Review: Mythic Heroes atira para todos os lados, mas ainda consegue fisgar o jogador

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Review: Mythic Heroes atira para todos os lados, mas ainda consegue fisgar o jogador

Por Chris Rantin

Jogos mobile estão cada vez mais populares, ganhando mais qualidade e apelo do público que, estando com o celular em mãos, pode jogar onde quer que esteja. Entre games complexos e grandiosos, temos também os de jogabilidade simples que visam entreter e prender o jogador o máximo de tempo possível. E o que não falta são opções e estilos variados para que as pessoas escolham o que mais gostam para se divertir. 

É nesse mercado tão plural, em que novidades surgem a todo instante, que encontramos Myhtic Heroes. Desenvolvido pela IGG, já conhecida por outros gigantes da plataforma como Lord Mobile e Castle Clash, o game é um Idle RPG gratuito, também conhecido como RPG AFK, o que permite que você consiga coletar recompensas e avançar na aventura até quando não estiver jogando.

Contudo, Mythic Heroes cria uma salada mística ao misturar personagens mitológicos com figuras históricas e literárias, utilizando jogos de estratégia, gacha e combate em dungeons. O resultado, infelizmente, é um produtor um tanto genérico que, mesmo sendo capaz de viciar, parece mais do mesmo. 

Ficha Técnica: 

Título: Mythic Heroes 

Desenvolvedora e distribuidora: IGG

Plataformas: Mobile 

Lançamento: Novembro de 2021

Gênero: Idle RPG

Modo: Single-Player, Multi-Player online

Crise de Identidade

Parece faltar identidade para Mythic Heroes

Em Mythic Heroes, forças das trevas tentam dominar o mundo. Por isso, cabe ao jogador invocar um exército de divindades e heróis para tentar impedir os planos malignos. Para conseguir resistir aos perigos, é possível evoluir os personagens, aprimorando seus equipamentos e suas habilidades especiais. 

Essa é uma premissa muito interessante, ainda que padrão para qualquer RPG que se preze, mas não gera um impacto muito significativo neste game. Muito pelo fato de que se trata de um Idle RPG, a impressão que fica é que a lore do jogo está ali apenas para preencher espaço, sem que traga ao realmente relevante para o jogo. 

Notamos isso pelos “heróis” presentes no game. Dentre os personagens que você consegue desbloquear ao longo do jogo temos as já citadas divindade (como Zeus, Perséfone, Hécate, Izanami e Isis). Algumas surgem com artes interessante, realmente remetendo ao que costumamos ver associados com essas entidades. Outras, no entanto, são tão genéricas que parecem terem saído de um anime aleatório, lembrando muito pouco — ou quase nada — dos mitos. 

Mas a salada mística não para por aí. Junto dos deuses e deusas temos seres mitológicos como Harpias, Medusa, Musa e Cassandra; Criaturas literárias, como o Drácula e Merlim; E figuras históricas como Joana D’Arc e Cleópatra. 

Ainda que com um conceito interessante, Mythic Heroes parece não conseguir decidir o que quer ser, misturando tudo que pareça apelativo para conquistar o máximo de pessoas, perdendo sua identidade e o fio da meada no processo. Diferente de jogos como Smite, por exemplo, que tenta adaptar personagens de diversas mitologias de uma forma mais ou menos fiel a maneira que elas aparecem nos mitos, o game mobile se aproveita apenas do conceito ou nome desses personagens, criando algo que é parecido com tudo que já vimos em outros produtos — e perdendo na comparação. 

Esse não é um problema apenas da lore e da bagunça de personagens jogáveis, mas sim algo que encontramos na própria jogabilidade de Mythic Heroes. Nela temos a mistura de um sistema meio que de gacha, com roletas e prêmios diários que são distribuídos com base da sorte, de uma jogabilidade automática que tira um pouco do prazer do jogo e dos embates sem muito senso de relevância ou urgência. 

Basicamente, as batalhas são decididas com ou sem você — afinal, é um idle RPG — mas na prática isso diminui um pouco do interesse neste aspecto do game. Felizmente, esse estilo permite que você pense em estratégias e combinações de personagens, o que faz com que você tenha algo de relevante para fazer enquanto joga. 

 Porém, a soma disso tudo resulta em um jogo que atira para todos os lados, mas que falha em construir sua própria identidade ou se destacar entre os outros títulos mobile, que já são conhecidos por suas semelhanças e “cópias”. Fica a sensação de que, por mais que houvesse um conceito legal por trás da criação do jogo, ele acabou se perdendo no desenvolvimento, o que resultou em algo que é mais do mesmo. 

Viciante, apesar dos problemas 

O combate em Mythic Heroes pode ser automatizado e funcionar sem qualquer influência do jogador

Contudo, é inegável que exista um fator viciante de Mythic Heroes, que acaba sendo um dos principais elementos dos “joguinhos de celular”. Apesar das questões citadas acima, o game possui muitos aspectos que prendem a atenção do jogador, como as missões diárias e as masmorras a serem superadas. 

O que falha em lore é compensando em outros recursos, que surgem em Mythic Heroes como diversas maneiras de manter o jogador interessado no game. Ainda que o combate seja definido sem você, o game faz de tudo para que seja impossível ficar longe — utilizando tanto notificações quanto sinais pelo jogo de que existem coisas que você precisa conferir antes de ir embora. 

Além das missões, há bônus especiais que precisam ser coletados e eventos de sorte para te fazer passar o tempo e atualizações constantes que adicionam novidades (e até recursos temáticos) ao game. 

Outra característica que ajuda a deixar o jogo mais interessante para o usuário é a possibilidade de se conectar com outros jogadores. Além do chat global para bater papo, é possível criar guildas, formando alianças com pessoas do mundo todo. Assim, ao unir forças, o combate fica ainda mais interessante e os desafios mais intensos. Para os fãs de PvP, Mythic Heroes também permite lutas amigáveis entre os usuários. 

Ainda que seja gratuito, é possível comprar recursos no jogo, como conteúdos cosméticos e algumas vantagens que aceleram sua jogatina sejam pagas. Na prática isso significa que, jogando sem investir dinheiro de verdade, Mythic Heroes seja um tanto frustrante em algumas ocasiões, mas é possível se divertir — ainda que com um progresso mais lento — sem gastar um centavo. 

Mais do Mesmo 

Por mais que falte identidade em Mythic Heroes, a IGG sabe o que está fazendo no que diz respeito a criar jogos simples e viciantes. Seria absurdo dizer que o game não consegue entreter, de uma forma bem descompromissada, o jogador que só quer passar o tempo com um aplicativo do celular. 

Se você espera por algo mais complexo, com uma lore fascinante, escolhas complicadas e que saiba exatamente o que deseja propor ao jogador, é bem provável que Mythic Heroes traga uma experiência frustrante, não sendo o jogo que você está buscando. Contudo, caso seu objetivo seja apenas entrar em um mundo com figuras interessantes, rodar algumas roletas e coletar recursos enquanto faz outra coisa, essa mistureba mística tem tudo para te fisgar. 

Assim, levando tudo isso em consideração, o game leva 4,5 estrelas da Legião dos Heróis.

Nota: 4,5

Mythic Heroes é gratuito para jogar e está disponível para Android e iOS.

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sobre o autor Chris Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Instagram e Twitter: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"