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Crítica: Space Jam Um Novo Legado é uma releitura que se sai melhor que o original

Por Evandro Lira

Estreou nos cinemas brasileiros Space Jam: Um Novo Legado, filme que é uma espécie de versão atualizada de Space Jam: O Jogo do Século para as novas gerações. O longa traz de volta os icônicos personagens da franquia Looney Tunes, mas dessa vez coloca o atleta LeBron James no centro da trama.

Nós já conferimos a produção e aqui você encontra, com detalhes, o que achamos da nova aposta da Warner Bros.

Ficha técnica

Título: Space Jam – Um Novo Legado (Space Jam – A New Legacy)

 

Direção: Malcolm D. Lee

 

Roteiro: Juel Taylor, Tony Rettenmaier, Keenan Coogler, Terence Nance, Jesse Gordon e Celeste Ballard

 

Ano: 2021

 

Data de lançamento: 15 de julho

 

Duração: 115 min

 

Sinopse: Quando LeBron e seu filho Dom são aprisionados em um espaço digital por uma I.A. trapaceira, LeBron precisa trazê-los de volta para casa em segurança levando o Pernalonga, a Lola Bunny e uma equipe indisciplinada de Looney Tunes a uma vitória contra os campeões digitais da I.A. na quadra.

A essa altura, já ficou claro que Space Jam é um produto de sua época. Se o filme de 1996 funcionou em algum momento foi no final da década de 90, quando Michael Jordan era um dos nomes mais famosos do esporte, os Looney Tunes significavam algo para as crianças e a ideia de unir animação e live-action ainda enchiam os olhos de qualquer pessoa.

Nesta versão repaginada lançada 25 anos depois, o diretor Malcolm D. Lee e o sexteto de roteiristas entendem que nem tudo que fazia do filme original atraente funciona nos dias de hoje, e que se preocupar em contar uma história que faça sentido já é um bom primeiro passo para começar.

Space Jam: Um Novo Legado, é claro, está longe de ser original, afinal, bebe da premissa básica do longa de 1996. No lugar de Jordan temos LeBron James, astro da NBA que, tal qual o protagonista do primeiro filme, precisa jogar uma partida de basquete ao lado dos Looney Tunes.

No entanto, a forma como isso é construído e apresentado é bem aceitável e, ao contrário de Space Jam: O Jogo do Século, faz o espectador suspender a descrença só até certo ponto. Os motivos que levam LeBron a ir parar no universo de propriedades da Warner Bros. é acompanhado por um desenvolvimento prévio que faz toda a diferença.

O grande vilão do filme é o algoritmo da Warner Bros. vivido por um divertido Don Cheadle. Al-G Rhythm deseja ver LeBron James sendo a estrela de sua nova plataforma, mas quando LeBron rejeita a ideia, o algoritmo vivo se sente desrespeitado e decide capturar o atleta e seu filho Dom (Cedric Joe) para dentro de seu servidor.

Não dá para reclamar muito do trabalho de CGI do filme, mesmo quando uma versão bizarra de Don Cheadle é colocada em tela em certo momento. Os efeitos visuais que permeiam Space Jam: Um Novo Legado conseguem aludir aos desenhos animados antigos e novos, bem como à estética de videogame da premissa.

Sob a companhia do Pernalonga que, assim como a maioria dos personagens, tem um arco principal muito bem traçado, a versão animada de Lebron precisa montar um time perfeito para o jogo contra Al-G. À medida em que eles se aventuram pelo universo de mundos da Warner – que inclui acenos para DC, Harry Potter e mais – Pernalonga está obstinado a resgatar sua “família” enquanto LeBron espera conseguir alguns dos mais fortes personagens da ficção para ajudá-lo. O desejo do atleta, porém, não vai muito longe e sobra para LeBron aceitar os Looney Tunes como aliados nessa briga contra a inteligência artificial.

A chuva de referências às marcas da Warner só se tornam um problema quando Space Jam: Um Novo Legado para a fim de brincar com elas. Quando LeBron “passa” voando pelos mundos de Game of Thrones, Matrix e até do clássico Casablanca, a coisa funciona como uma piscadela para o público. Contudo, por vezes, o espectador é obrigado a ver uma piada mais longa envolvendo cada uma das propriedades intelectuais da empresa, que no fim são meras distrações inúteis que não levam à nada.

O resultado de toda essa parafernália colorida e caótica são algumas piadas realmente inspiradas – como uma que envolve uma participação especial mais próxima do fim do longa -, mas também um tom épico que peca pelo excesso. Enquanto o filme acerta em boa parte da comédia e até mesmo no drama envolvendo a relação de LeBron com o filho, ele desliza em seu terceiro ato por apresentar um clímax longo, repetitivo e por vezes, desinteressante.

Veja bem, o jogo de basquete aqui é mais divertido que o jogo da obra original mas se estende por tempo demais, fazendo parecer que o filme nunca chega realmente aonde quer chegar, com diversos momentos – diversos mesmo! – em que a câmera lenta fica com o trabalho de dar dramaticidade à situação.

De qualquer forma, Space Jam: Um Novo Legado acaba sendo uma releitura que se sai muito melhor que o material original, o que não quer dizer que isso faz dele um filme exemplar. Trata-se de um produto capaz de entreter qualquer um que deseje se dar umas duas horas de descanso enquanto testa seus repertório de referências da cultura pop.

Nota: 3/5

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sobre o autor Evandro Lira

Editor, bacharel em Cinema e Audiovisual, bruxo nascido trouxa, filho dos filhos do átomo, mestre dos quatro elementos, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira