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League of Legends: As principais diferenças entre o jogo original e Wild Rift

Por Melissa de Viveiros

O primeiro grande sucesso da Riot Games, League of Legends foi lançado em 2009, e rapidamente se tornou um fenômeno mundial. O título se tornou um dos grandes responsáveis não apenas pela popularização dos e-sports, como também do próprio gênero MOBA. Inspirado em Defense of the Ancients, o famoso DotA, o jogo foi desenvolvido como um multiplayer online que coloca dois times de 5 jogadores um contra o outro, cada um visando defender sua metade do mapa e conquistar a do inimigo.

Ainda assim, nos mais de dez anos do LoL, ele não foi o único que cresceu. Os aplicativos mobile que inicialmente foram colocados à margem e não considerados jogos “de verdade” ganharam cada vez mais espaço, criando um mercado rentável para empresas e muitas vezes mais acessível para o público graças aos smartphones. Ao longo dos anos, esses games se diversificaram, trazendo títulos de diversos gêneros e inspirados em várias franquias famosas para esta nova plataforma.

Agora, chegou a vez do League of Legends com o lançamento de Wild Rift. O mais novo título da Riot adaptou o famoso jogo de PC para os dispositivos móveis, e já chegou fazendo um enorme sucesso. Apesar disso, por se tratar de uma nova plataforma, muito precisou ser adaptado e modificado, e há algumas diferenças notáveis entre os dois títulos.

Quer saber tudo de mais importante que muda na nova versão? Então continue aqui e vamos explorar as grandes diferenças entre os dois Rifts da Riot Games!

Mudanças no mapa

Quem conhece Summoner’s Rift certamente encontrará algumas diferenças notáveis ao se aventurar em Wild Rift. O jogo mobile foi feito do zero, isto é, criado como algo completamente novo ao invés de simplesmente utilizar elementos já existentes em League of Legends e transferi-los para a versão dos dispositivos móveis. Isso foi uma escolha que visava tornar a experiência mais dinâmica e compatível com a nova plataforma, que tende a conter títulos com jogabilidade mais simples e que podem ser jogados por breves períodos de tempo. Assim, o título mais recente da Riot foi construído em uma nova engine, ou seja, utilizando um software novo.

Isso resultou em um mapa com visual atualizado, embora esta não seja a única mudança pela qual este elemento do jogo passou. O próprio design da arena foi levemente alterado, e pode causar um pouco de estranhamento para quem espera algo idêntico ao LoL. As diferenças não são enormes, embora sejam notáveis. O posicionamento de certos itens, como as torres, é uma das maiores mudanças, já que afeta o funcionamento das próprias partidas. Outro ponto relevante é a maneira espelhada como o mapa funciona, já que nomenclaturas como Top e Bot deixam de ter significado no jogo de celular graças a isso.

O mapa de Wild Rift.

O novo Rift conta com três torres em cada rota, tal qual no próprio League of Legends. A diferença é que estas são as únicas torres, e as que protegeriam o Nexus não se encontram nesta versão. De modo semelhante, o jogo mobile também não possui inibidores, que na versão de PC não atingem os jogadores como as torres, mas são os responsáveis por gerarem super-tropas quando destruídos.

Para compensar a menor quantidade de defesas do Nexus, ele próprio age como uma torre. Isso significa que, ao se aproximar do objetivo final sem minions, o jogador recebe dano assim como receberia das torres. Desse modo, certas jogadas que às vezes ocorrem no LoL não podem ocorrer aqui, como quando apenas o Nexus precisa ser derrubado e um jogador aproveita o descuido do outro time para destruí-lo e vencer o game.

Outra mudança que afeta a jogabilidade em grau menor é o posicionamento do frutomel. A famosa plantinha verde que regenera vida e mana se encontra apenas nos rios em Summoner’s Rift. Por sua vez, no jogo mobile há algumas destas também nas rotas, o que dá mais sustentação aos jogadores.

Já na selva, os monstros são encontrados nos mesmos locais em que estão no League of Legends, mas contam com outras alterações. Além de terem um tempo mais breve até reaparecerem, seus buffs são ainda mais significativos do que na versão de PC. Isso acontece porque as partidas em Wild Rift foram pensadas para acontecer de modo mais breve. É raro, por exemplo, que uma equipe chegue a capturar um Dragão Ancião.

Você pode conferir um pouco da jogabilidade e ter uma noção melhor do mapa no vídeo abaixo:

Por fim, outra alteração relevante é o espelhamento do mapa. Em League of Legends, uma das equipes fica com a parte superior do mapa, mas isso trouxe dificuldades para a versão de celular, principalmente por conta da ergonomia. Assim, em Wild Rift todos os jogadores ficam na parte inferior, o que foi resolvido através do espelhamento do mapa. Na prática, isso significa que quem fica no papel equivalente ao Solo Top do LoL pode se encontrar na rota inferior do novo Rift.

Parece bastante confuso, mas o jogo faz de tudo para deixar isso mais simples o possível. Por causa disso, os nomes das rotas mudaram visando evitar confusão. Assim, elas se orientam de acordo com os objetivos mais importantes que ficam mais próximos de cada rota, sendo chamadas de Rota do Barão e Rota do Dragão. Tal qual na versão de PC, quem fica na lane próxima ao local em que o Dragão surge é a dupla formada por um suporte e um atirador. Já o caminho ao lado do Barão é ocupado por um jogador solo.

Para refletir essas mudanças, os ícones de cada rota foram alterados. No Wild Rift, um machado representa a Rota do Barão, buscando sugerir a ideia dos campeões fortes e mais tanque que ocupam este papel. Já o ícone do que seria o Bot passou a de fato representar um atirador, pois de acordo com os desenvolvedores mostra um ícone que sugere ao mesmo tempo duas pistolas e o Dragão.

Os ícones de cada rota no Wild Rift. Da esquerda para a direita: Solo, Jungle, Mid, ADC e Suporte.

Campeões

Os personagens jogáveis são uma parte extremamente importante tanto de League of Legends quanto de Wild Rift, cumprindo papéis parecidos em ambos. Ainda assim, este foi mais um elemento que precisou sofrer alterações na versão mobile, tanto visualmente quanto em relação às mecânicas e habilidades.

Da mesma maneira que o mapa foi refeito e ganhou um visual levemente atualizado, os personagens também ganharam novos modelos. A mudança é muito mais notável neles, no entanto, já que Summoner’s Rift passou por mudanças há não muito tempo, mas é uma tarefa quase impossível manter mais de 100 campeões com aparências atualizadas. É importante lembrar que além de o elenco ser enorme, League of Legends foi lançado em 2009, e o design de muitos heróis ficou desatualizado ao longo do tempo.

Isso não ocorre no Wild Rift, já que todos foram refeitos para o formato mobile. A diferença chama muito a atenção, fazendo o jogo parecer bem mais bonito que a versão de computador. Além disso, detalhes como permitir que os jogadores vejam os modelos nas páginas dos campeões, podendo até mesmo conferir o personagem mais de perto, podem não adicionar tanto à jogabilidade, mas contam como adições bem-vindas e interessantes.

O modelo da Lulu em League of Legends (esquerda) e Wild Rift (direita).

As habilidades de muitos campeões também foram alteradas. Alguns receberam mudanças que os tornam mais dinâmicos no Wild Rift, já que este promete ser um jogo com partidas mais breves e movimentadas. A Ultimate de Katarina, por exemplo, deixou de ser estática, possibilitando que a personagem continue lançando suas adagas enquanto se move. Outras diferenças foram feitas pensando em ambos os jogos, como é o caso de Rammus. Como o personagem já necessitava de atualizações, a Riot aproveitou para desenvolvê-las no jogo mobile, depois adaptando-as para League of Legends. Para se aprofundar nas mudanças nas habilidades, vale conferir os vídeos no canal oficial de Wild Rift.

Também há divergências em relação a quais campeões estão disponíveis. Nem todos os personagens do jogo de PC já chegaram à versão mobile. Enquanto LoL conta com mais de 140 campeões, atualmente Wild Rift conta com cerca de 60. De acordo com a Riot, eventualmente todos estarão disponíveis em ambos os jogos, mas isso deve levar algum tempo para acontecer. Mais uma diferença entre os dois é que, diferente do que é encontrado no computador, nos dispositivos móveis todos os campeões possuem o mesmo preço.

Mudanças nas mecânicas

Alguns elementos essenciais na jogabilidade também sofreram alterações, como esperado devido aos diferentes propósitos dos dois títulos da Riot. Além do mapa e dos campeões, itens, unidades e feitiços também foram modificados. Tudo isso foi feito visando simplificar o jogo, já que a experiência sem mouse e teclado é bastante diferente. Ao mesmo tempo, a menor duração das partidas também foi levada em consideração.

Muitos itens continuam tendo efeitos semelhantes em ambos os jogos. As principais mudanças neste quesito são que as botas ocupam um espaço separado, destinado a elas, e que são encantamentos que elas recebem que funcionam como itens ativos. Em relação aos itens propriamente ditos, nenhum deles tem efeito ativo. Assim, a invulnerabilidade de Zhonya, por exemplo, passou a ser parte dos efeitos encontrados nos encantamentos das botas ao invés de existir como um item separado em Wild Rift. Desse modo, o jogador só pode ter um item ativo por vez.

As runas em Wild Rift.

As runas também foram simplificadas no jogo mobile. Em League of Legends, os jogadores escolhem uma árvore de runas principal, com uma runa primária e três secundárias, e uma árvore secundária, da qual duas runas são escolhidas. Além disso, há ainda a adição de pontos em coisas como defesa, roubo de vida ou poder mágico. Já no Wild Rift, o jogador escolhe apenas uma runa principal e três secundárias.

Os Feitiços de Invocador também apresentam algumas diferenças. Enquanto muitos são apenas balanceados de maneira diferente, tendo alcance, dano ou tempo de recarga diferentes, outros trazem mudanças mais significativas. É o caso por exemplo do Smite, utilizado pelos junglers. Como o jogo não conta com os itens iniciais voltados para os Caçadores e Suportes, o Feitiço de Invocador cumpre esse papel para os primeiros. Após derrotar quatro acampamentos de monstros na selva, o jungler pode escolher aprimorar a habilidade para Golpe Congelante ou Golpe Desafiador, trazendo efeitos equivalentes aos que seriam encontrados nos itens.

Escolha de posição

Diferente da versão de PC, no Wild Rift não é possível escolher a posição em que se deseja jogar em partidas normais. Apenas as ranqueadas contam com essa opção, e mesmo assim o sistema é consideravelmente diferente do encontrado em League of Legends. É possível que isso mude, já que o jogo ainda está em Beta e a funcionalidade foi adicionada recentemente. Até o momento, porém, o objetivo dos desenvolvedores parece ser criar algo diferente do que é visto na versão de computador.

A tela de escolha de preferência de posição.

No jogo mobile, você precisa colocar todas as posições na ordem em que prefere jogar. Assim, o processo é bem simples, e basta ordenar tudo do que você mais gosta para o que menos gosta. Não é preciso selecionar sua preferência antes de toda partida, mas é possível alterar suas escolhas quando desejar. Ao procurar uma partida, a prioridade será dada às primeira e segunda opções. Caso nenhuma das duas esteja disponível, a terceira e a quarta serão consideradas. Desse modo, os desenvolvedores pretendem evitar que os jogadores caiam em papéis que não gostam para preencher a equipe.

Os jogadores de League of Legends sabem que o sistema lá é outro. Antes de cada partida é preciso escolher duas funções nas quais se deseja jogar, e caso o jogador não possua proteção, pode ser colocado no preenchimento automático. Isso significa que embora o jogo esteja buscando pelas posições escolhidas, poderá dar prioridade ao que está faltando em busca de agilizar o tempo nas filas.

O sistema do Wild Rift também permite dar prioridade a todas as funções, ou ir de preenchimento automático, caso essa seja sua preferência. Atualmente, este sistema só está disponível em uma fila separada das ranqueadas padrão, chamada de “Laboratório de Posições”. Isso significa que muitas mudanças podem vir para o modelo no futuro.

Existem outras diferenças entre os dois títulos da Riot Games, mas estas são as principais. Para quem quer saber ainda mais, é hora de se aventurar nos Rifts e ver por si mesmo o que cada um tem a oferecer.

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sobre o autor Melissa de Viveiros

Graduanda em Letras na UFMG. || What is infinite? The universe and the greed of men. || @windrunning_