Resident Evil: “Essa é a versão que os fãs dos games estavam esperando”, diz elenco de Bem-vindo a Raccoon City

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Resident Evil: “Essa é a versão que os fãs dos games estavam esperando”, diz elenco de Bem-vindo a Raccoon City

Por Arthur Eloi

Poucas franquias têm o mesmo impacto que Resident Evil. A série da Capcom surgiu lá no PlayStation 1 em 1996, definiu como se faz horror nos games, elevou o padrão da indústria de games, e se reinventou algumas vezes ao longo desses 25 anos. Com um hit desses, não demorou muito para que esse universo fosse levado aos cinemas, e o resultado foram cinco filmes dirigidos por Paul W.S. Anderson e estrelados por Milla Jovovich. A série cinematográfica é sucesso de bilheteria, mas altamente divisiva entre os fãs do material-base.

Na nova era de Hollywood, que quer atender aos desejos dos gamers (e pegar uma fatia do bolo bilionário que é a indústria de jogos), é preciso dar alguns passos para trás. Assim surgiu a ideia do reboot Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City. O novo filme troca a ação desenfreada pelo silêncio macabro, e busca resgatar a força da sensação de pavor que os clássicos despertavam lá na década de 1990.

Em entrevista à Legião dos Heróis, deu para perceber que o elenco do longa inédito estava se sentindo particularmente nostálgico pelos games originais. “Resident Evil entrou na minha vida, e foi a primeira vez que fiquei amedrontado por um jogo”, afirma Tom Hopper (Umbrella Academy), o Albert Wesker do filme, ao relembrar sua relação com jogos na infância. “As únicas vezes que algo parecido havia acontecido antes foi com Doom, Wolfenstein e coisas assim, sabe? Resident Evil era revolucionário.

Muitos dos fãs compartilham da memória de ter sentido medo genuíno pela primeira vez com Resident Evil, ao ponto de que certos momentos ficaram marcados permanentemente na mente, atormentando o subconsciente mesmo após 25 anos. Robbie Amell (The Flash), que vive Chris Redfield no longa, cita como exemplo um dos sustos que apavorou toda uma geração: “Sempre fui fã, cresci com a franquia e jogava antes mesmo de ter idade para isso. Uma das minhas mais antigas memórias com videogames é a cena dos cachorros pulando pela janela e me assustando pra valer!

Jumpscare do primeiro Resident Evil está marcado na mente de muita gente até hoje

Ainda que o elenco tenha essa conexão antiga com a franquia, os atores assumem que não são gamers até os dias de hoje. Mesmo assim, é notável o carinho deles por Resident Evil, que continua firme e forte como uma memória de infância: “Eu era muito fã dos jogos, cresci com Resident Evil 4. Como é focado em Leon, ele era meu personagem favorito”, diz Avan Jogia (Zumbilândia 2), brincando com o fato de que ele é o intérprete de Leon S. Kennedy no novo filme. “O jogo com certeza está no meu Top 5 de melhores da vida.

No caso de Tom Hopper, assumir o papel de Albert Wesker foi a oportunidade para se reconectar com essa paixão da infância. Com tom de brincadeira, o ator admite que não jogou os títulos mais recentes, e que sua pesquisa para entender o que torna o seu personagem tão marcante se deu por meio de assistir “muitas crianças jogando os jogos no Youtube, muita gente debatendo a franquia, e ligar para amigos que são gamers”, mas que ainda assim se surpreendeu com a evolução da franquia nos games – e também com a própria idade.

Foi bem interessante retornar para esse mundo depois de tantos anos, já que faz anos que não os jogo, foi apenas uma fase da minha infância. Isso também me fez perceber o quão velho eu sou, tipo ‘Puts, há quanto tempo eu joguei isso?’. Foi ainda mais surpreendente ver o que se tornou hoje em dia, tão avançado e muito mais assustador. Mas voltar para o original ainda traz de volta todas aquelas sensações iniciais.

Robbie Amell e Avan Jogia, por outro lado, de fato botaram a mão na massa, e aproveitaram a oportunidade para “pesquisar” os seus papéis revisitando tanto os clássicos quanto seus remakes, que servem como base para a trama e estética do filme. “Eu fiz muita pesquisa“, brinca o ator de Leon enquanto finge jogar com um controle imaginário. “Sentei no sofá e ‘pesquisei’ bastante. É engraçado que, assim que conseguimos o papel, o remake de Resident Evil 2 foi lançado. Logo que fui contratado comecei a jogar a campanha como Leon. Normalmente, quando pego um papel, preciso criar todo o universo desse personagem na minha cabeça, onde ele mora e coisas assim. Aqui eu nem precisei imaginar, tudo já estava no jogo. Eu apenas precisei jogar como Leon, o que foi uma experiência muito divertida.

Numa estranha coincidência, o remake de Resident Evil 2 saiu logo que Avan Jogia conseguiu o papel de Leon no filme

Rejoguei os dois primeiros jogos antes das filmagens, só por prazer mesmo”, afirma Robbie Amell. “A parte legal é que nosso diretor, Johannes Roberts, também é um grande fã, então discutimos muito sobre tom, personagens, o que seria trazido dos jogos e o que passaria por mudanças. Acho que ele acerta em pegar esses personagens tão amados e fazê-los mais humanos no filme, com falhas e relações interpessoais. Facilita o nosso trabalho como atores quando eles soam mais reais.

Durante esse momento de revisitar os games, o elenco percebeu que seus personagens nos games clássicos não são exatamente bem desenvolvidos. Os atores citam que é aí que o diretor e roteirista Johannes Roberts brilha na adaptação, ao humanizar e criar conflitos reais para o grupo, como explica Amell:

O Chris Redfield dos jogos é um pouco raso. Ele é um super policial de uma cidade pequena, que faz tudo certinho. No filme é possível ver alguém com arrependimentos, que lamenta a falta de conexão com a irmã, que não tem bom relacionamento com nenhum parente ou amigo. Assistir isso é um pouco mais interessante, e dá algo para o público enxergar nossos personagens para refletir sobre suas próprias vidas.

Já no caso de Tom Hopper, foi essa abordagem do cineasta que lhe despertou interesse no papel. “O que me atraiu ao projeto foi [o diretor] Johannes Roberts e a visão dele para os personagens, deixando-os mais reais. Até eu conhecê-lo, não fazia ideia de como seria o filme. Minha versão do Wesker podia ser eu de cabelo loiro espetado, com óculos escuros. Gostei tanto de como o roteiro foi escrito, e também dos acenos aos jogos, é tudo brilhante.

Antes de ler o roteiro, Tom Hopper temia que o Wesker do novo filme de Resident Evil fosse a versão absurda do quinto jogo

Talvez Bem-vindo a Raccoon City não seja o grande responsável por mudar a imagem das adaptações de games em Hollywood, mas é visível que o elenco saiu do set com uma experiência muito positiva. Todos tiveram a oportunidade de revisitar um dos primeiros contatos com o horror, e parece que há interesse dos atores em seguir com uma franquia nas telonas, caso o público goste do longa. Robbie Amell, pelo menos, parece confiante de que enfim há um filme de Resident Evil que vai alegrar os fãs.

Se você é fã dos jogos, esse filme vai explodir a sua mente. Toda vez que assistir vai pegar novos easter eggs. Essa é a versão que os fãs dos games estavam esperando. Mas se você não entende nada sobre Resident Evil, é uma ótima história de origem e introdução a esse mundo que é tão amado por tanta gente.

Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City já está em cartaz nos cinemas.

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117