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Loki 1×02: A Variante

Por Gus Fiaux

Atenção: Alerta de Spoilers!

Quando Loki estreou na semana passada, os fãs começaram a fazer suas teorias e especulações sobre o que iria acontecer ao longo da produção. E uma coisa era certa para muitos: ele seria o responsável por quebrar a Linha Temporal Sagrada, dando início a um novo Multiverso livre do domínio da Agência de Variação Temporal e dos Guardiões do Tempo. Pois bem… só não sabíamos que isso iria acontecer tão rápido.

O segundo episódio foi ao ar nesta quarta-feira (16), trazendo revelações e, inclusive, apresentando a “vilã” principal da série – será que é mesmo? -, porém, o que chama mais a atenção aqui é a iniciativa de produzir algo realmente diferente do que estamos acostumados a ver no Universo Cinematográfico da Marvel – e, dessa vez, esperamos que a promessa seja cumprida até o fim!

Não que Falcão e o Soldado InvernalWandaVision não tivessem sua cota de inovações para a estrutura de narrativa do MCU, mas temos que concordar que os últimos episódios de ambas as séries se prendem demais ao que era esperado delas – ou seja, as épicas cenas de ação, o confronto com os vilões e a resolução bonitinha para acabar com os problemas e dar início a um novo capítulo na vida dos heróis.

Loki, por outro lado, não tem motivos para se prender à “Fórmula Marvel”. Na verdade, seria até bem emblemático caso fugisse completamente à regra, já que o próprio protagonista está em uma jornada pessoal para se ver livre das amarras do destino e de todas as convenções que esperam dele. Seria, no mínimo, impactante ver a série fazendo jus à sua história dentro de sua própria estrutura, entregando um final surpreendente.

Por isso, já fico bem feliz com a decisão de jogar tudo para o alto e implodir as ramificações temporais já nesse episódio. Isso abre espaço para que toda a série possa lidar com as consequências, em vez de deixar um cliffhanger safado que só seria respondido posteriormente em filmes como Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Ao abrir a porteira do Multiverso, Loki já dá um primeiro passo em direção à jornada mais ousada de sua vida.

Aliás, gosto de como todo o episódio é um grande preparativo para seu final. Toda a primeira metade é expositiva e serve para dar um contexto de como funciona a Agência de Variação do Tempo, especialmente nas missões de campo. É o jeito certo de preparar o terreno para a revelação que está por vir, desde a abertura que apresenta novos soldados atacados pela misteriosa Variante.

E, assim como no primeiro episódio, as cenas de ação são o menor dos atrativos. Loki fica mais forte e mais séria ao explorar o carisma incomparável de Tom Hiddleston – especialmente nesse episódio, o ator demonstra todos os motivos que fizeram os fãs se apaixonarem com sua interpretação do personagem, sobretudo pela lábia perversa e a quebra cômica que é muito bem encaixada.

Mais do que isso, a força da série está em suas discussões e ideias. Os momentos em que o Deus da Trapaça está conversando com Mobius M. Mobius e até mesmo a discussão entre Mobius e Ravonna Renslayer são grandes exemplos de como dá para desenvolver personagens e manter o público entretido através de simples diálogos. É aqui que podemos ver a força do roteiro de Elissa Karasik e como Michael Waldron é um ótimo showrunner.

Um dos momentos mais tocantes é quando o próprio Loki questiona Mobius sobre livre-arbítrio e não encontra as respostas que gostaria, já que o agente da AVT tenta enrolar o Deus da Trapaça com um discurso mequetrefe. É mais uma prova de como a série está disposta a partir para cima desse tema sem ter medo de desenvolvê-lo – algo que vai ser ainda mais presente nos próximos episódios.

E a revelação da Variante é outra coisa sensacional. Embora muitos já tivessem especulado certeiramente, ela nos surpreende com um carisma e um jeito flexível que rivalizam com o de Hiddleston. Em particular, gosto muito das inflexões em suas falas e diálogos e como ela tem essa aura capciosa, como se sempre fosse esfaquear alguém a qualquer momento. Porém, acho que é cedo demais para começar a chamá-la de Lady Loki.

Nos créditos de dublagem da Espanha, a personagem é chamada de Sylvie. E para quem não sabe, existe uma vilã dos quadrinhos chamada Sylvie Lushton que era uma garota normal até ganhar poderes concedidos por Loki. Assim, ela se transforma na nova Encantor e se junta aos Jovens Mestres do Terror. Talvez, essa seja uma pequena – e importante – pista da verdadeira identidade dessa vilã.

A minha teoria é que ela não é uma Loki – e isso abre a possibilidade para que vejamos, de fato, uma Lady Loki na série ou no MCU em algum momento. Na verdade, acredito que ela pode estar sendo controlada, manipulada ou até mesmo ter sido enviada pelo verdadeiro vilão da série (que, nada me tira da cabeça, é o Loki mais velho interpretado por Richard E. Grant, que já foi confirmado mas cujo papel ainda não foi divulgado).

Claro que isso só deve ser melhor explorado ao longo dos próximos episódios e, para ser honesto, acho que estamos prestes a entrar num campo minado de plot twists e reviravoltas – afinal de contas, é uma série do Deus da Trapaça. Faz todo sentido do mundo que o AVT esteja enganando Loki, a Variante esteja enganando o AVT e Loki esteja enganando todo mundo.

No geral, o segundo episódio consegue surpreender e trazer ainda mais força que o primeiro. É um capítulo muito bem dirigido por Kate Herron, com toda a sequência no mercado da Roxxcart sendo um destaque, inserindo uma tensão e um clima de suspense que não se espera da Marvel Studios. Muito ansioso para os próximos episódios, já que Loki, finalmente, tem uma página em branco na qual pode começar a escrever sua própria vida.

Loki está disponível no Disney+. Caso ainda não tenha assinado o streaming, você pode fazer isso aqui.

Abaixo, veja também os easter-eggs e referências no segundo episódio:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux