O Exorcista: O filme é mesmo amaldiçoado? Entenda as histórias por trás do clássico do cinema

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O Exorcista: O filme é mesmo amaldiçoado? Entenda as histórias por trás do clássico do cinema

Por Arthur Eloi

Mesmo quase 50 anos depois de estrear, O Exorcista (1973) continua um dos melhores e mais horripilantes filmes de terror. O longa de William Friedkin, baseado na obra de William Peter Blatty, é um clássico absoluto, que mudou os rumos do gênero, e que mantém muito de seu impacto até hoje.

Na verdade, a fama de O Exorcista só aumentou ao longo dos anos, ao ritmo que histórias sobre supostas desgraças de seus bastidores ganharam popularidade. Junte uma obra macabra, que lida diretamente com demônios e crises de fé, com relatos de acontecimentos bizarros no set, e assim surge a teoria de que a produção sofreu algum tipo de maldição.

Qual é a maldição de O Exorcista?

Possessões demoníacas e exorcismos são assuntos bastante delicados, do tipo que muita gente se arrepia só de pensar sobre. É comum que obras que tocam no assunto ganhem reputação sombria. É o caso de “Sympathy for the Devil”, hit dos Rolling Stones que a banda jura que sempre acontece algo estranho quando tocam ao vivo. O efeito ao redor de O Exorcista é parecido.

O filme foi lançado em 1973, em uma sociedade norte-americana que cada vez mais temia ocultismo e demonologia, justamente entre o fim do otimismo sessentista e a histeria coletiva chamada de Pânico Satânico, que tomou conta da década de 1980 e teorizava cultos satanistas envolvidos em tráfico e manipulação de crianças. O longa não só se aproveitou desse momento de fervor religioso e surto, como também pode ter ajudado no pânico moral, já que deu uma representação visual dos maiores medos do público que teme ao capeta.

Na época, todo tipo de história surgiu. Há quem afirme que o longa era obra do diabo, e que assistir traria consequências diabólicas. Já outros relatos apontavam pessoas passando mal, tendo ataques epiléticos e desmaiando durante as sessões no cinema.  Anos depois, a atriz Linda Blair – a Regan de O Exorcista – assumiu que todos esses relatos bizarros eram só uma forma de despertar o interesse do público, o que deu bem certo.

Falar que seu filme fez gente desmaiar no cinema continua uma ótima estratégia de marketing, como provou Raw (2016).

O filme tem 83% de aprovação no Rotten Tomatoes, e arrecadou US$193 milhões na bilheteria mundial, tendo sido feito em um orçamento de US$11 milhões. E a estratégia funciona bem até hoje, como mostrou a francesa Julia Ducournau em 2016, cujo terror canibal Raw supostamente também abalou muita gente em festivais afora.

Mas apontar para o fervor religioso da época, e uma boa jogada de marketing, não seria o suficiente para justificar O Exorcista ter adquirido o status de um filme amaldiçoado. Um monte de coisa estranha aconteceu de verdade.

As bizarrices do set de O Exorcista

O que ajuda a reforçar a maldição de O Exorcista são suas tenebrosas histórias de bastidores. Muitos dos relatos envolvem a figura do diretor William Friedkin, descrito como uma pessoa intensa e controladora, que não cuidou do bem estar de seu elenco ou equipe. Por exemplo, durante uma cena em que a jovem possuída estapeia a própria mãe, Chris (Ellen Burstyn), a personagem teria que ser jogada pelo quarto. Para isso, a atriz foi amarrada a um cabo, com um membro da equipe puxando-a para o chão.

A equipe conseguiu a cena logo na primeira tentativa, ainda que Ellen Burstyn tenha afirmado que foi puxada com muita força e que isso poderia ter a machucado. Friedkin, por sua vez, pediu por mais um take, e dessa vez instruiu que o cabo fosse puxado com ainda mais força. O resultado é que a atriz caiu, bateu as costas no chão e ainda machucou o cóccix. A sua reação, de dor genuína, foi utilizada na versão final do filme.

Há relatos de que William Friedkin também costumava andar armado pelo set. Em uma cena, em que o padre Karras (Jason Miller) estuda uma suposta gravação da voz do demônio, até que se assusta com o som do telefone tocando. O momento demorou para ser rodado, já que o diretor não se contentava com a performance do ator. Em dado momento, Friedkin sacou sua arma e deu um tiro, para a surpresa de Jason Miller. Assim como o machucado de Ellen Burstyn, essa cena – em que o padre vira o rosto, em choque – acabou sendo usada no filme.

É possível notar um padrão, de que o cineastas gostava de reações espontâneas – mesmo que isso significasse machucar o próprio elenco. Nem mesmo Linda Blair conseguiu se safar, e acabou ferida ao ser colocada em uma máquina para simular convulsões. A cena também foi usada no filme.

A grande maioria das bizarrices do set de O Exorcista surgiram de algum comportamento questionável de William Friedkin.

Além da ética questionável de William Friedkin, responsável por muitos relatos dos bastidores, alguns eventos sem explicação também ajudaram a aumentar a fama macabra de O Exorcista. Por exemplo, um incêndio no estúdio acabou destruindo boa parte dos sets do longa – exceto pelo quarto de Regan, por algum motivo desconhecido.

Também houve uma estranha lista de mortes relacionadas às pessoas da produção, como o avô de Linda Blair e o irmão de Max von Sydow (padre Merrin), além de dois atores, um expert em efeitos especiais e até um segurança do set terem morrido durante o período de filmagens. Se não bastasse, um dos figurantes até chegou a confessar um assassinato cinco anos após o lançamento do longa.

Maldição ou não, O Exorcista só aumenta em impacto e importância como uma obra verdadeiramente sombria. Todas essas desgraças apenas elevaram os bastidores ao ponto de lenda urbana. Recentemente, o Shudder decidiu mergulhar nas histórias do set e conversar com os envolvidos na série Cursed Films, que conta até com depoimentos de Linda Blair e outros participantes.

Depois de várias sequências de todo tipo, o clássico agora receberá um tratamento a lá Halloween, com o diretor David Gordon Green desenvolvendo uma continuação direta ao original, que ignora os eventos de todas as sequências anteriores.

Se o cineasta prestou atenção na bizarra história dos bastidores do clássico, então tomará a mesma decisão que a produção de O Exorcista tomou durante as filmagens na década de 1970: contratar um padre para abençoar o set. É melhor prevenir do que remediar, certo?

O Exorcista está disponível no catálogo da HBO Max. Aproveite e confira:

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117