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Mortal Kombat: Diretor diz como eles tentaram escapar da “maldição dos jogos”

Por Cristiano Rantin

Nesta segunda-feira (14), participei de uma coletiva de imprensa, em nome da Legião dos Heróis, com Simon McQuoid o diretor do aguardado filme de Mortal Kombat. Falando sobre os desafios de tentar escapar da maldição dos games, o cineasta reforçou o seu profundo respeito pelos jogos e pelos fãs, deixando claro que sua preocupação sempre foi entregar uma obra que honrasse o DNA da franquia. 

Ao falar sobre dificuldade de adaptar um jogo para as telas, Simon confessa que não sabe se eles conseguiram ter sucesso nessa empreitada, afinal, de nada adiantaria ele se sentir um expert no assunto se os fãs odiassem o que foi feito. “Eu meio que quero que o filme saia e então as pessoas digam se nós tivemos sucesso ou não,” disse. 

No entanto, o diretor demonstra que o processo de pré-produção foi bastante cuidadoso. “O que muita gente faz é não respeitar o material original, eu vejo isso se repetindo diversas vezes. Algumas pessoas que acham que, já que você vai fazer um filme sobre isso, você pode fazer o que quiser. Você não pode. Se for pra fazer isso é melhor criar algo original, porque do contrário você só vai estar irritando os fãs”. 

Para ele, a primeira coisa a ser feita é respeitar o material original e tratá-lo com seriedade. No entanto, o diretor ressalta que um erro cometido por outros cineastas envolve tentar copiar as estruturas dos games para o cinema. “Você não faz isso. Você precisa utilizar as estruturas dos filmes, de como contar uma história em um filme. Essas são as duas coisas fundamentais”.

Escapando da maldição dos jogos

Jax e Sub-Zero no trailer de Mortal Kombat

No entanto, o diretor conta que ao tentar fazer um filme baseado em jogo ser um sucesso, ele não encarou essa história como vinda de um game. “O que eu ficava dizendo para as pessoas era ‘imagine que existe uma série de livros. Imagine que a primeira coisa que surgiu desse universo foram livros. E desses livros alguém fez um jogo, alguém fez uma HQ, alguém fez outra coisa…’ O que eu estava tentando fazer era evitar que a gente caísse em uma armadilha, como aconteceu em outros filmes de jogos”. 

Para seguir a estrutura de um filme, algumas coisas dos jogos precisaram ser ignoradas, mas a principal missão da equipe envolvida no projeto sempre foi decidir o que manter no filme. “O processo era se perguntar qual é o DNA crucial de Mortal Kombat que nós temos que ter nos filmes,” conta McQuoid. “Nós passamos muito tempo estudando o que realmente importava para Mortal Kombat”. 

Depois de definir isso, Simon conta que foi necessário um longo processo para o preparo de cada visual dos Kombatentes. “Isso foi um processo muito longo, onde passamos muito tempo pensando em cada uniforme,” disse. “Tinha que ser algo novo, mas também tinha que ser o que as pessoas amam sobre Mortal Kombat e esses personagens”.  A máscara do Sub-Zero, por exemplo, foi modificada inúmeras vezes, até mesmo depois da equipe acreditar que finalmente tinham encontrado a versão perfeita. “Simplesmente não tinha funcionado. Não parecia o Sub-Zero, não parecia poderoso”. E então o processo de criação foi repetido até encontrarem uma versão que agradasse a todos. 

Finish Him!

Kano segura o coração de Reptile após uma Fatality

Outra característica essencial dos jogos é a violência extrema, um traço que chamou muita atenção no primeiro trailer do filme, que apresentou todo sangue e brutalidade que associamos com a franquia de jogos. “Nós sentimos desde o começo que nós tínhamos que respeitar o DNA de Mortal Kombat. Não fazia sentido a gente fazer isso, se nós não conseguíssemos fazer justiça a todos os elementos que fazem Mortal Kombat, e a violência é um deles,” conta McQuoid. 

Para ele, a principal questão, no entanto, não foi tanto sobre ter o gore e violência, mas sim sobre como trabalhar esse aspecto no filme permitiu trazer mais autenticidade para as cenas. Afinal, agora as lutas poderiam ter sangue e outros aspectos mais pesados, sem ter que fugir deles. O diretor reforça que há um equilíbrio no filme, nem todas as cenas de luta serão um banho de sangue, apenas quando isso fizer sentido dentro do contexto. “Realmente importava para mim que o filme fosse bonito, que tivesse uma beleza cinematográfica nele e que fosse grande e épico”. 

Famosa por suas fatalities absurdamente grotescas, o filme de Mortal Kombat finalmente trará esses elementos para o cinema em toda sua glória. Simon explica, no entanto, que a equipe envolvida no projeto não tentou inventar algo novo: “Esse não era um lugar que eu senti que eu poderia mudar algo.” Por isso, a equipe do filme trabalhou para encaixar isso no filme, adaptando essa violência extrema para o cinema. 

A morte dos Kombatentes

Elenco de personagens do filme está bem vasto

Respondendo a pergunta da Legião dos Heróis sobre como garantir que, em um filme com tantos personagens e tantas mortes — como vimos em algumas cenas do trailer — os kombatentes não fossem descartáveis, McQuoid confessa que essa é uma pergunta que o assombrou desde o início do longa: “Todos os dias eu me perguntei sobre isso. Sobre como fazer com que eles não sejam descartáveis, como dar um sentido e uma razão muito forte para eles existirem.”  

Como ele conta, esse foi um processo muito difícil, exigindo diversos ajustes ao longo da produção. “Houve momentos em que eu estava sentindo que certos personagens estavam aparecendo pouco, ou que não haviam entrado em cena havia um bom tempo, então eu trocava diálogos para manter esse equilíbrio. E até na edição e pós-produção, essa pergunta nunca saiu da minha mente. Porque no fim, Mortal Kombat é esse sucesso todo por causa dos personagens. Não é por eles usarem o K em Kombat, ou qualquer outra coisa. É por causa dos personagens.” 

Por fim, o diretor deixa claro que a preocupação deles sempre foi entregar um material que estivesse à altura da franquia de jogos: “Nossa preocupação era fazer justiça à Mortal Kombat. Nós realmente tentamos isso,” diz Simon. “Nós nos esforçamos para respeitar o original para o filme. Vamos ver se conseguimos. Estou com os dedos cruzados.”

Mortal Kombat tem o lançamento marcado para 16 de abril.

Confira tudo que você precisa notar no trailer de Mortal Kombat:

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"