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Crítica: Loki termina como uma etapa importante do Universo Cinematográfico da Marvel

Por Camila Sousa

É curioso pensar como começa um fenômeno da cultura pop. Inicialmente, Tom Hiddleston fez teste para interpretar Thor no primeiro filme do Deus do Trovão, mas acabou com o papel de Loki, Deus da Trapaça e meio-irmão do protagonista. O sucesso do personagem foi tão grande, que ele conquistou cada vez mais espaço no estúdio, se tornando o principal vilão do primeiro filme dos Vingadores e construindo um arco de redenção em Thor: Ragnarok. Exatamente por isso, não foi surpresa quando o Marvel Studios anunciou uma série solo do Loki. O que surpreendeu, na verdade, é o quanto ela é importante para a nova fase do estúdio.

A trama de Loki era uma incógnita durante um longo tempo, já que o personagem que passou por todo o processo citado acima foi morto por Thanos e a ideia da produção era acompanhar outro Loki, aquele de Vingadores 1 que conseguiu escapar com o Tesseract. E já no episódio de estreia a série deixou claro que tinha muitas coisas para explicar, apresentando ao público conceitos como a AVT, a Linha do Tempo Sagrada e os Guardiões do Tempo. Sem ter passado por seu arco de redenção no MCU, este Loki estava mais apegado aos truques do passado e, pela primeira vez, parecia perdido sobre o que fazer.

Curiosamente, isso espelha o ritmo da série, de longe o problema que merece mais destaque. A história de Loki é boa, porém mal distribuída, com episódios que deixam os fãs com gosto de quero mais, e outros em que praticamente nada acontece. Claro, há um valor na contemplação e é interessante ver o MCU ter mais tempo para desenvolver certas histórias. A questão é que, assim como este Loki, a Marvel parece perdida sobre a quantidade de coisas que precisa explicar, a complexidade delas e o tempo necessário para isso – mais irônico com o tema da série, impossível. Vale ressaltar que este não é um problema exclusivo de Loki, já que a Marvel pecou também em suas duas outras séries produzidas para o Disney+. A diferença é que, a cada nova série lançada, esse problema fica mais evidente.

Apesar desse grande tropeço, que algumas vezes até atrapalha a experiência do espectador, Loki tem um papel fundamental para o futuro do MCU ao falar sobre Linha do Tempo, Variantes e Multiverso. Se WandaVision foi responsável por estabelecer a Feiticeira Escarlate e Falcão e o Soldado Invernal entregou o novo Capitão América, o mérito de Loki não está apenas no personagem em si, mas em toda a jornada, que termina com um evento catártico, que pode ter efeitos desde a animação What If…?, até a apresentação dos mutantes no MCU. Infelizmente, isso também não é bem resolvido, já que é incrível ver a expansão da Marvel, ao mesmo tempo que o próprio Loki parece ter menos importância dentro de sua série.

Loki e Sylvie no finale de Loki

O que diminui essa sensação é a boa atuação de todo o elenco, que evita que Loki (nenhum deles) fique muito tempo em segundo plano. Veterano no papel, Hiddleston encontra alguns momentos para explorar mais facetas do Deus da Trapaça, algo que dificilmente teria tempo de tela no cinema. Sophia Di Martino convence como Sylvie desde sua primeira cena, e até variantes que aparecem menos, como Kid Loki (Jack Veal) e o Loki Clássico (Richard E. Grant), conquistam pela veracidade que entregam em cena: acreditamos rapidamente que aqueles personagens são e não são o Loki, ao mesmo tempo. Vale citar também Gugu Mbatha-Raw como a misteriosa Ravonna Renslayer e Owen Wilson, que fez muito bem o papel de Mobius, um agente mal-humorado da AVT com o qual é fácil se relacionar.

Com sua segunda temporada confirmada, Loki se tornou a primeira série da Marvel e Disney+ a ter novos episódios anunciados, e essa pode ser uma boa oportunidade para o seriado corrigir os problemas do primeiro ano. Óbvio que qualquer produção do Marvel Studios sempre fará parte de um universo muito maior, mas é preciso dosar para que o contexto não se torne maior do que os personagens. Se Loki fez tanto sucesso mesmo com os já citados problemas de ritmo e narrativa, imagine o que o Deus da Trapaça pode conquistar em uma temporada melhor trabalhada? O futuro tem tudo para ser glorioso.

Ficha técnica

Título: Loki

Criação: Michael Waldron

Direção: Kate Herron

Ano: 2021

Data de lançamento: 9 de junho (Disney+)

Número de episódios: 6

Sinopse: Após os acontecimentos de Vingadores: Ultimato, o Deus da Trapaça Loki precisa encontrar seu lugar após fugir com o Tesseract.

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sobre o autor Camila Sousa

Jornalista por formação e nerd por natureza. Fã de diversos mundos fantásticos por aí e criadora do podcast Podcakes | @cakes_sousa no Twitter e Instagram