Capa da Publicação

Review: Temtem é um jogo divertido, mas incompleto

Por Leo Gravena

A primeira vista Temtem é apenas mais uma cópia de Pokémon. Você cria seu personagem, se torna um “Treinador Temtem” e sai por várias ilhas caçando monstrinhos e os capturando, fazendo com que eles entrem em sua equipe e lutando com outros treinadores que surgem em seu caminho. Sim, o jogo se “inspira” completamente em Pokémon, mas também consegue trazer coisas diferentes e novas, algumas as quais o grande jogo da Nintendo poderia aprender com.

Ficha Técnica:

 

Desenvolvedora: Crema

Publicadora: Humble Bundle

Diretor: Guillermo Andrades

Plataformas: Microsoft Windows, PlayStation 5, Nintendo Switch, Xbox Series X/S

Lançamento: 21 de janeiro de 2020 (Microsoft Windows); 8 de dezembro de 2020 (PlayStation 5); Em algum momento de 2021 (Nintendo Switch, Xbox Series X/S)

Temtem

Temtem inicialmente foi anunciado como um jogo de kickstarter e logo acabou gerando buzz o bastante para conseguir um lançamento grande em várias plataformas. Ainda assim, ele passa bastante o sentimento de um jogo indie, feito por fãs de Pokémon que gostavam muito do jogo no início dos anos 2000, cresceram, se tornaram designers e produtores de games e decidiram implementar todas essas coisas que gostariam de ver na franquia em um jogo completamente deles. E não há absolutamente nenhum problema nisso, muito pelo contrário.

Temtem passa a sensação de quase ser uma evolução mais ambiciosa e diferente de Pokémon, que realmente ouviu os fãs após vários anos de reclamações e pedidos de algo diferente que não fosse apenas versões maiores e mais poderosas dos mesmos monstrinhos.

Um dos elementos mais interessantes do jogo é o MMORPG.

De início, duas coisas se destacam de uma maneira muito positiva: Cada “Temtem” possui habilidades que ficam mais fortes quando eles estão na presença de um outro tipo de monstrinho, um tipo de sinergia de movimentos, que faz com que você queira realmente ter uma equipe diversa e acaba fazendo com que, pelo menos no início do jogo, você teste e descubra combinações bem interessantes.

A segunda é o elemento de MMORPG, que vários jogos feitos por fãs de Pokémon já fazem há muito tempo, porém que a franquia principal simplesmente finge não ser algo pedido por muitos fãs como uma opção (especialmente após a campanha principal ser finalizada) por anos.

O jogo também não tem medo de incluir personagens não-binários e usar linguagem neutra, algo que alguns podem até estranhar no começo, já que são vários X em todas as palavras possíveis, mas ao mesmo tempo é algo muito bonito ver a preocupação dos criadores em não limitar os personagens à gêneros. Inclusive na criação de seu treinador, todas as opções estão disponíveis independente do gênero escolhido, sejam elas de características físicas ou roupas.

Temtem possui diversas opções de personalização, tanto na criação do treinador quanto mais tarde no jogo.

Ainda falando sobre elementos do jogo que a franquia Pokémon poderia trazer para a franquia principal (e não em um jogo derivado) é que em Temtem, após uma missão secundária, você pode conseguir uma casa e decorá-la da maneira que quiser. Sim, é quase uma mistura de Pokémon com Animal Crossing.

Mas certamente, uma das experiências mais surpreendentes foi que antes de jogar Temtem, sabendo que era um monster collector MMORPG, realmente fiquei com medo do tipo de comunidade que o jogo teria, afinal, basta ter jogado qualquer título online para ficar com medo. Contudo, pelo menos na semana inicial que joguei, tudo o que encontrei foram pessoas jogando tranquilamente (e até algumas crianças muito educadas), que estavam se divertindo e em nenhum momento os poucos trolls tiveram qualquer reconhecimento ou respostas, ficando apenas com as denúncias e o esquecimento. 

Jogo utiliza linguagem de gênero neutro

Ainda assim, nem tudo são flores. Obviamente, sendo “inspirado” por Pokémon, ele também acaba pegando vários pequenos problemas da franquia. O principal é a demora em ir de um lugar para o outro, algo que aumenta com a dificuldade em conseguir as pranchas de surf e usar os “aviões”. 

O jogo também traz algo que já foi muito discutido na comunidade de Pokémon desde os primórdios da franquia e hoje é aceitável que cada um tenha sua opinião sobre – e particularmente odeio: os treinadores contra os quais você precisa lutar para avançar em uma rota. Isso se torna bastante irritante em alguns momentos, principalmente quando você precisa fazer isso diversas vezes em um mesmo caminho.

Cada Temtem possui uma classe diferente

Talvez um dos elementos mais estranhos do jogo é o fato dele não ter um tutorial.

Você é simplesmente jogado nesse mundo e se quiser saber qual tipo de Temtem é forte contra outro você precisa buscar informações na internet ou se aventurar e descobrir sozinho. Caso você tenha alguma familiaridade com Pokémon você vai saber usar alguns elementos das paradas e a dica básica de sempre olhar as lixeiras, mas, para quem nunca jogou algo do tipo anteriormente, a experiência inicial pode ser bem confusa.

Os visuais do jogo também são bem bonitos, principalmente os treinadores, que são todos bem diferentes e com visuais coloridos e chamativos, contudo os cenários acabam sendo, na maior parte das vezes, bem mais do mesmo.

Muitos elementos da jogabilidade são confusos, como as UI (interfaces do usuário), que são bem complicadas de se navegar, e não há um motivo bom para elas serem assim. Os botões no Playstation 5 também não são facilmente reconhecíveis e várias vezes você se pergunta qual deles é preciso apertar para fazer determinada ação. 

As batalhas são bem semelhantes às de Pokémon

Vale lembrar, contudo, que o jogo ainda está em acesso antecipado. O que isso significa? Muita coisa ainda está incompleta – então você pode querer esperar um pouco antes de adquiri-lo. Vários locais estão fechados, diversos Temtem não podem ser capturados e algumas evoluções não foram adicionadas.

No momento, Temtem está dando seus passos iniciais, porém ele tem tudo para se tornar um título grande, divertido e cheio de aventuras para todas as idades. O elemento de MMORPG deixa tudo ainda mais divertido, já que você pode jogar e evoluir com seus amigos. Porém, ele ainda precisa continuar melhorando – e isso é algo que tenho bastante certeza de que irá acontecer.

Nota: 3,5/5

Para a crítica foi testada a versão no PS5 do jogo.

Aproveite e confira também:

Imagem de perfil
sobre o autor Leo Gravena

Editor | @LeoGravena
"...It was never going to be okay..."