diferença nesse sentido. Não é nada que afeta a gameplay, mas é um detalhe um tanto chato pra quem curte isso. 

Que nota damos para Bravely Default II?  

Se você está buscando um bom JRPG, Bravely Default II é um jogo que foi feito pra você. Com uma história bem executada, protagonistas carismáticos e com um sistema de profissões que permite criar jogadas interessantes (além da mecânica Brave  e Default), o game entrega muitas horas de entretenimento e escapismo. O problema, no entanto, surge após algumas horas, dada a repetição do grind e algumas interrupções irritantes que acabam cortando o seu progresso. 

O gráfico também causa desconforto em alguns momentos, especialmente no que diz respeito à textura. A impressão que fica é que, apesar de muito empenho, não houve uma suavização de certos elementos, o que resulta em algo que alterna constantemente entre o bonito e o esquisito. 

De qualquer forma, o jogo é interessante e entrega o que foi prometido: Horas de diversão e uma boa história, se você conseguir ignorar essas pequenas falhas. Por esse motivo, o game leva três estrelas e meia. 

Três estrelas e meia para o game!

Bravely Default II já está disponível no Nintendo Switch.

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"