[Crítica] Super Mario 3D World + Bowser’s Fury é caótico, sofisticado e melhor com os amigos

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[Crítica] Super Mario 3D World + Bowser’s Fury é caótico, sofisticado e melhor com os amigos

Por Gabriel Mattos

Mesmo com hardware controverso, o Nintendo Wii U nunca decepcionou em seu acervo de jogos originais. Super Mario 3D World é um jogo tão radiante que não se conteve no fracasso do console e, acrescentado de uma revigorante campanha inédita, ganhou uma nova vida no Nintendo Switch. Nasce assim Super Mario 3D World + Bowser’s Fury — uma celebração de tudo que os jogos do encanador fizeram de melhor em sua história.

Ficha Técnica:

Desenvolvedora: Nintendo

Publicadora: Nintendo

Diretores: Koichi Hayashida e Kenta Motokura

Plataformas: Nintendo Switch

Lançamento: 12 de fevereiro

Mario da galera!

Assim que ligar o jogo, terá a opção entre jogar Super Mario 3D World — uma aventura para até quatro jogadores com estrutura clássica de fases — ou Bowser’s Fury, um mundo aberto em que você deverá enfrentar a fúria implacável do Rei dos Koopas.

Super Mario 3D World é exatamente o mesmo jogo do Wii U, adaptado para tirar proveito completo do Nintendo Switch. A ideia aqui é reunir os amigos para uma coletânea de fases 3D criativas, recheadas de segredos. O grande foco é a exploração e o trabalho em equipe, de um modo que nenhum outro jogo da franquia soube executar.

Além de Mario, cada jogador pode optar por jogar com Luigi, Toad e até mesmo a adorável Princesa Peach. Dessa vez, a monarca do Reino dos Cogumelos escapou de ser sequestrada por Bowser e se junta a equipe para resgatar as sete princesas feéricas do Reino das Anafadas.

O poder felino potencializa a verticalidade dos chefes

Cada personagem conta com habilidades únicas, pensadas para agradar diferentes tipos de jogadores. O pequeno Toad, por exemplo, é o mais rápido do grupo para aqueles que correm contra o relógio. Já a Peach pode flutuar após um salto, trazendo mais controle para quem prefere a exploração.

A solução é exploração

Explorar é essencial para encontrar as estrelas verdes e os carimbos escondidos em cada fase. Colecionar todos exige determinação, curiosidade e habilidade. Quem conseguir é recompensado com ainda mais fases para se divertir.

3D World introduziu também dois novos power-ups — os superguizos e as duplicerejas — que investem em potencializar os dois grandes pilares dessa experiência: a verticalidade das fases e a cooperação.

As duplicerejas invocam o caos do multiplayer mesmo quando estiver sozinho.

Os superguizos te transformam em uma adorável versão felina que consegue explorar cada cantinho do cenário. Esse poder é uma das chaves para o sucesso do jogo entre seus diferentes públicos, porque ao mesmo tempo que recompensa os jogadores mais habilidosos aumentando a variedade de técnicas em seu arsenal, os superguizos também são uma mão na roda para os novatos.

Já a duplicereja cria até quatro clones do seu personagem para você curtir um gostinho da experiência cooperativa, mesmo quando seus amigos estão indisponíveis. A experiência de controlar seu próprio esquadrão de Princesas Peach fica guardada na memória. É uma pena que as cerejas apareçam em pouquíssimas fases.

Concluir a aventura principal não deve tomar mais do que seis horas, mas se você, assim como eu, se encantar com o jogo no processo, Super Mario 3D World tem conteúdo o suficiente para te prender por dias explorando cada segredo de suas fases geniais.

O jogo está completamente em português de Portugal, o que é um avanço.

O futuro de Mario

Além da experiência consagrada no Wii U, essa nova versão aproveita os recursos de Super Mario 3D World para criar uma experiência completamente inédita— Bowser’s Fury. E é na excelência dessa expansão que ficam claros os defeitos do jogo original.

Como o título sugere, Bowser foi consumido pelo ódio de mais uma derrota para Mario e isso o transformou em um monstro sombrio e gigantesco que muito lembra o Godzilla. Ele está completamente fora de controle, corrompendo uma dimensão inteira. Desesperado, seu pequeno filhote, Bowser Jr., se viu obrigado a implorar pela ajuda de Mario.

Para iluminar o caminho de Bowser, Mario precisa acumular dezenas de sóis felinos que irão ativar faróis espalhados por um tímido mapa de mundo aberto. É possível conseguir tais sóis das mais diversas maneiras: derrotando mini-chefes, coletando moedas em um tempo limitado ou simplesmente chegando no topo de pequenas ilhas.

Mario e Bowser Jr. precisam impedir que esse mundo seja corrompido pelo ódio

Bowser’s Fury traz diversas melhorias na jogabilidade, como a abolição do sistema de vidas, que tornam a experiência mais agradável que Super Mario 3D World. Além disso, essa expansão foi muito sagaz ao adaptar fases que deram certo no original e conectá-las de maneira orgânica em um único mapa. A construção do jogo é bem elegante. Cada ilha funciona como uma própria fase com cinco maneiras diferentes de conseguir novos sóis, incentivando que os jogadores explorem tudo no seu ritmo.

Fogo nos olhos

A exploração remete ligeiramente ao recente sucesso do encanador no mesmo console — Super Mario Odyssey — mas um olhar atento mostra que a verdadeira intenção de Bowser’s Fury é implementar com maestria tudo que Super Mario Sunshine falhou em conseguir em 2002.

Mario contra Bowser ou seria Kong vs Godzilla?

Explorar as ilhas corrompidas de Bowser’s Fury desperta um sentimento agridoce. Se por um lado a jogabilidade brilha como nunca em um cenário onde a exploração invoca liberdade, a duração diminuta do jogo deixa um gosto amargo de estar jogando uma expansão que deveria ter se tornado um projeto completo.

Mesmo que por poucas horas, esse é um daqueles jogos que prende completamente a sua atenção, especialmente quando a fúria do temível Rei Koopa atacar. Tornar o vilão uma ameaça constante foi uma sacada de gênio dos produtores. Quando ele se enfurece, o jogo muda completamente de um passeio agradável para uma fuga pela sobrevivência.

Enfrentar Bowser como uma versão gigantesca e endeusada do Mario Felino, mesmo que não seja muito desafiador, traz um sentimento épico para a aventura. É um verdadeiro choque de monstros, que poderia ter sido melhor explorado, mas já satisfaz pela imponência da situação.

Você pode criar os mais loucos cenários com os carimbos

Melhor com amigos

Por fim, vale enaltecer o incrível trabalho em adaptar recursos únicos do Wii U para essa versão definitiva do Nintendo Switch. Parte do charme de Super Mario 3D World estava em colecionar carimbos para utilizar no finado Miiverse — uma rede social exclusiva do Wii U.

Mantendo a essência social do jogo, a Nintendo decidiu incluir um modo foto. A qualquer momento é possível pausar a ação para decorar o cenário com os carimbos colecionáveis e tirar uma bela foto para o Twitter.

Posicionar os carimbos no cenário, e tudo mais que utiliza a tela touch, pode ser feito também diretamente por um ponteiro que usa o giroscópio dos controles. É possível interagir com diversos elementos do cenário, lembrando superficialmente a experiência do Super Mario Galaxy no Wii. Aprender a usar o cenário a seu favor vem a calhar nas fases mais difíceis, especialmente no modo online.

Jogar com os amigos nunca foi tão fácil com a adição do modo online. Especialmente nesse momento em que não é possível aglomerar fisicamente, a possibilidade de jogar a distância vem a calhar e foi implementada de uma maneira surpreendentemente efetiva. A experiência é suave na maior parte do tempo, dependendo principalmente da estabilidade da conexão de ambas as partes.

A única coisa que deixou a desejar foi a ausência de chat dentro do jogo. Só é possível conversar usando algum aplicativo externo no seu smartphone.

Dizem que os gatos têm sete vidas e isso se comprova em Super Mario 3D World + Bowser’s Fury. Um jogo incrível, que poderia ter morrido no esquecimento junto ao Wii U, mas ganhou uma nova vida no Nintendo Switch. Finalmente poder jogar com seus amigos onde estiver torna essa experiência ainda melhor. Nessa era em que jogos sociais estão cada vez mais populares, não existe momento melhor para se tornar um fã de Super Mario.

Nota do jogo foi 4 e meio de cinco estrelas

O jogo perfeito para se divertir com os amigos!

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sobre o autor Gabriel Mattos

Redator que joga mais Switch do que deveria e já leu todo o novo cânone de Star Wars, até os livros ruins. • @gabeverse