Dublagem: a adaptação de culturas para o cinema e TV

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Dublagem: a adaptação de culturas para o cinema e TV

Por Evandro Lira

Imagina um brasileiro que viveu as últimas quatro décadas sem o impacto de Chaves, série mexicana obrigatória da nossa TV. O que fariam as crianças da década de 90 sem as influências de animes como Dragon Ball e Pokémon, ou até mesmo sem os grandes clássicos da Disney, repletos de músicas icônicas como ‘Um Mundo Ideal’ e ‘Hakuna Matata’? Felizmente, não precisamos ir muito longe nessa reflexão já que essa não foi a realidade destas gerações. E tudo isso graças a uma engenhosidade simples mas essencial: a dublagem.

A barreira cultural e linguística que afasta nações umas das outras poderia ter nos impedido de conhecer algumas das obras mais importantes de nossas vidas. No audiovisual, a solução foi a dublagem, que traduzia as palavras de todos os personagens de um filme para o idioma de cada local onde a obra pretendia alcançar.

A história da dublagem no Brasil

Nas primeiras décadas do cinema, os obstáculos da linguagem não eram um problema, afinal, os filmes eram silenciosos. No entanto, com o advento do som em 1927, quando chegou às salas de cinema O Cantor de Jazz, os produtores se viram diante de um grande desafio: como exportar seus filmes quando o público estrangeiro não entendia o idioma falado?

Foi a partir disso que países como França, Itália, Espanha e Alemanha passaram a adotar, com os filmes norte-americanos, a técnica que conhecemos por aqui como dublagem, onde atores nativos recriavam as vozes do filme original.

A primeira obra a ser dublada em português no Brasil chegou ao país apenas no final da década de 30, com a estreia do primeiro longa-metragem animado do cinema, Branca de Neve e os Sete Anões, da Disney. Dalva de Oliveira, consagrada cantora brasileira, foi convidada a emprestar sua voz para a princesa e eternizou seus vocais na boca da personagem.

Todos os filmes da Disney que se seguiram chegaram ao Brasil com dublagem em português. Mesmo assim, a técnica ainda era adotada por poucos, com a maioria dos filmes sendo exibidos somente em seu idioma original com legendas.

Em 1954, Herbert Richers criou um dos primeiros estúdios de dublagem do Brasil, que acabou se tornando o maior do país depois que o presidente Jânio Quadros, em 1961, determinou que todas as produções estrangeiras exibidas na TV fossem dubladas.

A medida não beneficiou apenas Herbert Richers – que no auge dos anos 80 e 90 fazia a versão brasileira de 70% dos filmes e séries -, mas também permitiu o surgimento de estúdios como Cinecastro, Dublasom, AIC, Álamo, entre outros.

O setor da dublagem ganhou ainda mais força na década de 90, com uma verdadeira invasão de produções hollywoodianas e japonesas nos cinemas e na televisão. A primeira década de 2000 viu o “boom” das TVs por assinatura, e a década seguinte viu nascer o vídeo sob demanda e o streaming, o que aumentou consideravelmente a quantidade de conteúdos dublados acessíveis ao público.

Momentos LH: Dublagem

Com o intuito de nos deter sobre essa técnica fundamental para fãs de cultura e para a sociedade como um todo, lançaremos por aqui uma série de matérias, listas e reportagens sobre dublagem, como parte do Momentos LH de julho de 2021.

A partir de hoje, tanto aqui no site, como no Twitter, Instagram, YouTube e TikTok, abordaremos o papel da dublagem como um instrumento de acessibilidade, investigaremos os desafios de dublar durante a pandemia de COVID e relembraremos de algumas das dublagens mais icônicas da nossa infância e adolescência. Esses são apenas alguns dos conteúdos sobre o assunto que você vai conferir no Momentos LH!

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira