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Dinastia M: Entenda o quadrinho que influenciará WandaVision

Por Gus Fiaux

Em pouco mais de uma semana, teremos um dos lançamentos mais aguardados do ano. Após um ano sem nenhum novo projeto do Universo Cinematográfico da Marvel, a franquia voltará à ativa com WandaVision, a primeira série do Disney+ desenvolvida pela Marvel Studios. Na trama, vamos acompanhar a Feiticeira Escarlate vivendo em um “mundo perfeito” com o Visão, o que causa problemas severos na realidade.

A série terá influências de várias HQs clássicas dos dois heróis. Entretanto, uma das sagas que deve ter uma presença significativa é Dinastia M, um grande evento de escala mundial que envolveu os Vingadores e os X-Men, no cerne de uma realidade insana criada por Wanda Maximoff. Pensando nisso, decidimos listar aqui tudo o que você precisa saber sobre essa saga e como ela pode influenciar a mais nova série do MCU!

Vingadores: A Queda e a origem da loucura de Wanda Maximoff.

Na Marvel, é muito comum ver histórias que traçam um paralelo entre problemas mentais e psicológicos com poderes divinos. Quanto maior poder é dado para seres humanos mortais, mais eles são corrompidos por isso e mais se tornam destrutivos para si mesmo e para seus aliados. Basta ver o caso do Sentinela e até mesmo da Fênix Negra. E com a Feiticeira Escarlate, temos um caso bem parecido, que foi construído lentamente ao longo dos anos.

Conhecida por seus dons de manipulação da realidade aliados à magia do caos, a heroína desenvolveu um grande relacionamento com o Visão, seu colega de equipe dos Vingadores. Juntos, eles tiveram um romance muito importante durante anos e até pensaram em formar uma família juntos. Foi aí que o casal deu um tempo na vida heroica, enquanto a Feiticeira engravidava de dois bebês, William Thomas Maximoff. Acontece que, como o Visão é um ser inorgânico, essa gravidez acabou sendo alvo de várias suspeitas.

Eventualmente, descobriu-se que Wanda Maximoff havia “criado” seus filhos a partir de fragmentos da alma do demônio Mephisto. Em suma, os garotos não eram reais – e uma hora, o demônio voltou para coletar os pedaços de sua própria alma. Isso fez com que Wanda tivesse seu primeiro grande surto, trazendo muitos problemas para seus aliados. E então, os Vingadores tiveram a “brilhante” ideia de apagar a mente da heroína em relação aos seus filhos, para que ela pudesse tomar controle de seus poderes novamente sem ter que lidar com a crise emocional.

Isso tudo acaba desembocando na saga Vingadores: A Queda, um dos arcos mais famosos de Brian Michael Bendis à frente dos títulos da equipe. Na trama, os heróis começam a ser devastados em uma série de ataques surpreendentes e inesperados, vindos de um inimigo misterioso. Ao fim, revela-se que esse vilão nas sombras é, na verdade, Wanda Maximoff, completamente enlouquecida após ter se lembrado da história de seus filhos e de como aqueles que achava que eram seus amigos fizeram de tudo para apagar tudo isso da mente dela.

Foi nesse ponto que a Feiticeira Escarlate passou a ser vista como uma figura bem mais complexa do que era vista até então. Ela acabou se provando uma grande vilã para os Vingadores, ainda que seus atos tenham sido irracionais e, até certo ponto, justificáveis. Ainda em um colapso psicológico grave, Wanda é levada por Charles Xavier e por Magneto, para ser tratada entre os “seus” – lembrando que, naquela época, a personagem era retratada como uma mutante nas HQs da Marvel.

Dinastia M e o mundo perfeito de Wanda.

Um ano depois, levando em conta as repercussões de Vingadores: A Queda, temos um outro evento que vem para balançar todas as estruturas do Universo Marvel. Composta por oito edições e alguns tie-ins, a saga já apresenta Wanda Maximoff desde o começo como a causadora de todos os “problemas” – exceto que, dessa vez, suas ações são bem menos vilanescas. Ela basicamente cria um mundo perfeito, onde todos os heróis têm seus maiores sonhos realizados.

Isso significa que Peter Parker finalmente pode ter seu final feliz ao lado de Gwen Stacy, Carol Danvers é a heroína mais amada dos Estados Unidos, Emma FrostCiclope são casados e os mutantes, como um todo, são a raça dominante, sempre em posição de destaque e não mais vistos como as figuras temidas e odiadas pelos seres humanos, que passam a ser uma minoria. Porém, alguns dos heróis – como o Wolverine – começam a se lembrar de suas vidas no universo “normal”. Isso gera uma grande rebelião e todos partem em busca da cabeça de Wanda.

Dinastia M tem esse nome porque, nesse mundo perfeito, a Família Maximoff era a realeza, comandando tudo com ideais justos e muita generosidade. Tínhamos o Magneto como líder e patriarca, junto de seus três filhos – Polaris, Mercúrio e Feiticeira Escarlate (voltando a lembrar que, na época, tanto Wanda quanto Pietro eram tidos como filhos de Magneto, algo que foi desfeito em tramas recentes). Além deles, temos de volta Thomas William Maximoff, os filhos “falsos” de Wanda.

Com todo o status de vilão que tinha, muitos acreditavam que o Magneto era o responsável, manipulando a mente de sua própria filha para criar um mundo onde os mutantes eram amados e ele era um grande líder. Porém, ao fim da saga, nós descobrimos que tudo aquilo havia sido um plano de Pietro Maximoff, o Mercúrio – que desejava seguir os passos do pai e trazer um mundo onde ele e sua espécie estivessem no topo da cadeia alimentar. Ao perceber, Wanda restaura a realidade e tem um novo surto e quase dizima a população mutante da Terra.

Todo esse evento trouxe consequências significativas para o Universo Marvel, mas foi ainda mais poderoso no que diz respeito à própria personagem da Feiticeira Escarlate. Além de todas as transformações que ela sofreu a partir dali – e que nós iremos discutir logo -, a heroína ganhou mais complexidade. Além de lidar com a depressão e outros transtornos de personalidade, ela se torna uma figura trágica que precisa lidar com a grandiosidade de seus poderes.

Consequências da Dinastia M

Nas HQs, a Dinastia M trouxe várias questões importantes que foram expandidas e trabalhadas em outros arcos posteriores. Além das questões psicológicas de Wanda (que permanecem sendo abordadas nas HQs até hoje), temos que lembrar que a própria personagem “sumiu” por muito tempo, até ser encontrada novamente na Latvéria, prestes a se casar com o Doutor Destino – e isso aconteceu durante o evento Vingadores: A Cruzada das Crianças. 

Para os mutantes, a situação foi trágica. Com a icônica cena do “sem mais mutantes”, Wanda quase dizimou o gene X no mundo, deixando apenas 200 mutantes com seus poderes, quando antes haviam milhões. Essa foi uma decisão editorial da Marvel para limitar a presença dos X-Men nas HQs, tendo em vista que haviam muitos mutantes no universo naquela época, o que deixava algumas tramas bem inverossímeis e com furos narrativos. Tudo isso gerou grande repercussão nos títulos mutantes até o começo da década de 2010.

Foi aí que tivemos um grande evento chamado Vingadores vs. X-Men. Para dar uma história básica, a revista traz Hope Summers (a primeira nascida mutante após a Dinastia M) sendo “convocada” para se tornar a nova hospedeira da Força Fênix. Isso gera um baita conflito entre os Vingadores e os X-Men, com cada grupo mostrando autoridade para cuidar de suas próprias jurisdições. O fim da saga, que é o que importa para nós agora, traz Hope e Wanda se unindo para combinar seus poderes e restaurar o gene X no planeta.

Essa talvez seja a maior consequência do arco, mas outros detalhes também são importantes. Por exemplo, foi após o evento que descobrimos que Wiccano e Célere, dois importantes membros dos Jovens Vingadores, eram reencarnações dos filhos da Feiticeira Escarlate, nascidos em outros corpos. Isso trouxe mais complexidade à história da família Maximoff. Infelizmente, boa parte dessa ideia da família foi quebrada no evento EIXO, no qual descobrimos que Wanda e Pietro não eram mutantes e nem filhos de Magneto, como se acreditava há anos.

Como Dinastia M pode influenciar WandaVision

Prestes a ser lançada, WandaVision é uma produção de grande porte da Marvel Studios que finalmente vai dar espaço para a Feiticeira Escarlate, após vários longas onde ela é apenas uma coadjuvante ligada aos Vingadores. A série não deve adaptar um arco específico das HQs, mas irá pegar várias referências e ideias de eventos e sagas importantes para construir sua própria narrativa, e Dinastia M já foi confirmada como uma das inspirações.

Após o fim de Vingadores: Ultimato, sabemos que Wanda está completamente desolada pela destruição do Visão. Isso acaba resultando em uma das cenas mais épicas do filme, onde a heroína batalha contra Thanos violentamente. Porém, por algum motivo, o Visão estará de volta na série do Disney+. Dessa vez, entretanto, tudo leva a crer que o retorno do androide será algo causado pela própria Wanda, que está finalmente desbravando seus poderes de alteração da realidade.

Nisso, os trailers deixam bem nítido que o “mundo perfeito” habitado por Wanda e Visão não passam de uma construção falsa, uma mentira onde os dois finalmente puderam realizar seu maior sonho (como funciona a premissa de Dinastia M). Pode ser que Wanda esteja criando essa realidade, seja por vontade própria ou devido à manipulação de outra pessoa, o que também pode ser uma grande referência ao evento nas HQs, ainda que não exista mais um Mercúrio no universo dos filmes.

Outro elemento que muitos estão especulando a respeito de WandaVision é a própria questão mutante. Como bem sabemos, a Marvel Studios vai fazer um reboot dos X-Men em um futuro não muito distante e é bem provável que algumas pistas já sejam plantadas aqui. Uma teoria bem popular na internet é que a série vai trazer uma espécie de “Dinastia M Reversa”, onde Wanda pode criar (ou simplesmente “despertar” a raça mutante, em vez de dizimá-la).

O que fica para o futuro do Universo Cinematográfico da Marvel?

Claro que tudo isso não passa de especulação até o momento. Ainda assim, é inegável que a série pode trazer grandes consequências para o Universo Cinematográfico da Marvel, algo que Kevin Feige já promoveu em entrevistas de divulgação do projeto. A maior ligação que teremos vem da própria Feiticeira Escarlate, que também vai dar as caras em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura.

Como WandaVision já parece trabalhar com “realidades alternativas”, faz bastante sentido que, ao fim da série, uma porta para o Multiverso seja aberta – e isso será o que vai unir os heróis no segundo longa do Doutor Estranho. E isso pode ser um passo fundamental também para trabalhar poderes mais importantes da Feiticeira Escarlate nas HQs, como o uso de magia – algo que, até o momento, ainda não foi visto nos cinemas.

Além disso, também é válido lembrar que a série irá apresentar os filhos de Wanda, algo que pode vir a ter muito destaque no futuro, especialmente se Wiccano e Célere forem apresentados de fato como parte dos Jovens Vingadores. Dessa vez, é bem difícil acreditar que vão seguir o rumo das HQs e colocar os dois jovens heróis como “reencarnações das almas dos filhos perdidos de Wanda”, algo que é muito complexo para se explicar. Basta trazê-los como filhos dela e pronto.

Por essas e outras, WandaVision é uma série que nos desperta um grande interesse e logo vamos poder desfrutar dela com mais calma. Embora não possa adaptar literalmente o que há em Dinastia M, a série ainda pode ser um projeto bem intrigante caso siga algumas pistas e elementos deixados pela saga nas HQs. É um futuro brilhante (e assustador), que promete finalmente desenvolver a Feiticeira Escarlate e mostrá-la como uma das heroínas mais poderosas do MCU – isso se não for a mais poderosa.

WandaVision estreia no dia 15 de janeiro, no Disney+.

Abaixo, veja 10 coisas para notar no segundo trailer de WandaVision:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux