A origem do Halloween: Como surgiu, o que significa e qual o papel na cultura pop

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A origem do Halloween: Como surgiu, o que significa e qual o papel na cultura pop

Por Gus Fiaux

Embora o Brasil não tenha uma cultura muito difundida do Dia das Bruxas, isso não significa que não tenhamos incorporado a data em nosso imaginário e na cultura pop, em grande parte por conta dos filmes, séries e produtos vindos dos Estados Unidos. Assim, o dia 31 de outubro tem um grandioso papel no mundo todo, embora seja celebrado de maneiras diferentes em vários países.

Mas você já parou para se questionar como surgiu o Halloween? Como essa tradição se tornou tão popular? Afinal, por que as pessoas se fantasiam nessa celebração? E como funciona a tradição de esculpir abóboras? Neste artigo, nós vamos explicar um pouco as origens e significados do Dia das Bruxas!

As origens do Halloween

Embora o Halloween pareça uma festividade muito antiga e tradicional, a real é que ele só se transformou naquilo que conhecemos há pouquíssimo tempo, se analisarmos bem o seu contexto histórico. Estima-se que as festividades do Dia das Bruxas começaram originalmente na cultura celta, em uma celebração pagã chamada Samhain – que até hoje, é celebrada por bruxas e seguidores de ritos pagãos.

O Samhain era celebrado no outono, para comemorar o fim das colheitas e o começo do inverno. Além disso, o rito era importante para honrar os mortos, tanto que acreditava-se que, nessa época, a “linha” que separava o mundo dos vivos e dos mortos estava mais tênue, permitindo a passagem de fantasmas e de ghouls, bem como outros seres sobrenaturais.

Contudo, precisamos lembrar que, durante a ascensão do cristianismo ao redor do mundo, a Igreja – visando aumentar o número de seus fiéis e desestimular as tradições pagãs – começou a transformar diversas festividades antigas em ritos e feriados cristãos. Em 609 d.C., o Papa Bonifácio IV decidiu fazer algo parecido com o Samhain. Assim, ele criou a festividade do Dia de Todos os Mártires, que seria celebrado no dia 13 de março.

Anos depois, o Papa Gregório III decidiu mudar a data da celebração para o dia 1º de novembro, a renomeando para Dia de Todos os Santos (em inglês, All Hallow’s Day). Assim, a noite anterior foi chamada de All Hallow’s Eve – e com o passar dos anos, o nome foi sendo contraído e popularizado até virar o Hallowe’en – ou Halloween. Assim, uma festa tradicional pagã dava espaço para uma festividade cristã, “apagando” a base cultural da celebração.

As fantasias de Dia das Bruxas

As fantasias eram um item muito importante das celebrações celtas e pagãs. Nas crenças originais, muitos acreditavam que precisavam se fantasiar de seres e espíritos malignos, como uma forma de enganar e iludir os verdadeiros seres sobrenaturais que caminhavam na Terra naquela noite. Assim, eles se protegiam de quaisquer perigo que pudesse vir em seu caminho. No início, essas fantasias eram feitas em casa, com tecidos, cascas e galhos de árvores, itens domésticos e peles de animais.

A tradição foi mudando com o contexto cultural de cada época. Na Inglaterra Vitoriana, havia um forte zeitgeist gótico e macabro, que dominava várias áreas da sociedade e da vida pública. Assim, na noite de Halloween, as pessoas tinham o costume de se fantasiar com seres ainda mais macabros ou animais “sombrios” – como morcegos e cobras. Eram incorporados também alguns medos da época, como bruxas, fantasmas, vampiros e esqueletos.

Depois que a tradição passou para os Estados Unidos durante os Séculos 19 e 20, devindo à intensa peregrinação de imigrantes da Inglaterra e da Europa para o “Novo Mundo” – o Halloween começou a ser incorporado na tradição americana. Assim, surgiam as primeiras companhias especializadas que produziam fantasias para a noite de Halloween.

Com o passar dos anos, as fantasias produzidas deixaram de ser apenas criaturas macabras e seres sombrios – e aos poucos, foram introduzidos elementos e itens da cultura pop, como personagens de quadrinhos e cartoons e até mesmo personagens de propagandas, como mascotes de caixas de cereal.

O papel do Halloween na cultura pop

Logo, nos Estados Unidos, o Halloween começou a ser visto como uma época de muito lucro, especialmente para essas empresas que produziam fantasias. Vários negócios foram abertos e havia uma forte competição entre diferentes empresas, além de termos as primeiras fantasias licenciadas, especialmente depois que grandes estúdios – como a Warner e a Disney – viram o potencial lucrativo das festividades.

Assim, os anos 60, 70 e 80 foram muito importantes para o boom do Dia das Bruxas. Houve uma entrada ainda maior de figuras pop nas celebrações, com fantasias de bandas, filmes e séries de TV começando a aparecer. Nos anos 80, houve um retorno do macabro para o Halloween, já que os filmes de terror slasher estava dominando as bilheterias e popularizando ícones como Jason Voorhess, Freddy Krueger e, é claro, Michael Myers.

Desde então, o Halloween não é tão lembrado por sua tradição pagã – exceto por quem ainda a segue -, mas se tornou uma festividade e um feriado importante nos Estados Unidos, ganhando força por conta do investimento de estúdios de cinema, editoras de quadrinhos e empresas de brinquedo. Não é à toa que, nos últimos anos, faz-se até estimativas de quais fantasias são mais comuns no Dia das Bruxas, todos os anos – para saber os interesses do mercado.

Por que cortam abóboras no Halloween?

As abóboras são itens bem importantes na celebração do Halloween – especialmente porque o outono é a época em que as colheitas do legume começam. Há uma tradição bem conhecida de cortar e esculpir as abóboras, geralmente com rostos assustadores. Todo o conteúdo interno é retirado e, no lugar, é inserida uma vela acesa, para que as faces esculpidas brilhem.

A tradição veio da Irlanda e é baseada na lenda de Jack – tanto que as abóboras cortadas ganharam o nome de Jack O’ Lantern (ou “Jack da Lanterna”, em tradução livre). Na lenda original, Jack era um homem bêbado e arruaceiro que, certa vez, conseguiu encontrar o próprio diabo e enganá-lo para não ser levado ao inferno. Quando ele morreu, sua entrada no paraíso foi negada, assim como no inferno.

Desde então, Jack vagava pela Terra como uma alma penada, tentando encontrar um descanso final. Os irlandeses começaram a tradição de colocar velas em alguns leguminosos, como nabos. Porém, após a intensa imigração de famílias irlandesas para os Estados Unidos, os nabos passaram a ser substituídos por abóboras, já que eram frutos mais comuns e abundantes.

As velas são colocadas justamente para iluminar o caminho de Jack pela Terra, para que ele não se perca e nem entre na casa de pessoas de bem. C0m o passar dos anos, essa origem da tradição também foi “esquecida”, mas o costume de cortar abóboras permaneceu – tanto que existem competições e até mesmo artistas que produzem esculturas mais elaboradas.

Fontes: The Art of Costume, Super Interessante

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux