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O Legado de Júpiter: O que esperar de uma segunda temporada?

Por Cristiano Rantin

Atenção: Alerta de Spoilers!

Ainda que tenha dividido a opinião da crítica e dos fãs, O Legado de Júpiter persiste sendo uma das séries mais assistidas da Netflix. Com isso, as chances de uma segunda temporada são bem altas, mas o que pode rolar na continuação desta história? Além das tramas começadas no seriado, os quadrinhos de Mark Millar nos dão pistas sobre o que podemos esperar de uma segunda temporada! 

 

A estrada até aqui

Primeira temporada de O Legado de Júpiter apresentou o conflito geracional da série

Na primeira temporada de o Legado de Júpiter acompanhamos a jornada de Sheldon, Walter e Grace — bem como dos outros aventureiros que, posteriormente, formariam a União da Justiça — em sua busca por poderes nos anos 1930. Entre os longos flashbacks, vimos a história de origem do grupo e como eles se tornaram os primeiros heróis da terra. 

Enquanto isso, a história também mostrou os dias atuais, focando principalmente no conflito da família Sampson. Sheldon e Grace se tornaram, respectivamente, Utópico e Lady Liberdade, e tiveram dois filhos. Enquanto Brandon assumiu a alcunha de Paradigma e luta constantemente para provar seu valor e se tornar um grande herói como seu pai, Chloe, que se ressente com a ausência dos seus pais, trocou o mundo dos heróis para a vida de festas e drogas. 

Mas a família Sampson não é a única fonte de drama da série, ainda que receba mais atenção na primeira temporada. Os jovens heróis não concordam com a maneira que a primeira geração de supers resolvia seus problemas. Se opondo ao código — o conjunto de regras criado pela União, que estipulava que eles não deveriam se meter em política e principalmente não matar seus inimigos — os ânimos estão ficando agitados e está cada vez mais difícil fazer com que os herdeiros deste legado continuem respeitando esses velhos valores. 

Os jovens não são os únicos que pensam assim. Walter Sampson, irmão de Sheldon, se revelou um grande vilão. Orquestrando eventos para diminuir a influência de Utópico, Onda-Cerebral está louco para ter mais poder e finalmente conseguir agir sem se preocupar com o Código da União. Nos quadrinhos, o conflito geracional sobre o código cresce e tem consequências devastadoras, com Walter influenciando o ânimo dos jovens para dar um grande golpe na União.

Mas e ai, bora saber o que pode vir por ai na segunda temporada? 

O grande plano de Onda-Cerebral 

O grande vilão da história: Walter Sampson, o Onda-Cerebral

Se você ficou surpreso com a canalhice do Onda-Cerebral no final da primeira temporada, especialmente quando vimos que ele foi capaz de matar sua própria filha para prosseguir com seus planos malignos, é melhor você se preparar porque ele vai ficar ainda pior

Nos quadrinhos, descobrimos que ele continuamente manipulava e influenciava pessoas usando seus talentos telepáticos. Entre muitos atos covardes e terríveis, é ele quem aumenta a irritação dos jovens heróis em relação ao código, controlando a nova geração como seus peões. Com sua telepatia, o Onda-Cerebral jogou os jovens contra Utópico e a União. Seu golpe final foi controlar Brandon para cometer atos horríveis. Com isso, ele se torna um grande “líder” que, na verdade, é apenas um ditador. 

Agora que a primeira temporada já fez a grande revelação de que Walter é o vilão da história, podemos esperar que esse arco seja adaptado em sua totalidade. 

As mortes na União 

A principal reclamação dos fãs dos quadrinhos para Legado de Júpiter foi não ter adaptado o evento que acontece logo na terceira edição da HQ: A morte de Lady Liberdade e Utópico. Considerando que isso é algo extremamente importante para a trama, sendo o catalizador para inúmeros eventos, é altamente provável que as mortes aconteçam na segunda temporada (e seria uma forma muito interessante de encerrar a trama em um cliffhanger).

A morte de Lady Liberdade

Lady Liberdade e sua terrível morte nos quadrinhos

Controlando os jovens heróis em um levante contra a velha guarda, Onda-Cerebral orquestra dois ataques brutais contra Grace e Sheldon Sampson nas HQs. Pegando sua cunhada de surpresa, Walter aproveita quando ela está desprevenida, comemorando o retorno de Chloe para casa. 

Para garantir que Lady Liberdade não tivesse a menor chance, o vilão prende Grace em sua própria mente — naquele golpe que já o vimos utilizando em Estrela Negra e Raikou — a deixando indefesa e incapaz de confrontar seus inimigos. Rindo do ímpeto que Lady Liberdade teve em tentar combater todos os jovens, incluindo Ruby Red, Walter revela seu truque e mostra que, enquanto ela os enfrentava na ilusão, eles dilaceravam seu corpo. É ai que vemos a heroína empalada por estacas, espadas, flechas e lanças. Apesar da brutalidade, Grace ainda tenta falar, mas Walter lhe causa um aneurisma e finaliza seu ataque. 

A morte do Utópico 

A morte do Utópico nos quadrinhos

Enquanto sua esposa é assassinada, Utópico é pego em um ataque surpresa em uma armadilha da nova geração de heróis. Brutalmente agredido pela multidão de heróis, Sheldon vê seu filho chegando e pedindo para que seus colegas parem. 

Perguntando o que está acontecendo, o herói é surpreendido por um discurso inflamando de Brandon. Machucado e debilitado por conta da violência que sofreu, Sheldon ouve seu filho dizer que está cansado de não ser valorizado e que o mundo estava clamando por ajuda, mas que o Código e a União os impedia de resolver esses problemas. É nesse momento que Walter surge, apoiando o sobrinho e afirmando que tentaram fazer isso de uma forma amigável, mas que Utópico simplesmente se recusava a discutir a ideia. “É hora de usarmos nossos poderes para unir a América novamente e o seu filho é aquele que tem coragem para nos liderar,” afirma o vilão.

Ao tentar convencer Brandon de que ele está sendo manipulado, o jovem fica ainda mais furioso e decide encerrar isso. Sem demonstrar o menor sinal de remorso, ele utiliza sua visão de calor para incinerar a cabeça do seu próprio pai, deixando apenas os ossos.

Esta cena deve estar presente na segunda temporada, uma vez que isto encerraria o arco dramático entre os dois personagens, algo que foi reforçado diante da hesitação de Sheldon em matar Estrela Negra para salvar Brandon durante a luta. 

 

O crime de Skyfox 

George deve ganhar mais destaque na segunda temporada

Mesmo que fosse o melhor amigo de Sheldon, tendo um papel essencial na jornada que concedeu poderes para a União, George Hutchence, o Skyfox, foi banido do grupo de heróis por violar o código heroico. Pintado como um grande vilão, não chegamos a ver qual foi o crime que ele cometeu, uma vez que a primeira temporada mostrou muito pouco da vida do personagem após seus poderes. 

Já sabemos que essa versão heroica de George é algo que Matt Lanter, o intérprete do personagem, está ansioso para explorar na segunda temporada. Uma boa maneira de fazer isso seria continuar trabalhando uma história com flashbacks, desta vez mostrando o início da vida poderosa da União e, finalmente, o que Skyfox fez de tão grave. 

Nos quadrinhos, o motivo para ele se afastar do grupo está diretamente ligado a vilania de Walter. Nos anos 1960, George é humilhado por Sunny, o grande amor de sua vida, quando ele a pede em casamento. Manipulada telepaticamente por Onda-Cerebral, a moça o rejeita e rapidamente inicia um romance com Walter, sendo a motivação para Skyfox se afastar da união. 

Em seu exílio auto imposto, o personagem começa a questionar o papel dos heróis no mundo, se dando conta de que eles simplesmente estavam ajudando a oprimir as pessoas e reforçar o sistema. Assim, George passa a auxiliar em greves e revoltas, ajudando o povo e influenciando na polícia. Ele chega, inclusive, a sequestrar o vice-presidente dos Estados Unidos para obrigar que a Guerra do Vietnã seja encerrada.

A gota d’água para ele ser considerado um vilão é seu ataque contra Walter, depois que ele descobre a verdade sobre Sunny. Subjugado pela União, George é marcado como inimigo e preso por seus colegas. 

O plano de Hutch e Chloe 

Hutch e Chloe devem ganhar ainda mais destaque na segunda temporada

A melhor maneira de trazer Skyfox de volta para a história da segunda temporada — e já preparar o terreno para os eventos que devem acontecer no futuro da série — seria trabalhar o plano de Hutch, que agora conta com a ajuda de ChloeO jovem casal provavelmente vai conseguir concluir seus planos e encontrar seu pai, o que seria uma boa forma deles descobrirem sobre os atos vilanescos de Walter.

Durante esse arco, os dois heróis deve se aproximar ainda mais, o que significa um amadurecimento de Chloe. Nos quadrinhos a personagem decide fugir do seu legado, assumindo uma postura de heroína para auxiliar na crise mundial que se inicia após a morte dos seus pais. A segunda temporada deve preparar o terreno pra isso, fazendo a parceria dela com Hutch se tornar ainda mais forte. 

 

O que aconteceu com o Raio Azul? 

Raio Azul, membro fundador da União, não apareceu muito na série

Apesar de ser um dos membros fundadores da União, Raio Azul foi um grande figurante na história. O médico entrou na jornada de Sheldon e seus amigos no meio do caminho, aparecendo bem pouco na primeira temporada, sem nem ao menos ser mencionado nos dias atuais. A segunda temporada poderia — e deveria — explorar mais esse personagem, até para entendermos o que aconteceu com ele nestes quase 100 anos.

Nos quadrinhos, o médico Richard Conrad foi o primeiro herói gay da União. Sua sexualidade foi utilizada como material de chantagem pelo chefe do FBI J. Edgar Hoover, que queria ter controle sobre os heróis, que o obrigou a revelar a identidade secreta dos seus colegas. Assim, Raio Azul acaba tentando o suicídio para não trair seus amigos e não ser arrancado do armário, sendo salvo por Fitz Small. 

Logo em seguida, ele descobre que todos os heróis da União já sabiam sobre sua sexualidade e que nenhum deles se importava com isso. Algum tempo depois, Conrad vai se afastando da vida heroica para seguir sua vida tranquila, cercado por homens famosos e atores de Hollywood.

Uma segunda temporada poderia explorar a identidade do herói e o que aconteceu para afastá-lo desta vida. Além disso, explorar as habilidades do bastão que ele utilizava serviria para apresentar o potencial de Hutch, uma vez que o jovem utiliza um item parecido com o de Raio Azul.

O incidente de Fitz Small 

Petra e Fitz Small

Tendo uma participação muito discreta na primeira temporada, Fitz Small foi parte da expedição que rendeu os poderes da União. Capaz de disparar rajadas de luz, o personagem se encontra em uma cadeira de rodas e com uma grande cicatriz no seu rosto, após um incidente que chegou a afetar seus poderes. Agindo principalmente como uma das mentes estratégicas da União, o trabalho de campo entre os heróis acaba ficando com sua filha, Petra Small, que herdou os mesmos poderes do pai. Os dois são vistos questionando o código e o papel da União nos dias atuais.

Nos quadrinhos o personagem não aparece muito, sem ter nenhum grande impacto na história atual. Pelo que podemos ver, no entanto, a série não vai seguir neste caminho. Por esse motivo, a segunda temporada poderia explorar o que aconteceu com o herói, mas principalmente dar destaque para ele — e Petra — diante do golpe de Walter e suas manipulações.

A primeira temporada de O Legado de Júpiter já está disponível na Netflix.

Confira também tudo sobre  a HQ que inspirou a série da Netflix:

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"