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Review: Aliens Fireteam Elite sabe exatamente o tipo de jogo que é

Por Lucas Rafael

A franquia Alien carrega uma forte associação com a mídia dos jogos eletrônicos. Talvez porque o segundo filme, Aliens, O Resgate (1986), de James Cameron, seja o mais próximo de um videogame assistível que Hollywood tenha chegado – mas outras pessoas já falaram ostensivamente sobre isso online. A questão é que há um legado aqui, abrangendo desde os clássicos títulos de Alien Vs. Predador, passando pelo desastre de Colonial Marines (2013) e, por fim, Alien: Isolation (2014), que em retrospecto parece cada vez mais como um survival horror obrigatório da geração passada. E essa, bem resumidamente, é a estrada até Aliens: Fireteam Elite. Mas e aí, onde o novo game se encaixa no panteão turbulento de títulos Alien?

É importante começar despindo esse novo título de qualquer expectativa erguida por Isolation: Fireteams Elite tem mais ênfase na ação do que no terror, priorizando mais o tom explosivo do segundo filme do que o horror claustrofóbico de Alien: O Oitavo Passageiro.

Ficha Técnica

Título: Aliens Fireteam Elite

 

Data de Lançamento: 23 de agosto de 2021

 

Desenvolvedora: Cold Iron Studios

 

Distribuidora: Focus Home Interactive

 

Plataformas: PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X|S e PC

 

Gênero: Tiro em terceira-pessoa, horde shooter

 

Modos: Multijogador

Caçando insetos

Aliens Fireteam Elite é um jogo “horde shooter” com ênfase em multiplayer cooperativo, ou seja, é jogo de atirar em muitas coisas com a galera. A questão é que Fireteam sabe exatamente o que é.

Existe um ponto logo no comecinho do jogo que você precisa conversar com NPCs e, assim que eles começam a matraquear derrubando montanhas de exposição narrativas em cima de você – a única maneira pela qual a trama avança, aliás, é geralmente essa – você percebe que os bonecos não mexem a boca. Eles estão lá gesticulando, meio engessados e de alguma maneira a voz está saindo. Só que a boca não mexe. E quer saber? Tá tudo bem.

Fireteam Elite é claramente um título AA feito com um orçamento limitado. Em tempos de crunch e desenvolvedoras forçando programadores a passar férias no escritório para trabalhar na farinha que escorre do saco caso você atire nele, há um pragmatismo muito respeitável rolando em Aliens: Fireteam Elite. Precisa ter fala sincronizada com os bonecos ou isso vai custar muitas horas da equipe? Vai custar muitas horas? Então não precisa.

Isso não faz de Fireteam Elite um jogo preguiçoso, vejam bem. Ele trabalha de maneira muito inteligente com os poucos recursos que têm, ao ponto que eventualmente você está lá explodindo uns xenomorfos e tudo parece certo: a ação é frenética e responsiva, cada jogador detém habilidades que realmente pesam no equilíbrio da jogatina e a trilha-sonora composta por Austin Wintory é simplesmente excelente. O jogo é bacana, você pensa ali pela segunda missão. O jogo é super-bacana.

Sim, você só anda pra frente e atira, às vezes interage com terminais e portas trancadas e coisa e tal. Tem um sistema de cobertura, a câmera é em terceira-pessoa e a experiência toda carrega o DNA de Gears of War.

As ambientações são lindas, com texturas que respeitam a identidade da franquia Alien. Aliás, a Cold Iron Studios fez um dever de casa excepcional aqui. Os fãs mais alucinados vão reconhecer alguns dos xenomorfos especiais de lugares obscuros da franquia, como uma cena deletada de Alien 3. Até o som esquisito do fuzil dos marines é parecido com o do filme. Está tudo certo na fronte do fan-service. Se você curte Alien, Fireteam Elite vai te dar um abraço quentinho – caso suas expectativas estejam reguladas pelo tom do segundo filme, é claro.

Novamente, é um jogo pragmático. Os primeiros mapas são mais estreitos e afunilados, com eventuais arenas onde a ação ganha nova escala. Existe tensão ali. Eventualmente você vira por um corredor e um Xenomorfo específico pula no seu boneco ou no do seu amigo. Você começa a ficar apreensivo sobre o que há por trás de cada porta ou corredor. Não há bem um terror aí, mas tem suspense de sobra, pode apostar.

Mais pra frente na campanha há mapas abertos que prezam pelo uso de armas de longo-alcance. Se você (como eu) jogou com a classe Gunner na primeira vez e devastou hordas de xenos com sua escopeta, bem, pode largar esse estilo de jogo quando chegar mais pra frente.

Falando em classes, são cinco no total, distintas e com habilidades especiais únicas que ajudam no decorrer das partidas, partidas nas quais você batalha por belos cenários inspirados nos filmes.

De ruínas prometheanas até laboratórios imersos numa luz vermelha de emergência, Fireteam Elite sabe o que importa para a sua jornada ser prazerosa e foca exatamente nisso, deixando de lado coisas que, sim, poderiam elevar o título aos olhos do público – mais cutscenes, por exemplo. Mas a falta de orçamento fez a equipe da Cold Iron focar apenas no essencial, entregando um título que não tinha o direito de ser assim bacana.

Aliens Fireteam Elite é um baita jogo bacana.

Você pode até estranhar no começo o quão direta a experiência toda é, sem muitos floreios ou enrolações que alguns dos jogos AAA normalmente apresentam. Mas quando chega na hora do vamo-ver, o momento a momento do gameplay, Fireteam Elite brilha.

Ao final de cada missão há recompensas, novas armas e até cosméticos para você aplicar no seu personagem – que é customizável também. Dá pra fazer personagens legais aqui mas não venha esperando um The Sims em termos de customização.

Aliens: Fireteam Elite conta com dois pontos fracos um tanto gritantes, no entanto.

O primeiro são falhas que travam o progresso de missões, fazendo com que você tenha de abandoná-las e começar tudo de novo. Aconteceu umas três vezes comigo e, embora não tenha arruinado minha experiência, foi irritante. Mas eu não consigo me zangar com Fireteams Elite. É um jogo muito bacana. Vamos ao segundo ponto.

O segundo ponto é que essa é uma experiência essencialmente multiplayer online. Jogar sozinho é um pé no saco. O jogo troca seus companheiros por droides das indústrias Seegson que são controlados pelo computador. Em algumas missões eles são absurdamente inúteis e até o jogo te dá um aviso no estilo “Ei, jogar essa aqui com bots não é legal hein“.

Isso porque Fireteam Elite conta com eventuais picos de dificuldade que só uma química entre jogadores reais pode superar. Ou seja, é o jogo para você jogar em galera e não, seu nível de apreciação pela franquia Alien não é fatora no quanto você vai se divertir aqui: é um game para todos.

Há um lobby público para você encontrar jogadores mas, Fireteam Elite me parece um título meio nichado – nem sempre você irá completar sua equipe, quiçá em algumas missões nem encontrar outro jogador.

São dois contras bem pesados que contribuem compreensivelmente para sua decisão de compra. Mas eu te juro que Aliens Fireteam Elite é um jogo bacana.

Pragmático, prestando um fan-service carinhoso, com jogabilidade responsiva e um level design inteligente, taí um jogo que eu não esperava que fosse me surpreender assim positivamente. Porque quando você coloca a experiência toda na balança, quem liga se os personagens não abrem a boca para falar? Aliens: Fireteam Elite é um jogo inteligentemente enxuto e absurdamente divertido – caso você tenha com quem jogar.

Nota do jogo: 8 de 10

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sobre o autor Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais