Fullmetal Alchemist: As principais referências da alquimia real no anime

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Fullmetal Alchemist: As principais referências da alquimia real no anime

Por Flávia Pedro

Fullmetal Alchemist é uma história da autora Hiromu Arakawa, que foi lançado em formato de mangá no ano de 2001. Ganhou sua primeira adaptação para anime em 2003, mas por não seguir os acontecimentos do mangá que ainda estava sendo publicado, acabou não agradando, principalmente por ter um final diferente. A adaptação que ganhou o coração dos fãs foi Fullmetal Alchemist: Brotherhood, lançada em 2009, sendo mais fiel ao mangá que a primeira.

Quem acompanhou o anime sabe que o principal plano de fundo pra toda a história é a alquimia. Hiromu fez um árduo trabalho de pesquisa para criar um universo em que as leis alquímicas realmente funcionassem, não só de forma imaginária, mas usando referências da vida real. Vamos te contar quais são essas semelhanças entre ficção e realidade!

O que é alquimia?

A alquimia é uma ciência que realmente existiu na Idade Média. Era baseada na lei da Troca Equivalente, onde o objetivo era transmutar materiais, ou seja: transformar algo em outra coisa de igual valor.

Transmutação básica feita pelo Ed ainda criança

No inicio do anime, logo em sua abertura nos é mostrado a seguinte explicação:

“A alquimia é uma ciência de compreensão, decomposição e recomposição da matéria. Contudo, não é uma técnica onipotente, pois não é possível criar algo do nada. Se você deseja obter alguma coisa, é preciso pagar um preço, e este é o fundamento da alquimia, a chamada troca equivalente.”

Assim como a explicação logo no início do anime, na realidade não era diferente. Alquimistas acreditavam que nada surge do nada, tudo é decomposto para ser recomposto de um jeito novo, formando um ciclo onde tudo faz parte de um todo.

Referências da alquimia real no anime:

A transmutação

Ed realizando uma transmutação em um momento de confronto

Assim como no anime, os alquimistas reais também realizavam experimentos afim de transmutar materiais. Mas na vida real não utilizavam círculos de transmutações e magias como na ficção. Era um processo diferente, praticamente um estudo químico com vários experimentos e testes, tanto que a palavra “Química” é uma derivação de “Alquimia”.

Um dos principais objetivos dos alquimistas reais em relação à transmutação era a possibilidade de transformar chumbo em ouro, como uma metáfora de transformar algo impuro em uma evolução pura. Mas há um tabu na alquimia do anime em relação a transmutação: a transmutação humana.

Somos apresentados à esse tipo de transmutação do pior jeito, com o Ed perdendo alguns membros e o Al perdendo todo o seu corpo, numa tentativa de reviver sua mãe. Na vida real a transmutação humana também não era vista com bons olhos, pois acreditava-se ir contra as vontades divinas.

Os Homúnculus

Os homúnculus

Na realidade a criação de homúnculus foi um dos principais objetivos da alquimia. Homúnculus são humanos artificiais criados a partir de objetos e ingredientes inanimados. São vidas artificiais criadas sem o processo biológico natural de reprodução.

No anime nós temos esses personagens que correspondem aos 7 pecados capitais e são os vilões da trama. Como são vidas artificiais, forma criados com o auxílio da Pedra Filosofal e possuem força e resistência sobrehumanas, e matá-los é muito difícil.

A Pedra filosofal

A Pedra Filosofal

A Pedra Filosofal foi um objeto muito desejado pelos alquimistas no período medieval. Ela seria o único objeto capaz de quebrar a Lei da Troca Equivalente por conceber algo do nada. Dizem que um alquimista chamado Nicolau Flamel (fãs de Harry Potter com certeza já se familiarizaram com o nome, né?) conseguiu criar essa pedra, além do famoso elixir da vida.

Na ficção também temos a pedra filosofal como um objeto místico que funciona exatamente como na alquimia real. Como só ela pode criar algo do nada, os irmãos protagonistas Ed e Al passam boa parte do anime procurando por ela ou pela fórmula para criar a sua própria pedra. Porém, quando eles descobrem o principal ingrediente para criá-la, desistem da ideia.

O ingrediente para a pedra filosofal no anime são vidas humanas! Isso porque na vida real o corpo humano era visto como uma máquina alquímica perfeita, pois tudo que entra nele se transforma. Essa relação entre corpo humano e pedra filosofal fica bem nítida depois que nos é revelado o ingrediente principal.

Alquimistas da vida real no anime

Von Hohenhei, pai de Ed e Al

Ainda sobre Flamel, no anime podemos ver um símbolo semelhante a um caduceu. Esse símbolo aparece no casaco do Ed, na armadura do Al e na tatuagem no seio da professora Izumi. Esse símbolo em específico se chama Cruz de Flamel e foi muito encontrado em manuscitos do alquimista, aparecendo no anime como uma homenagem e referência à ele.

Outro alquimista homenageado foi Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus Von Hohenhei. Nome grande, não é? Quem assistiu ao anime provavelmente só identificou o Von Hohenhei, afinal este personagem é o pai dos dois protagonistas da série. No anime Honhenhei era um alquimista muito poderoso e na idade média ele foi um alquimista muito conhecido por trazer avanços científicos e medicinais para a sociedade da época.

Manuscritos codificados

Ed e seus amigos buscando os manuscritos do Doutor Marco

Enquanto buscavam incessantemente pela fórmula da Pedra Filosofal, Ed e Al se depararam com manuscritos do doutor Marco em forma de um livro de receitas e ambos passam um bom tempo tentando decifrá-lo.

Os alquimistas também escreviam em forma de códigos. Muitos manuscritos foram encontrados onde receitas culinárias, descrição de movimentos de planetas, anotações sobre movimento de marés e etc, escondiam conhecimentos alquímicos. Isso porque eles não queriam que seus conhecimentos caíssem em mãos erradas.

A alquimia asiática

Ling e Mai, personagens de Xing

A alquimia realmente existiu em continentes como África, Ásia e Europa. O que acompanhamos na maior parte do anime é a alquimia Europeia, mas a autora fez uma menção à alquimia de origem asiática.

Essa alquimia era mais voltada para fatores de cura, bem estar e prolongamento de vida. Como vemos no anime, ela nos é apresentada através do povo de Xing, a pequena Mai e o príncipe Ling. Ling vive em busca do elixir da vida e a Mai, mesmo muito novinha possui uma alquimia com um poder de cura que supera até mesmo o do protagonista, Ed.

Reflexões que o anime faz sobre a alquimia e seus perigos

Guerra Civel de Ishval

Fullmetal Alchemist: Brotherhood ainda traz um ótimo diálogo sobre como o mundo seria caso a alquimia realmente tivesse dado certo e, principalmente, questões humanitárias sobre o limite entre usar a ciência como forma de proteção e como uma arma.

Isso fica claramente estabelecido quando entramos no arco de Ishval e vemos que alquimistas federais foram mandados até aquele vilarejo para iniciar uma guerra civil contra o povo Ishvaliano, utilizando a alquimia como uma arma mortal.

Atualmente o anime está disponível completo na Netflix e acabou de receber uma redublagem em português pela Funimation.

Mas e vocês, sabiam sobre todas essas referências contidas ao longo da história? Tem alguma outra que vocês sabem mas não está aqui? Compartilha com a gente nos comentários!

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sobre o autor Flávia Pedro

Historiadora formada pela UFF e apaixonada por cultura japonesa, animes, mangás, filmes... Criadora de conteúdo no instagram Anime Dicria, viciada em café e leitora de fanfics ruins nas horas vagas. Instagram: fllavia_pedro