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Game of Thrones: Intérprete da Septã Unella revela que foi afogada durante a série

Por Melissa de Viveiros

Game of Thrones se tornou conhecida por sua violência explícita e cenas brutais. Principalmente em suas temporadas finais, no entanto, a série da HBO recebeu diversas críticas sobre a gratuidade desses momentos. A reação negativa do público atingiu um ponto extremamente alto na quinta temporada, quando Sansa Stark (Sophie Turner) foi estuprada por Ramsay Bolton (Iwan Rheon). Agora, a intérprete da Septã Unella, Hannah Waddingham, revelou que essas reclamações impactaram alguns acontecimentos da produção, como o fim de sua própria personagem, que seria ainda mais sombrio originalmente, mas que resultou em um trabalho sofrível envolvendo afogamento por dez horas.

Para quem não se lembra, Unella é a Septã responsável por muito do que Cersei Lannister (Lena Headey) sofre. Desde exigir que a rainha confessasse seus pecados até a humilhá-la durante a caminhada pelas ruas de Porto Real, repetindo o refrão “shame” (vergonha, em português), ela teve importante papel em levar a Lannister para seu ponto mais baixo. Como consequência, a personagem encontrou um fim terrível uma vez que a rainha retomou sua coroa.

Na sexta temporada da série, Cersei mantém sua antiga captora presa e torturada. A última vez em que ela é vista conta com a personagem derramando vinho no rosto da Septã, exigindo que ela confesse. Ao fim do momento, a rainha sai de cena, deixando a outra mulher presa na sala com o Montanha (Hafþór Júlíus Björnsson).

Anteriormente, Headey havia comentado que a cena seria ainda pior em uma versão que acabou sendo descartada. Comentando o assunto, Hannah Waddingham explicou (via Collider) o que aconteceria com Unella a princípio, bem como a mudança que foi para a cena:

“Ela seria estuprada pelo Montanha, e eu acho que eles receberam tantas reclamações sobre o estupro de Sansa que eles escolheram não continuar com isso. Eu acho que eles possivelmente mudaram isso quando eu estava no meio do voo para Belfast, porque de repente me enviaram esses novos comunicados que diziam que eu precisaria da parte de cima de uma roupa de mergulho. E eu pensei que eles tinham me mandado uma mensagem errada. E certamente, quando cheguei lá, eu fui colocada na parte de cima de uma roupa de mergulho e eu fiquei tipo, ‘Por que?’ E eles falaram, ‘Oh, vai ser afogamento simulado, ao invés disso [do estupro]’.”

Septa Unella e Cersei

A atriz deixa claro que, para ela, a experiência de gravação não se tornou melhor por causa disso. O público pode imaginar que efeitos especiais práticos ou digitais seriam utilizados para a construção da cena, tornando-a mais fácil para o elenco. Isso, no entanto, não aconteceu, como ela conta:

“E lá estava eu, presa a uma mesa de madeira com correias apropriadamente grandes por dez horas. E definitivamente, fora o meu parto, esse foi o pior dia da minha vida. Porque Lena estava desconfortável derramando líquido no meu rosto por todo esse tempo, e eu estava fora de mim. Mas nesses momentos você tem que pensar, você entrega a cena e segue em frente ou se acovarda e fica, ‘Não, não foi para isso que fui contratada, blá, blá, blá’? E então, a coisa engraçada é que, depois que terminamos de gravar isso o dia todo, pessoas como Miguel Sapochnik, o diretor, passam com uma xícara de chá e um sanduíche para a viagem e falando ‘Oi querida, você está bem?’. E eu estava tipo, ‘Na verdade não’. ‘A equipe estava acabando de dizer que nós estamos realmente fazendo um afogamento simulado com você aqui’. E eu estava tipo, “É, você não precisa contar isso para mim!'”

A postura de Waddingham de enfrentar a situação e o desconforto, no entanto, não vieram sem consequências. Ainda segundo a atriz, ela ficou incapaz de falar depois das filmagens estando muito fragilizada para retomar a vida. Ela também revelou que a situação a deixou desconfortável com água ao ponto de ter crises de pânico:

“Eu não tinha nem percebido que isso definitivamente me deu claustrofobia em relação à água. De verdade. Eu não havia percebido até eu assistir um programa onde a câmera está sobre o rosto do ator e ele está sendo mergulhado na água, mas você o vê olhando para o alto para a câmera, e eu tive um pânico terrível com isso. E eu na verdade fui e tive uma conversa sobre isso com alguém, porque é muito difícil passar por afogamento simulado por dez horas, e então apenas um minuto e trinta segundos serem usados na série.”

Além de desagradável, a experiência da atriz mostra como essas práticas podem ter sérias consequências. Com a vinda de House of the Dragon, próxima série da HBO neste universo, resta esperar que essas situações não voltem a acontecer no futuro.

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sobre o autor Melissa de Viveiros

Graduanda em Letras na UFMG. || What is infinite? The universe and the greed of men. || @windrunning_