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Review: Miitopia diverte como um reality show medieval que brinca de RPG

Por Gabriel Mattos

A Nintendo é conhecida por pensar fora da caixinha quando o assunto é videogame. Enquanto toda a indústria está concentrada em experiências visualmente estonteantes, a gigante japonesa prefere garantir que você se divirta. Miitopia, o mais recente exclusivo de Nintendo Switch, é um exemplo claro dessa filosofia.

Assim que o jogo foi lançado no Brasil, no dia 21 de maio, a Nintendo fez questão de enviar uma cópia para a Legião testar. Tenho me aventurado na loucura do jogo desde então e chegou a hora de compartilhar como foi viver essa aventura fantástica.

Crie sua equipe para salvar o mundo em Miitopia

Ficha Técnica

Miitopia é um RPG de turnos feito para iniciantes derivado da franquia Tomodachi Collection, conhecida por sua robusta simulação de relacionamentos bizarros. Se o nome lhe é estranho, mas ao mesmo tempo familiar, tem um motivo simples: Tomodachi Collection nunca saiu do Japão, mas sua sequência, Tomodachi Life, foi um sucesso mundial no Nintendo 3DS.

Foi no portátil tridimensional que o jogo teve sua primeira versão de mesmo nome, em 2017. Entretanto, como toda a atenção na época estava voltada para o recém-lançado Nintendo Switch, o game passou batido pelo radar da maioria das pessoas.

De volta aos holofotes com uma versão remasterizada em HD, produzido pela Grezzo, Miitopia refina a experiência anterior em sua versão definitiva no console híbrido.

Grandes personalidades podem se juntar a história com o Nintendo Switch Online, como Gil do Vigor

O que achamos de Miitopia?

A premissa do jogo é bem básica, o “feijão com arroz” das histórias de fantasia: um Lorde das Trevas quer espalhar a escuridão pelo mundo e você precisa juntar seus amigos para impedi-lo. A grande sacada é que esse “você” pode ser você mesmo ou quem você preferir. Todos os personagens do jogo são criados pelo jogador através dos adoráveis Miis.

Seria apenas fofinho se parasse por aí, mas a nova versão de Miitopia vai além e moderniza o criador de personagens arcaico da Nintendo com melhorias tão robustas que lhe permitem criar basicamente qualquer personagem já inventado. E o melhor, dá para pegar as melhores criações da comunidade graças ao Nintendo Switch online. Assim, a aventura fica realmente a sua cara.

A maior diversão do jogo vem dos absurdos que surgem das interações mais inusitadas possíveis. Já imaginou o Gil do Vigor como um mago? Ou o Miles Morales como um plebeu apaixonado por uma princesa? Eu me diverti bastante recriando colegas da equipe da Legião e só assistindo eles interagirem. Rolou muita coisa engraçada.

Recriar seus amigos resulta em interações hilárias

Assim como em Tomodachi Life, a comédia surge de uma experiência muito semelhante a um reality show. Você cria os personagens, escolhe suas personalidades, mas não consegue interferir diretamente em como eles vão reagir ou nas situações que podem rolar. Você apenas observa e se diverte. O resultado, quase sempre, é surpreendente e hilário.

Quais os problemas de Miitopia?

Mas, como sua maior inspiração foi bastante criticada exatamente por não providenciar ao jogador muitas formas de interagir com o jogo, Miitopia se esforçou para resolver esse problema transformando a estrutura do jogo em um grande RPG de turnos.

Há um grande mapa com fases genéricas habitadas por uma porção modesta de monstros não muito poderosos e uma história não muito elaborada a se seguir. Entende qual é o problema? Para desviar das críticas, Miitopia faz o mínimo para se passar por um RPG, mas ao simplificar ao máximo para jogadores casuais, acaba entregando uma experiência seca e sem brilho.

Na hora dos combates, é como qualquer outro RPG, apesar do sistema de classes trazer surpresas interessantes.

Batalhas perdem o brilho com sistema simplório

Consciente da mediocridade de suas mecânicas de RPG, é possível acelerar a exploração automática e ordenar que o seu personagem batalhe automaticamente nos combates. Basicamente, o jogo se torna um idle game mobile, como AFK Arena, e retorna a experiência passiva que fez tanto sucesso em seu antecessor.

Por precisar dividir a sua atenção entre os segmentos de RPG e de reality show, infelizmente as interações orgânicas não apresentam a profundidade ou criatividade que se espera de jogos da franquia. Você ainda vai se divertir, mas nunca chegará ao nível de sonhar com o Reggie gigante atacando uma praia. No máximo, será um cavalo falante. Engraçado? Sim, mas bem modesto.

Assim, diferente de Tomodachi Life, o jogo não demora a ficar repetitivo e enjoativo. A história toma uns rumos para chacoalhar a experiência, o que até funciona a princípio, mas não dura muito. Logo retornamos ao marasmo de antes. 

Tire a palhaçada e fica mais do mesmo…

Nota

No fim do dia, Miitopia é o tipo de jogo ideal quando você só quer relaxar, se divertir um pouco e passar o tempo, sem grandes preocupações ou desafios. Quando a vida já é complicada o suficiente, às vezes pode ser interessante parar e observar um mundo onde os problemas se resolvem sozinhos uma vez na vida.

Tem o seu valor, com certeza, mas a decisão de transformar essa experiência passiva em um RPG não dá para ser defendida. Miitopia brilha quando se aproxima das suas raízes como um grande reality show digital e tropeça quando pede aplausos por fazer o mínimo como um RPG de turnos.

Por esse motivo, Miitopia leva 3.5 estrelas da Legião. Se você decidir comprar, você vai se divertir com certeza. A minha única dica é jogar aos poucos para a natureza repetitiva do jogo não te afetar tanto. Já escolha os amigos que irão te acompanhar nessa aventura e boa sorte!

Nota: 3.5/5

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sobre o autor Gabriel Mattos

Redator que joga mais Switch do que deveria e já leu todo o novo cânone de Star Wars, até os livros ruins. • @gabeverse