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Mortal Kombat: Produtor explica o motivo para termos um personagem original no filme 

Por Cristiano Rantin

Nesta última segunda-feira (14), participei de uma coletiva de imprensa, em nome da Legião dos Heróis, com Todd Garner, produtor do aguardado filme Mortal Kombat. Contando sobre os desafios do projeto e sobre o empenho dos atores nas sequências de luta, Garner aproveitou o momento para explicar algo que todos os fãs tem questionado desde que a sinopse foi divulgada: Qual o motivo de introduzir Cole Young (Lewis Tan) um personagem criado exclusivamente para o filme? 

Cole Young, o guia do público

Reforçando que o filme não tira inspiração de nenhum jogo específico da franquia Mortal Kombat, Garner afirma que o processo criativo do projeto envolveu olhar todo o universo de MK. “Nós olhamos para ele como um todo, tentando entender como nós podemos começar algo que pode ser maior do que um único filme.”  

Mas para isso acontecer, será preciso superar a “maldição dos games” que assombra as adaptações cinematográficas. Segundo ele, a receita para o fracasso está presente em um elemento muito básico dos jogos: Nenhum filme jamais trará ao público a sensação de controlar e ser aquele personagem que é jogado. “Eu acho que as pessoas amam os personagens como uma extensão delas mesmas. Todo mundo tem o seu favorito. Todos esses personagens pelos quais as pessoas se apaixonaram, e que colocaram tanto de si mesmas neles.” Por conta disso, ele sabe que muitas pessoas ficarão frustradas por não verem os seus Kombatentes favoritos no longa, mas Garner garante que o plano é construir uma franquia que permitirá que todos os personagens acabem aparecendo no futuro. 

Cole Young, o novo herói de Mortal Kombat

E é ai que entra Cole Young. Nas palavras do próprio produtor, ele não é o protagonista do filme, mas sua presença é essencial para que a franquia tenha a chance de dar certo: 

“Ele é alguém que poderia introduzir o público para o filme. Afinal, nem todo mundo que vai assistir ao filme é um fã hardcore da franquia que sabe tudo sobre Mortal Kombat,” explica. “Nós estávamos pensando sobre qual seria a melhor forma de trazer o público para o filme, e não havia um personagem [dos jogos] que parecia natural que eles ficassem sentados ouvindo as regras e ser guiado por esse mundo.” 

Por conta de todas as regras que compõem o complexo universo de Mortal Kombat, algumas coisas precisaram ficar de fora, para que tudo parecesse mais orgânico e natural. E Cole se torna o próprio público que não domina todos esses detalhes de MK. “Nós decidimos que a melhor forma de fazer isso era criar esse personagem que seria o próprio público. Ele chegaria nesse filme e conheceria todos os personagens que você ama”. 

Mesmo assim, ele está bem ciente da resistência que alguns fãs estão tendo com a presença de Cole no filme. Todd reforça que, para que todas as histórias incríveis que estão presentes em Mortal Kombat sejam contadas, era preciso começar com uma base bem estabelecida e o novo personagem é essencial para isso. “Obviamente os fãs de Mortal Kombat estão acostumados com personagens novos sendo criados, existem personagens novos surgindo em todos os jogos. Então eles podem nos autorizar a criar um personagem novo e então satisfazer tudo que os fãs querem?,” questiona. “Não teria como fazer nada disso sem um personagem que conectasse tudo.” 

Lutadores de verdade 

Para Garner, o principal aspecto dos jogos que precisava ser bem trabalhado no filme eram as cenas de luta. E o desafio era garantir que elas fossem autênticas e realistas, sem que parecesse que os atores estavam voando em cabos ou fingindo os golpes. Por sorte, todas as pessoas escaladas para o filme foi treinada pra isso. “Eu ficava impressionado todos os dias. Cada pessoa do nosso filme sabe lutar, e eles fizeram um treinamento intenso de lutas.” 

Sem esconder seu orgulho pelo empenho dos atores, o produtor conta que vários atores dispensaram o uso de dublês, como Lewis Tan, Ludi Lin (Liu Kang) e Joe Taslim (Sub-Zero), fazendo todas as sequências de ação sozinhos. E um dos destaques mencionados por Garner foi Max Huang, o Kung Lao, que executou um giro quíntuplo no ar, sem precisar de cabos, ficando feliz por poder incluir esse movimento que ele havia treinado no projeto. “Você vê as pessoas no nosso filme e as verá lutando de verdade. É isso que queremos no nosso filme.”  

Fantasia pé no chão 

Liu Kang (Ludi Lin) e Kung Lao (Max Huang)

Ainda segundo Todd Garner, o filme tenta trazer uma visão mais “pé no chão” e realista de tudo. E isso pode ser visto nos trajes utilizados pelos Kombatentes. Ciente de que muitas pessoas criticaram a máscara mais folgada de Sub-Zero e Scorpion, ele explica que isso foi necessário. “Quando você usa um capacete ele fica um pouco largo. Quando alguém está tentando acertar seu rosto com uma espada, você precisa de um pouco de distância,” afirma.

Outra preocupação era garantir que os atores conseguissem se movimentar e lutar sem dificuldades. Diferente de mídias digitais, um live-action demanda outros tipos de adaptações. Nos testes de figurino, quando um ator tinha dificuldade para executar seus movimentos, tudo era repensado:

“A gente tinha que pensar nessas coisas. Em como eles eram retratados nos jogos, as vezes só para causar algum efeito, e como a gente poderia pegar isso e se certificar que o espírito daquilo estaria presente, mas sem que necessariamente ser completamente fiel aos detalhes. Você tem que ser fiel ao jogo e ao material original, mas também prático em termos de ‘O que realmente aconteceria se alguém tentasse chutar sua cara?’ Então nós fizemos isso e, na prática, fazia sentido.” 

A morte não é o fim 

Mileena (Sisi Stringer) foi vista recebendo um golpe mortal no trailer

Respondendo a uma pergunta da Legião dos Heróis, Garner falou sobre o desafio de equilibrar as mortes dos personagens no filme: “Bem, é Mortal Kombat, as pessoas vão morrer. Mas nos jogos, o que é ótimo é que quando as pessoas morrem, você pode voltar e jogar com outros personagens. Nós estamos cientes disso, e de toda a história de Mortal Kombat e como os personagens mudaram e evoluíram, e, sabe, é como o jogo diz: A morte é apenas um portal.”

Segundo ele, a maneira como os combates funcionam nos jogos foi considerado. Por isso, houve uma grande preocupação no que diz respeito às Fatalities. “Nós queremos garantir que todas as fatalities do filme serão conquistas e merecidas, e que elas serão incríveis, algo que os fãs entenderão e irão apreciar.” Porém, a morte de um Kombatente não significa que esse é o fim de sua história. “Se você amava jogar com um personagem e ele sofre uma fatality nesse filme, isso não significa que ele morreu para sempre.” 

De fã pra fã 

Mas para Garner, o que mais o animou com a ideia do filme, foi poder utilizar todos os personagens deste universo gigantesco. Cercado por possibilidades quase infinitas, o produtor ressalta que seu papel sempre foi preparar as coisas para uma possível franquia de filmes. “Eu tento ver isso como algo maior que um único filme. Então, Simon McQuoid é o diretor desse filme, e ele fez um ótimo trabalho com esse filme. O meu trabalho, como produtor trabalhando com a Warner e New Line é pensar: Como eu crio algo com todas essas pessoas incríveis que talvez possam viver para sempre?” E essa pergunta abre inúmeras portas para as várias histórias presentes nos jogos de Mortal Kombat. “É isso que me anima. Ser capaz de usar todos esses tipos de tons e ideias e dar a cada um desses personagens o amor e respeito que eles merecem.”

Mortal Kombat tem o lançamento marcado para 16 de abril.

Confira tudo que você precisa notar no trailer de Mortal Kombat:

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"