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Qual foi a primeira sequência do cinema a usar o “2” no título?

Por Gus Fiaux

A história do cinema é cheia de momentos marcantes e elementos peculiares. Você já parou para pensar quando um determinado clichê começou a ser usado? Ou que tal, quando um gênero surgiu pela primeira vez? Já sabe qual foi a primeira sequência do cinema? E a primeira a usar o número “2” no título? Todas essas perguntas são interessantes de se analisar, e hoje vamos entender um pouco sobre essas duas últimas em especial.

Atualmente, com a quantidade quase exorbitante de sequências e continuações feitas no cinema, é fácil não lembrar ou não saber quais filmes deram origem a essa iniciativa – ainda mais levando em conta como o cinema mudou desde seu início até hoje, deixando de ser apenas um “experimento de espetáculo” para se tornar um consolidado mercado, que gera bilhões de empregos e arrecada muito dinheiro todos os anos.

Mas vamos aos poucos.

A Noiva de Frankenstein (1935) mostrando que não é de hoje que temos continuações no cinema.

Uma brevíssima história das continuações

Quando o cinema surgiu, os custos e ônus de fazer um filme eram absurdos. O cinema era uma linguagem muito restrita a uma elite econômica que tinha condições de pagar pelos caros equipamentos ou então investir em novas ferramentas para produzir seus próprios filmes. O sistema de estúdios, que ficou tão popular em Hollywood e deu origem ao cinema enquanto mercado e fenômeno midiático, só surgiria algumas décadas após os primeiros filmes.

Mas as sequências já existiam quando isso aconteceu – só não do jeito que você esperava. A primeira continuação lançada nos cinemas foi The Fall of a Nationde 1916, servindo como uma sequência para O Nascimento de uma Naçãoo polêmico filme de 1915 dirigido por D.W. Griffith que é até hoje lembrado como uma das obras mais revoltantes da história do cinema, por trazer membros da Ku Klux Klan como heróis e defensores dos EUA.

The Fall of a Nation, por sua vez, segue uma história razoavelmente diferente, em um mundo “alternativo” onde os Estados Unidos são transformados por pacifistas em uma terra de pessoas despreparadas para a guerra. Isso faz com que nações europeias invadam o país e somente um “exército” de mulheres possa salvar o país. O filme foi dirigido por Thomas Dixon Jr. e é considerado perdido – ou seja, não há nenhuma cópia existente, até onde se sabe.

Eventualmente, isso acabou se tornando uma tendência bem frequente, especialmente em produções que dependiam de um público maior – um bom exemplo disso é o cinema de horror, que “surgiu” através das produções da Universal – basta pensar, por exemplo, em A Noiva de Frankenstein, de 1935. As sequências originalmente eram quase como “histórias à parte”, já que a ideia de uma franquia dividida em várias partes ainda não era tão difusa.

Isso não quer dizer que esses filmes não serviam como “continuação direta da história”, mas a relação que essas sequências tinham era muito diferentes – não é como se o filme original “ficasse em aberto” para uma continuação dar as respostas. Por isso, não tinha-se o costume de usar o número “2”, já que isso fazia parecer que era necessário ver as duas partes para ver uma história completa.

Quatermass II, o primeiro filme com o número “2” da história.

Quarenta e um anos separam a primeira continuação do cinema e a primeira continuação a usar o número “2” no título. Para quem está interessado em saber, o nome do filme é Quatermass II, longa dirigido por Val Guest e produzido pela Hammer, uma importante produtora de filmes de horror que atuou exaustivamente dos anos 50 aos anos 70, lançando várias produções de baixo orçamento – incluindo adaptações de importantes romances góticos.

Quatermass IIpor sua vez, é a continuação de The Quatermass Xperiment (Terror Que Mata), lançado em 1955 e também dirigido por Guest. Curiosamente, no Brasil, a sequência acabou perdendo o “charme” de seu título com número, já que foi traduzido apenas como Usina de Monstros. E o mais curioso disso tudo é que essa saga é baseada em uma série de TV britânica que estreou em 1953.

The Quatermass Experiment (o nome da série original) foi criada por Nigel Kneale e apresenta um cientista chamado Bernard Quatermass – que investiga uma nave espacial que retornou com dois passageiros sumidos e um sobrevivente catatônico. Os direitos de adaptação da série foram comprados pela Hammer e logo a saga se tornou uma trilogia de filmes.

Da trilogia, temos Terror Que MataUsina de Monstros Uma Sepultura na Eternidade (Quatermass and the Pit, no original). O segundo filme, apesar de ser o mais fraco, entrou para a história por ser o primeiro a usar um numeral no título – mas curiosamente, tanto no Brasil quanto nos EUA, ele foi lançado com nomes diferentes e que não tinham o algarismo. Na América do Norte, ele é conhecido como Enemy From Space.

Anos depois, essa ideia se tornaria muito comum e hoje temos dezenas de exemplos de filmes que usam números para expressar seu “local” em uma franquia, de Homem-Aranha 2Toy Story 2, passando por De Volta para o Futuro II até Guardiões da Galáxia Vol. 2. E embora Quatermass II não seja o responsável pelo surgimento das franquias e continuações, ele certamente tem seu papel no legado desses produtos midiáticos.

Abaixo, veja 10 sequências que ignoram completamente o filme anterior:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux