Como surgiu cada máscara dos grandes vilões de filmes de terror?

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Como surgiu cada máscara dos grandes vilões de filmes de terror?

Por Arthur Eloi

Dia das Bruxas (ou Halloween) é a celebração ideal para os amantes de filmes de terror. Mesmo que a data não seja oficialmente reconhecida no Brasil, é a desculpa perfeita para frequentar festas a fantasia, vestido como seus personagens favoritos do horror.

Geralmente, os mais marcantes são justamente os assassinos como Michael Myers ou Jason Vorhees, que cometem todo tipo de atrocidade nas telonas usando algum tipo de traje ou máscara altamente reconhecíveis.

Quer saber de onde surgiram as grandes máscaras de assassinos do cinema? Confira mais sobre a origem dos figurinos abaixo!

Jason Voorhees (Sexta-Feira 13)

O maníaco de Sexta-Feira 13 é impiedoso, gigantesco e praticamente imortal. Ao longo da franquia, ele ficou marcado por assassinar jovens cheios de hormônios das formas mais inventivas o possível, usando uma máscara de goleiro de hóquei.

Essa peça tão fundamental do vestuário do serial killer só surgiu a partir de Sexta-Feira 13: Parte III (1982), já que no filme anterior ele usava um saco na cabeça. Mesmo assim, a máscara virou sinônimo de Jason Voorhees, que a usa para esconder seu rosto deformado.

A mudança estava prevista no roteiro, que pedia por uma troca de acessório, mas a produção não fazia ideia do que colocar no lugar. Por sorte, Martin Jay Sadoff, supervisor de efeitos 3D do filme, era um grande fã de hóquei, e tinha com ele uma máscara de goleiro. Como um grande improviso, uma cena foi colocada no filme em que Jason troca o seu saco de pano pela máscara, e assim nasceu um dos vilões mais memoráveis do horror.

Michael Myers (Halloween)

Halloween (1978), clássico de John Carpenter, é o grande responsável por popularizar os slashers nos Estados Unidos, e seu excelente vilão tem papel importante nesse sucesso. No roteiro e nos créditos do longa, Michael Myers é chamado apenas de The Shape (ou A Forma, em tradução livre), e a ideia é justamente que o maníaco fosse alguém frio e inexpressivo.

Em uma bela solução de baixo orçamento, a produção do filme foi em uma loja de fantasias e comprou uma máscara de borracha do Capitão Kirk, o personagem de William Shatner na série clássica de Star Trek. Para chegar nesse aspecto fantasmagórico, foi preciso remover as costeletas, pintar a máscara de branco, e abrir mais o buraco dos olhos.

Assim como Jason, a justificativa para Myers usá-la no filme não é nada mirabolante. Há uma relação entre o maníaco e máscaras, algo muito explorado no remake de Rob Zombie, mas no original, Michael Myers simplesmente rouba equipamentos de uma loja, e acaba levando a icônica máscara junto.

Leatherface (O Massacre da Serra Elétrica)

Halloween e Sexta-Feira 13 tem máscaras icônicas, mas ambas foram apenas encontradas pelos maníacos por acaso. Em O Massacre da Serra Elétrica, a coisa é diferente: Bubba Sawyer, popularmente conhecido como Leatherface, tem esse apelido por trajar uma máscara feita a partir de pele humana.

A inspiração para isso surgiu do passado do diretor Tobe Hooper. Não que ele tenha assassinado e vestido a pele de alguém, claro, mas o cineasta era amigo de um médico não-identificado que jurava já ter roubado pele humana de um necrotério para fazer uma máscara para o Dia das Bruxas. Hooper apenas juntou essa anedota pessoal com a leve inspiração no serial killer Ed Gein para criar a família de canibais que atormenta jovens no interior dos Estados Unidos. Como toque final para a maldade, o filho mais novo – e mais agressivo – também veste a pele de suas vítimas.

Ghostface (Pânico)

Sabe como grandes assassinos do cinema costumam apenas encontrar suas icônicas máscaras por aí dentro dos filmes? Em um exercício acidental (e maravilhoso) de metalinguagem, a produção de Pânico acabou fazendo o mesmo na vida real. Ao invés de confeccionar o visual do maníaco – ou maníacos – Ghostface, a equipe do diretor Wes Craven simplesmente comprou uma fantasia pronta.

A máscara foi criada em 1991 por uma moça chamada Brigitte Sleiertin, funcionária de uma empresa de decorações e itens festivos chamada Fun World. Antes de ir para as telonas, o kit de fantasia era chamado de “Fantasma com Olhos de Amendoim”, fazendo alusão ao formato dos olhos da máscara. O kit era parte de uma linha maior de máscaras chamada Fantastic Faces.

O filme só chegou aos cinemas em 1996, e não há explicação para a origem da fantasia dentro da franquia, além de também ser um item que possa ser encontrado nas lojas daquele universo. A máscara de Ghostface se tornou um verdadeiro fenômeno do Dia das Bruxas, especialmente por ser bastante simples de ser produzida e vendida a preços acessíveis no mundo todo. O design assustador dela é tão marcante que até gerou brigas quando a série de TV de Pânico decidiu mudar para uma versão modernizada, apenas para retomar a clássica na terceira temporada.

A Fun World, por sua vez, segue na ativa e vende as versões mais detalhadas e fiéis ao filme dos trajes do Ghostface – dessa vez, com o nome que foi consagrado nas telonas.

Porco (Jogos Mortais)

Quando se pensa em Jogos Mortais, se pensa em Billy, o fantoche usado pelo maníaco Jigsaw para apresentar as regras das armadilhas letais. Porém, Jigsaw nada mais é do que um senhor amargurado com a vida. Para sequestrar suas vítimas e colocá-las nos jogos, ele conta com a ajuda de assistentes, que trajam uma fantasia específica: roupão preto e vermelho, com uma máscara de porco.

Em Jogos Mortais 5 (2008), é revelado que a escolha é simbólica para Jigsaw, já que ele veste uma máscara de porco para perseguir e atacar sua primeira vítima, durante um festival de Ano Novo Chinês que celebrava a chegada do Ano do Porco. Já por trás das câmeras, os criadores James Wan e Leigh Whannel queriam que o assassino usasse uma máscara marcante, e a figura de um porco apodrecido servia como uma metáfora para a visão de mundo de Jigsaw, que acreditava na decadência e podridão da humanidade.

Na real, o resultado não agradou nenhum dos criadores, ainda que tenham enfeitado a máscara de borracha com cabelo e pus pingando dos olhos. Para a infelicidade da dupla, o Porco se tornou uma das marcas registradas de Jogos Mortais, ao ponto de que até foi escolhido como o representante da franquia em um crossover com o game Dead By Daylight, onde é um assassino jogável.

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117