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Crítica: Demon Slayer – Mugen Train: O Filme eleva a saga para um extraordinário novo patamar

Por Márcio Jangarélli

Finalmente! Seguindo meses de incertezas, o primeiro filme do anime de Demon Slayer, Mugen Train (Trem Infinito), já está disponível em território nacional. O longa estreou no final 2020 no Japão, mas só foi lançado nos Estados Unidos no mês passado. Porém, garanto que valeu toda a espera.

Agora com acesso à aventura de Mugen Train, já posso compartilhar com vocês todas as minhas impressões sobre essa produção que, sem dúvidas, marcou a história das adaptações de anime para o cinema – e do próprio cinema em si.

Pegue seu bilhete de trem, sua lâmina nichirin e embarque comigo nessa!

Ficha Técnica

Pôster oficial de Mugen Train.

Título Nacional: Demon Slayer – Mugen Train: O Filme

Lançamento Nacional: 13 de maio de 2021

Lançamento Japonês: 16 de outubro de 2020

Diretor: Haruo Sotozaki

Estúdio: ufotable

Duração: 117 minutos

Demon Slayer – Mugen Train: O Filme é o primeiro filme da adaptação de Kimetsu no Yaiba para anime. É uma produção do mesmo estúdio responsável pela primeira e segunda temporadas do título, ufotable, e é uma sequência direta do primeiro ano da série, seguindo o arco do Trem Infinito do mangá.

Aqui, Tanjiro, Nezuko, Zenitsu e Inosuke são enviados para ajudar o Hashira das Chamas, Kyojuro Rengoku, em sua investigação de um trem onde pessoas estão desaparecendo durante o trajeto. Nessa viagem, o grupo de Caçadores de Demônio encontram Enmu, o Lua Inferior 1 do Rei Demônio Muzan, que tem um plano bem elaborado em mente para lidar com seus inimigos.

Desde seu lançamento no Japão, Mugen Train vem quebrando recordes e fazendo história. Mesmo durante o período de pandemia, o filme já arrecadou mais de 420 milhões de dólares em bilheteria – boa parte da receita só em território japonês, quando o longa estreou nos EUA recentemente. Somente com sua estreia original, a produção se tornou a maior bilheteria de um filme de anime de todos os tempos, a maior bilheteria de animação mundial de 2020 e a sexta maior bilheteria geral de 2020.

O que achamos de Mugen Train?

Kyojuro Rengoku é quem guia a história.

Devo dizer que o sucesso de Demon Slayer é uma surpresa para mim. Ainda que seja um shonen e tenha suas qualidades muito atrativas para um público massivo, essa é uma história mais lenta, direcionada e, diria, sensível do que os espectadores geralmente esperam. 

É muito menos “internacional” que Naruto ou Dragon Ball Z, por exemplo, carregando uma narrativa mais contemplativa, um protagonista que pode ser taxado como “bonzinho” e “chato” demais e com ação pontual.

Isso não impediu a primeira temporada do anime e o filme de Mugen Train de enfeitiçar o público – e este é um feito incrível.

Sendo direto, dos longas baseados em animes populares, Mugen Train é extraordinário. Compará-lo com o cinema autoral de animações japonesas ou com adaptações de mangás renomados é um erro, pois essa não é a proposta. Dentro do universo do qual faz parte, porém, esse pode ser “o melhor” – e já está entre os meus favoritos também.

A batalha entre Tanjiro e Enmu no topo do trem é incrível!

Já era de se esperar que a animação do projeto seria um absurdo de bom. O estúdio ufotable, que entregou a magnífica primeira temporada do anime – e está produzindo a segunda – foi o encarregado e criou algo ainda mais belo do que a série, algo impressionante.

Não digo isso apenas pelas cenas de ação, que vão te fazer esquecer de respirar e deixar sua boca no chão; o filme acerta em seus momentos bem humorados e, principalmente, em sua melancolia. Mesmo que trabalhe tragédias, melancolia é o sentimento núcleo de Mugen Train, não tristeza. Você termina essa jornada com os olhos inchados de chorar, mas também com um raio de esperança no seu rosto.

Isso se deve não só ao trabalho técnico do estúdio, mas também à escolha de adaptar justamente esse arco do mangá de Kimetsu no Yaiba. Olhando para a obra, essa é a história mais contida, que preenchia o espaço de um filme sem sobrar ou faltar e a mais marcante sem precisar de um contexto muito complexo para o espectador de primeira viagem.

O filme termina e nós ficamos como?

Minha preocupação principal com o filme era de que ele não fosse amigável às pessoas que não assistiram o anime. No entanto, com a adição de alguns diálogos mais expositivos e cenas que não existem no mangá, Mugen Train é eficiente como uma aventura solo e que provavelmente vai te deixar interessado no que veio antes e no que virá depois.

Isso sem falar que ele encapsula de maneira elevada, em menos de duas horas, toda a experiência do anime de Kimetsu no Yaiba. A história segue o mesmo tom e tempo, as animações te deixam incrédulo, a trilha sonora ataca seus sentimentos como nunca antes e o longa não te dá escolha no fim a não ser encerrar mais esse conto do Tanjiro arrepiado.

Qual a nota de Mugen Train?

Nota: 5/5 estrelas

Foi difícil fazer essa crítica sem que ela virasse uma enxurrada de elogios para o filme de Kimetsu no Yaiba. No fim das contas, Mugen Train é primoroso em execução e, mesmo se a narrativa e estilo não sejam do seu agrado, é impossível não admirar todo o trabalho técnico brilhante do longa.

Portanto, Demon Slayer – Mugen Train: O Filme leva 5 estrelas da Legião. É daqueles filmes que merecem todo seu sucesso e aclamação, principalmente por trazer momentos catárticos para o público em uma época tão sombria.

E você já assistiu Mugen Train? Não esqueça de comentar!

Veja agora nossa lista sobre o filme:

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.