Forza Horizon: Por que o game conquista muito além dos fãs de corrida

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Forza Horizon: Por que o game conquista muito além dos fãs de corrida

Por Arthur Eloi

Forza Horizon 5 teve um lançamento impressionante, com uma recepção bastante calorosa e bombástica. A estreia deu tão certo que, quando o The Game Awards revelou sua lista de indicados ao Jogo do Ano, uma quantidade considerável de fãs questionou a ausência do game na lista. Aliás, como aponta o Tecnoblog, é um dos títulos com melhor nota no Metacritic em 2021, com média de 92 pontos através de 95 críticas – sendo que nenhuma delas é negativa, ou sequer moderada.

Para quem não é muito chegado em automobilismo ou até mesmo jogos de corrida, pode ser meio complicado entender esse auê todo, mas Forza Horizon é uma das poucas franquias que consegue se adaptar pra quem busca fidelidade máxima na simulação, ou pra quem só quer se divertir. Se algum game de corrida merece uma segunda chance até pelos mais céticos, é esse!

A jogabilidade e o desafio se moldam ao jogador

A franquia surge a partir de Forza Motorsport, seu irmão mais velho e mais sério, desenvolvido pela Turn 10 Studios. Nos games originais, o foco é corridas em circuito e pistas icônicas do mundo real, com controles precisos e um certo nível de entendimento de de direção e física para realmente poder competir. Em 2012, os britânicos da Playground Games – um estúdio fundado por ex-desenvolvedores da Codemasters (Grid, Dirt) e da Criterion (Burnout, Need for Speed) – decidiu pegar a base do simulador para criar algo mais despojado.

Assim surgiu Forza Horizon. A série derivada utiliza o mesmo motor, e isso significa que a mesma direção precisa e desafiadora está presente aqui, só que com inúmeras assistências ativadas por padrão para criar uma experiência mais macia ao jogador casual. Se você só pegar o controle e sair jogando, vai encontrar algo que é desafiador o bastante para um iniciante se sentir intrigado, mas não desencorajado. Aliás, se comparado com algo como Dirt Rally ou algum simulador de Fórmula 1, o jogo é tranquilamente um dos mais acessíveis para novatos, e pode ajudar a criar gosto pelo gênero.

Muito se discute sobre implementar opções de acessibilidade e dificuldade em outros jogos, e um dos atrativos de Forza Horizon é já ter isso. É um game receptivo com novatos, mas que não quer que o público fique estagnado. Ao ritmo que você vence mais e mais corridas, ou então simplesmente explora e cresce na campanha, o próprio jogo vai sugerindo graduais elementos de dificuldade para aumentar – com o ‘ok’ do jogador, claro.

Isso significa que, se você tiver um bom desempenho, eventualmente receberá uma mensagem te parabenizando, e perguntando se há interesse em subir a complexidade da inteligência artificial, com oponentes mais habilidosos no volante. É uma forma de celebrar o progresso do jogador, ao mesmo tempo que planta a vontade de encarar novos desafios.

Para quem ama passar nervoso e quer o máximo de fidelidade o possível, é aí que a base de Forza Motorsport se mostra valiosa. Basta pegar seu volante e cockpit, ligar ao console e desativar todas as assistências para ter uma jornada altamente autêntica e desafiadora. Tem um pouco de tudo para todos.

Os cenários variados de um mundo aberto

Outro aspecto que diferencia Forza Horizon de Motorsport são as locações. Ao invés de utilizar pistas, a série derivada viaja pelo mundo todo, com títulos ambientados nos Estados Unidos, na Austrália ou nas estradas do Reino Unido. São jogos de mundo aberto, ou seja, você fica livre para explorar os vastos cenários entre uma corrida e outra.

Há uma grande ênfase na fidelidade visual. Dá para reparar muito disso nos carros em si, com um nível de detalhe que beira o obsceno. Mas se você é dos que mal sabe reconhecer o modelo do carona de aplicativo na rua, o jogo compensa com ambientes igualmente impressionantes. É altamente terapêutico dar um passeio por estradas à beira mar, ou então se encher de adrenalina por uma corrida off road nas várias colinas de um deserto.

Na prática, isso significa objetivos mais variados, que garantem que a experiência não se torne cansativa tão cedo. Em um momento você pode estar disputando um campeonato com corridas que atravessam florestas, mas no outro pode tentar a sorte em uma corrida de rua que cruza uma cidade grande. No meio disso tudo, ainda há inúmeros objetivos secundários, como radares que registram seu pico de velocidade, ou então paisagens e monumentos para observar, e até mesmo carros escondidos para colecionar.

O legal de Forza Horizon ser um mundo aberto assim é que o game consegue ir muito além da dinâmica padrão de corrida – ainda que a faça muito bem.

A música das rádios

Mas qual a justificativa para que a série fique viajando de um lugar para o outro? A premissa é que cada game é uma nova edição de um festival chamado Horizon Fest. Pense em algo como um Lollapalooza, só que com grande foco em automobilismo.

Dessa forma, a trilha sonora é parte fundamental da experiência de um Forza Horizon. Através de várias rádios, que também trazem mensagens sobre o seu progresso na carreira, é possível sentir o line-up do festival, com uma excelente curadoria de hits de rock indie, rap e hip-hop, eletrônica, ou até mesmo música clássica, para quem busca algo mais épico ou meditativo.

Ao longo dos anos, os games da série já contaram com artistas como Arctic Monkeys, Chvrches, Skrillex, Haim, Lil Nas X, Beck, The 1975, Dua Lipa, M83, Justice, entre muitos outros. É um efeito muito parecido com o de FIFA, em que a ótima trilha sonora não só ajuda a dar um clima mais descontraído e divertido para o game, como também serve como uma boa forma de conhecer novos artistas e expandir seu gosto musical.

Infelizmente, isso é uma faca de dois gumes. Por conta do extenso licenciamento de faixas que os games fazem, é comum que os jogos de Forza Horizon deixem de ser vendidos em cerca de quatro anos após o lançamento.

Hoje em dia, por exemplo, não há mais cópias digitais do primeiro título, lançado em 2012 para o Xbox 360 – ainda que o game esteja disponível na retrocompatibilidade -, e nem do segundo ou terceiro, que fizeram sua estreia nos primeiros anos do Xbox One.

Lançado para o Xbox 360 em 2012, o primeiro Forza Horizon hoje só existe em mídia física

Pela lógica, Forza Horizon 4 deve desaparecer das lojas digitais em outubro de 2022. A única forma de revisitar os games antigos é através da mídia física, um triste lembrete de que preservar as experiências ainda não é uma prioridade para a indústria de games.

Pelo lado bom, Forza Horizon 5 é bastante acessível. A franquia foi crescendo para além do Xbox, e o capítulo mais recente – que é ambientado no México – pode ser curtido tanto na geração passada (Xbox One), na geração atual (Xbox Series X | S), no PC, e até no celular via Xbox Cloud Gaming.

O título também integra o catálogo do Xbox Game Pass desde o lançamento. Sendo assim, mesmo que você tenha um pé atrás com jogos de corrida, vale dar uma segunda chance e tirar uns minutinhos para conhecer Forza Horizon. Você nem perceberá como eles rapidamente se tornam horas de diversão em alta velocidade.

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117