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Crítica: Escape Room 2: Tensão Máxima diverte ao abraçar de vez o absurdo

Por Arthur Eloi

Sofá assassino. Vestido assassino. Elevador da morte. Há décadas, o terror tem certa obsessão por desvirtuar objetos e experiências do cotidiano. Em 2019, isso chegou à mania crescente das salas de escape temáticas, brincadeiras em que grupos de pessoas são trancadas em um local e precisam resolver vários enigmas para descobrir como abrir as portas antes que um timer acabe. Escape Room, o filme, até soava como uma forma barata de se aproveitar da tendência, mas foi uma grata surpresa por entregar uma espécie de Jogos Mortais para a família toda.

Agora, dois anos depois, a sequência Escape Room 2: Tensão Máxima eleva tudo que funcionou no original, com mais confiança, puzzles absurdos e uma pitada de galhofa.

Ficha técnica

Título: Escape Room 2: Tensão Máxima
Direção: Adam Robitel
Roteiro: Will Honley, Maria Melnik, Daniel Tuch e Oren Uziel
Ano: 2021
Data de lançamento: 16 de julho de 2021
Duração: 88 minutos
Sinopse: Seis pessoas se encontram presas em uma série de escape rooms, lentamente descobrindo o que elas têm em comum para poder sobreviver. Com a ajuda de dois sobreviventes originais, logo elas percebem que todos já participaram desse jogo antes.

Torneio dos Campeões

A trama agora é focada em Zoey (Taylor Russell) e Ben (Logan Miller), os dois únicos sobreviventes do antecessor que descobrem que as salas de escape são operadas por organização secreta de ricos sádicos, que sequestram e forçam pessoas comuns a disputarem em jogos de vida ou morte para entretenimento e apostas. Traumatizados, os dois decidem caçar os responsáveis na cidade de Nova York. Sem saber, a dupla cai direto em uma nova armadilha, e passa a participar de uma nova série de salas letais – dessa vez, apenas com outros sobreviventes.

Por apenas ter veteranos no grupo, Tensão Máxima eleva o grau das armadilhas. No original, as mais ambiciosas se destacavam entre outras pouco inspiradas, como a cena do bar invertido. Aqui, todas mantêm um nível maior de complexidade e espetáculo desde o início. Seja tentando escapar de um trem carregado de estática, de uma praia repleta de areia movediça, ou então de chuva ácida, Escape Room 2 finalmente abraçou o absurdo de sua premissa para criar um maior número de salas grandiosas e mortais.

Sobreviventes do primeiro filme, Ben (Logan Miller) e Zoey (Taylor Russell) se tornaram protagonistas de Escape Room 2

Os destaques ficam para as armadilhas que são verdadeiramente imprevisíveis, com novas mecânicas e complicações surgindo a cada momento. É o caso de uma em que os participantes se encontram em um enorme banco, de visual de alto padrão e com um cofre aberto no final do saguão. Ao tentar caminhar em direção à saída, porém, descobrem que o piso xadrez funciona como um tabuleiro, e que um passo em falso ativa lasers por toda a sala. A busca por encontrar a solução é sufocante, com duas equipes separadas correndo contra o tempo para analisar pistas e testar teorias antes que seja tarde demais. O grande acerto de Escape Room 2 é saber como criar tensão de peso, que deixa o espectador roendo as unhas enquanto tenta desvendar as mecânicas junto com os personagens.

Nesse aspecto, a sequência se sai muito melhor que o antecessor, muito por abrir mão de personagens burros. Claro, os sobreviventes ainda cometem muitos deslizes, mas esses não surgem da desatenção, mas sim do desespero e da impulsividade. É visível que a franquia é muito inspirada em Jogos Mortais, e isso acaba sendo muito positivo. Com a classificação indicativa para menores de idade, o diretor Adam Robitel não pode se dar ao luxo de impactar pelas tripas e nojeira, então precisa trabalhar dobrado para garantir que o público esteja bastante engajado com as armadilhas em si. O longa consegue estabelecer tudo de horrível que pode acontecer caso o grupo falhe, mas sem respingar uma única gota de sangue.

Entre várias armadilhas ambiciosas, cena do banco é destaque de Escape Room 2

Outro elemento que pode ser comparado com Jogos Mortais é a trama que não tem medo de servir galhofa da boa. A franquia de James Wan ficou conhecida por suas viradas e revelações novelescas, e Tensão Máxima trilha pelo mesmo caminho.

Não é nem preciso entrar em spoilers: se a reviravolta parece previsível demais para acontecer, pode ter certeza que ela é confirmada no fim do longa. A grande revelação é conduzida de forma tão farofa, com direito até a flashbacks mostrando detalhes que não estavam óbvios, que é muito difícil não sair com um sorriso no rosto, especialmente por abrir a possibilidade de vários derivados ambientados pelo mundo. Escape Room tem tudo para se tornar uma daquelas franquias com capítulos cada vez mais questionáveis, absurdos e divertidos.

Entre armadilhas gigantescas e reviravoltas novelescas, Escape Room 2: Tensão Máxima se mostra altamente confiante do estilo que apresentou no antecessor. É uma versão light do subgênero de torture porn, que permite que toda a família curta o estilo com suas salas ambiciosas e desafiadoras, e que segura o espectador pela tensão muito bem dirigida, e também pelo absurdo de tudo – dos cenários, da premissa, das soluções mirabolantes, do drama. O primeiro filme foi um hit de surpresa, mas a sequência sabe muito bem o que funcionou no original, e entrega tudo em dobro para todo mundo sair satisfeito.

NOTA: 3.5/5

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117