Review: Alan Wake Remastered é um jogo “antigo” que continua à frente de seu tempo

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Review: Alan Wake Remastered é um jogo “antigo” que continua à frente de seu tempo

Por Leo Gravena

Alan Wake Remastered foi um dos títulos mais aguardados pelos fãs de horror neste ano, trazendo um dos jogos mais aclamados pelos fãs do gênero de volta em uma qualidade visual superior, ao mesmo tempo em que a história e jogabilidade continuaram praticamente as mesmas.

Na trama, o jogador entra na pele de Alan Wake, um famoso escritor que vai para a pacata cidade de Bright Falls, porém precisa enfrentar diversos horrores que surgem na escuridão para salvar sua esposa, Alice, enquanto também deve resolver um mistério cheio de nuances e ótimas reviravoltas.

Ficha Técnica:

Título: Alan Wake Remastered

 

Lançamento: 5 de outubro de 2021

 

Desenvolvedora: Remedy Entertainment

 

Gênero: MMORPG

 

Plataformas: Xbox Series X/S, Xbox One, PlayStation 5, PlayStation 4 e PC

 

Modos:1 jogador

Cutscene de Alan Wake Remastered

Prefácio: Alan Wake não precisa reinventar a roda, o jogo continua excelente mais de 10 anos depois

Alan Wake foi lançado, originalmente, para o Xbox 360 em 2010, tendo chego para o PC no inicio de 2012. Por muito tempo ouvi falar do jogo e, mesmo tendo visto vários gameplays e sabendo da história por cima, nunca havia o jogado – mas sempre tive muita curiosidade pelo game. Caso você seja uma dessas pessoas, a versão remasterizada traz tanto o jogo original quanto os dois DLCs e certamente vale a pena tanto para jogadores novos quanto para aqueles que desejam revisitar o título.

Existem muitas coisas que Alan Wake acerta, mas a principal é que é um jogo tão diferente dos de terror e suspense que são lançados hoje em dia que, mesmo sendo uma remasterização, parece algo de vanguarda, um jogo menor (mas que não chega a ser um indie) que vem para apresentar conceitos novos, o que é engraçado já que ele mantém os mesmos pontos que o tornaram um jogo bastante aclamado em seu lançamento.

Cutscene de Alan Wake Remastered

Capítulo 1: A narrativa

Alan Wake é um jogo de terror, mas que utiliza vários conceitos de ação, aventura e exploração. Seu maior triunfo, contudo, é a narrativa que traz uma história densa, cheia de nuances e suspense, recheada de personagens marcantes e muito memoráveis. Ao longo dos seis capítulos de Alan Wake o jogador vaga pela cidade de Bright Falls enquanto luta contra a escuridão que está tomando conta do local. Para isso é necessário usar a luz, na maior parte do tempo lanternas, para tornar as sinistras figuras “reais” e ai poder atirar nelas.

O jogo sabe muito bem dividir seus capítulos, os momentos de tensão durante a noite, principalmente quando você está no meio de uma floresta tendo que atravessar o local e fugindo de várias das sombras, são bem contrastantes com os momentos durante a luz do dia, que são mais calmos e tranquilos, com o jogador andando pela cidade ou pela cabana enquanto busca pistas relacionadas ao desaparecimento de Alice.

No meio da investigação, além da escuridão que está tentando te pegar, várias outras coisas bastante estranhas ocorrem. Seja em monólogos vindos da TV ou a descoberta de quem está por trás da escuridão e a sua motivação. Tudo isso leva a uma história tão bem construída e amarrada que não fica atrás de qualquer conto aclamado de Stephen King – o jogo, inclusive, não esconde a inspiração, com Wake citando o autor de ‘O Iluminado‘ e ‘Carrie, a Estranha‘ em várias ocasiões.

Outro fator interessante do jogo é como a própria cidade de Bright Falls é um personagem dentro da narrativa; assim como a Xerife Sarah Breaker, Barry ou Cynthia Weaver, a “louca das luzes” da cidade, a cidade e, principalmente, a floresta ao seu redor, são cheios de personalidade, a cada capítulo o jogador passa por lugares semelhantes visualmente, mas totalmente diferentes em termos de estrutura. A pequena cidade e seus moradores lembra bastante também os momentos mais sombrios de Twin Peaks e deve agradar os fãs da série, principalmente por todas as suas estranhezas.

A maneira como o jogo é dividido em capítulos também é uma ótima forma de tornar a história não apenas bastante dinâmica e interessante, mas também permitir que o jogador possa dar um respiro e também ficar ainda mais ansioso pelo o que ainda está por vir.

Cutscene de Alan Wake Remastered

Capítulo 2: A jogabilidade

Como uma remasterização o jogo não atualiza muito de sua jogabilidade – e não há problema nenhum nisso, porque a jogabilidade mais simples é um dos pontos altos de Alan Wake. O jogo não te força a precisar usar várias armas diferentes, melhorar equipamentos ou qualquer outra coisa do tipo. Você tem um revolver, pode pegar espingardas ou rifles de caça, além de possuir granadas de luz e sinalizadores – é isso. O sistema de mira também é tão simples que você não precisa se preocupar se vai conseguir acertar todos os inimigos, somente se vai ter bateria o suficiente na lanterna para poder acertá-los.

É através da simplicidade que o jogo faz com que você fique focado muito mais na sua construção de mundo do que em qual arma é a melhor ou onde conseguir a mais poderosa do jogo. O que você precisa é de apenas um revolver e munição o suficiente para conseguir chegar até o local desejado e, muitas vezes, baterias acabam sendo bem mais desejáveis do que mais munição.

Ainda assim, mesmo sendo simples, o jogo não deixa de ser divertido em seus momentos de mais ação, seja com leves jump scares que ajudam a manter a tensão e o coração batendo, como também com toda uma cena envolvendo um palco de shows cheio de efeitos de luz e muitos dos “Tomados” vindo em sua direção.

Cena da jogabilidade de Alan Wake Remastered

Capítulo 3: A ambientação e o visual

A maior diferença de Alan Wake Remastered para sua versão original certamente é o visual. Na versão de 2010, o jogo já tinha cenários incríveis e muito bem trabalhados, porém é inegável a evolução estrondosa que ele recebe na remasterização, principalmente por estar disponível em 4K. Tudo no jogo é simplesmente lindo: as florestas possuem vida e trazem uma imersão gigantesca, os personagens possuem modelos melhores trabalhados e as cutscenes foram refeitas, misturando tanto as originais quanto modelos novos.

Tudo isso faz com que a imersão do jogador aumente consideravelmente. Em vários momentos você simplesmente se perde ao jogar o título, os belíssimos visuais combinados com a excelente história fazem com que o jogador fique tão imerso na história que, pela primeira vez em muito tempo, me perdi completamente no tempo e somente quando o relógio bateu 2 horas da madrugada em um dia de semana é que percebi que havia passado cerca de 5 horas jogando sem parar e sem notar que todo esse tempo havia passado.

Normalmente não acredito que visuais bons resultem em um jogo bom; realmente acredito que uma boa jogabilidade e narrativa são bem mais importantes, mas a melhoria visual em Alan Wake é apenas uma cereja no bolo de um jogo que deveria ser jogado por todos os fãs do gênero.

Cutscene de Alan Wake Remastered

Capítulo 4: A nota

No fim, Alan Wake é um jogo excelente que continua à frente de seu tempo. A remasterização melhora, e muito, os visuais, mas a jogabilidade e a história já são tão boas que não existe algo a ser melhorado ali. Com uma gameplay simples e uma história complexa, cheia de nuances, e um protagonista excelente, Alan Wake Remastered é um título que se torna algo obrigatório para todos os fãs de horror e suspense que queiram algo mais do que apenas sustos, mas também estejam interessados em uma construção de mundo exemplar e um jogo muito, muito acima da média.

Nota: 10/10

*Para a crítica foi testada a versão no PlayStation 5 do jogo.

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sobre o autor Leo Gravena

Editor | @LeoGravena
Escrevo sobre cultura geek na internet desde 2012
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