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Loki: Como a série pode ter dado início às Incursões e às Guerras Secretas da Marvel

Por Gus Fiaux

Ainda que não tenha sido uma unanimidade completa entre os fãs, Loki talvez seja a produção mais importante de todo o Universo Cinematográfico da Marvel, ao menos quando levamos em conta a relevância de seus eventos para o que está por vir nos próximos filmes e séries da franquia. O último episódio da primeira temporada terminou com uma grande explosão, conforme o Multiverso foi reaberto de uma vez por todas… e as repercussões disso serão no mínimo impactantes.

Nos próximos meses, teremos várias produções que vão lidar diretamente com as ramificações da linha temporal, a exemplo de What If…?Homem-Aranha: Sem Volta para Casa e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Porém, conhecendo a Marvel Studios como nós já conhecemos bem, é muito provável que tudo isso seja apenas a pontinha do iceberg, e o que está por vir adiante pode ser ainda mais grandioso. Por isso, aqui explicamos como Loki pode ter dado o pontapé inicial em uma adaptação das Guerras Secretas!

A inclusão de Kang, o Conquistador

Como um todo, Loki apresentou diversos conceitos importantes para o Universo Cinematográfico da Marvel. Já de início, conhecemos a Agência de Variação Temporal (AVT), uma organização dedicada a cuidar, de modo bem meticuloso, da Linha Temporal Sagrada. Basicamente, o que descobrimos é que o Multiverso, há muito tempo, foi unificado por uma figura misteriosa (que muitos acreditavam ser os Guardiões do Tempo), resultando em um único universo linear.

Eventualmente, descobrimos que a figura misteriosa por trás disso tudo é Aquele Que Permanece (interpretado por Jonathan Majors). E de acordo com as explicações do final do episódio e com as notícias do que ainda está por vir, o personagem nada mais é que uma variante de Kang, o Conquistador, um dos maiores vilões da Marvel nas HQs.

Conhecido por ser um grande viajante temporal, Kang já dominou períodos inteiros da história e possui suas várias versões localizadas em diferentes pontos de sua vida – por exemplo, antes de se tornar um vilão, Kang era o Rapaz de Ferro, um herói idealista e sonhador; e depois que se tornou o Conquistador, assumiu o título de Immortus, o grande sábio que até ajudava os heróis de vez em quando, mas tinha seus próprios planos sinistros para o futuro.

Kang definitivamente está sendo construído como o próximo grande vilão da Marvel. O personagem ainda não foi apresentado oficialmente em Loki (tendo em vista que só vimos Aquele Que Permanece), mas levando em conta que a série terá uma segunda temporada, o gancho do final deixa claro que o Deus da Trapaça terá que enfrentar alguma figura bem poderosa em sua próxima aventura – e muito provavelmente será essa versão do Conquistador.

Além disso, ele ainda vai aparecer em Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania, o terceiro longa dos heróis diminutos da Casa das Ideias. Faz sentido imaginar que toda essa construção eventualmente fará com que ele seja o grande vilão de todo o MCU, cumprindo um papel bem similar ao que Thanos cumpriu nas três primeiras fases da franquia, culminando em Guerra Infinita Ultimato.

O Multiverso se (des)alinha

Como já falamos, a Linha Temporal Sagrada era composta por uma única realidade unificada, de modo que qualquer desvio no fluxo natural do tempo era visto com maus olhos pela AVT (exceto as viagens temporais de Vingadores: Ultimato, já que isso de alguma forma servia aos propósitos da organização). Esses “desvios” eram chamados pelos membros da AVT de “Eventos Nexus” e precisavam ser “podados”, para não correr o risco disso se tornar um novo universo (ou linha temporal, se preferir) à parte.

Esse conceito de Multiverso é bem comum nos quadrinhos da Marvel. Lá, basicamente todos os universos derivam de um único ponto em comum, formando um feixe de realidades paralelas. Os “Eventos Nexus” nada mais são do que pontos em que essas realidades se bifurcam em novas, criando um ou mais universos diferentes. Pegando um exemplo bem esdrúxulo, imaginemos que no universo padrão, Steve Rogers se tornou o Capitão América. Pode haver um ou mais universos em que o soro do supersoldado foi roubado antes de ser injetado em Steve, e isso criou realidades onde ele nunca se tornou o Sentinela da Liberdade.

Agora, Loki nos mostrou que o Multiverso está desalinhado de uma vez por todas. Se, desde quando conhecíamos o MCU, tínhamos uma única linha temporal, sem a inclusão de universos alternativos (já que isso era constantemente corrigido pela AVT, sempre que um Evento Nexus se formava), agora temos diversas realidades que coexistem entre si, criando uma verdadeira miríade de mundos onde as histórias que conhecemos podem ter acontecido de forma bem diferente.

Por exemplo, é possível que em algum desses mundos, Tony Stark nunca tenha se ferido no Afeganistão, e portanto nunca tenha se tornado o Homem de Ferro. Ou então uma realidade onde a Viúva Negra nunca se sacrificou em Ultimato e está viva até hoje. Ou até mesmo uma realidade onde os Vingadores nunca conseguiram vencer Ultron – o grande vilão do segundo filme da equipe. Para entender um pouco mais como o Multiverso funciona, teremos a série animada What If…?, que vai explorar várias dessas terras alternativas.

Incursões e Guerra Multiversal

Pois bem, a chegada de um Multiverso é exatamente o que precisamos para colocar uma cadeia de eventos em ação caso ainda tenhamos uma adaptação das Guerras Secretas nos cinemas. E para isso, é importante explicar um pouco do conceito das Incursões: Basicamente, uma incursão acontece quando duas Terras (sim, o planeta) de duas realidades diferentes colidem, destruindo de vez o universo em que elas estão inseridas.

Nesse caso, só há duas alternativas: Ou uma das Terras é destruída (junto com todo seu universo) ou então as duas são (junto com os dois universos às quais pertencem). Isso acontece quando há um desequilíbrio nítido nas linhas do tempo e no Multiverso amplo – e as consequências são bem severas para todos os envolvidos: nas HQs, os próprios Vingadores precisam passar por esse dilema: destruir outro Planeta Terra e dizimar sua população ou salvar o seu próprio planeta?

Mas o que poderia causar esse desequilíbrio nas linhas temporais dentro do Universo Cinematográfico da Marvel? A resposta é simples e está contida na própria série do Loki: As várias Variantes de Kang, o Conquistador sempre estiveram em pé de guerra e lutaram entre si, criando uma verdadeira guerra entre seus universos. Foi isso que fez com que Aquele Que Permanece tivesse criado sua própria “Linha Temporal Sagrada”, para evitar o completo colapso desses vários universos.

Assim sendo, basta que as guerras entre as versões distintas de Kang criem um efeito cascata com repercussões bem tenebrosas, com a quebra das realidades e o começo das Incursões. Esse evento seria um pouco diferente do que é retratado nos quadrinhos que levariam às Guerras Secretas, mas eu particularmente tenho a teoria de que a Casa das Ideias pode adaptar a saga de uma forma bem diferente do que estamos acostumados…

Guerras Secretas a caminho?

Publicada em 2015, Guerras Secretas foi a última saga verdadeiramente grandiosa de todo o Universo Marvel das HQs. Ela concluiu um arco estabelecido há vários anos nas revistas dos Vingadores e dos Novos Vingadores (ambas escritas por Jonathan Hickman, que também assumiu o controle da mega-saga). Nela, as incursões dizimam todas as realidades e somente duas restam: o Universo-616 (a linha temporal principal da Marvel) e o Universo-1610 (mais conhecido como o Universo Ultimate).

Eventualmente, essas duas terras colidem e temos o fim do Multiverso, mas algo resta no lugar. O Doutor Destino passa a coletar vários “pedaços” de cada uma das Terras destruídas do Multiverso, criando um novo mundo chamado de Mundo Bélico. Esse planeta é composto por grandes territórios vindos de cada uma dessas Terras, com versões diferentes dos mesmos personagens – basicamente, imagine que vários universos foram coletados em um único lugar – que toma a forma do Planeta Terra.

Esse novo universo é governado com punhos de aço por Victor Von Doom, mas uma comitiva de heróis e vilões que sobreviveram ao choque final entre o Universo-616 e o Universo-1610 conseguem desembarcar no Mundo Bélico – causando uma verdadeira rebelião e eventualmente destronando Victor Von Doom. Ao fim da saga, os membros do Quarteto Fantástico se juntam ao Homem Molecular e começam a recriar os universos que foram destruídos, reestabelecendo o equilíbrio do Multiverso.

É possível que a Marvel adapte a saga (os próprios Irmãos Russo já disseram ter interesse em fazer isso). Contudo, com a grande ameaça de Kang a caminho, eu não duvidaria nada se, em vez de Destino, o grande vilão da adaptação fosse o próprio Conquistador. Em vez de Victor Von Doom criando seu próprio mundo a partir de destroços, quem faria isso seria Kang – e não é muito difícil imaginar o motivo.

Nos quadrinhos, Kang já moldou um território inteiro composto por “pedaços” que ele retirou de diferentes períodos temporais. Essa cidade ficou conhecida como Cronópolis, e é onde funciona a base de operações do personagem. No cinema, seria fácil ver isso funcionando de uma maneira similar, de modo que os heróis precisem deter o vilão e restituir cada fragmento ao seu devido universo.

Por conta disso, Loki pode ter dado todo o pontapé inicial a esse grande evento, seja por apresentar o conceito do Multiverso ou por deixar o gostinho de “vem aí” para a chegada de Kang. Com sorte, esse será um grande projeto que vai durar várias fases no Universo Cinematográfico da Marvel, assim como foi a Saga do Infinito e a busca pelas Joias do Infinito.

Loki está disponível no Disney+ e deve retornar para uma segunda temporada.

Abaixo, veja o que esperar da segunda temporada da série do Deus da Trapaça:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux