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Crítica: Army of the Dead: Invasão em Las Vegas é frustração zumbificada

Por Cristiano Rantin

Com uma legião de fãs fiéis, Zack Snyder é tido como um diretor visionário que não tem medo de trabalhar a violência e os aspectos mais sombrios em suas obras. Conhecido por seu trabalho nos filmes da DC Comics, sua nova empreitada é entre mortos-vivos com Army of the Dead: Invasão em Las Vegas, um dos grandes lançamentos da Netflix. 

Trabalhando ideias que costumam ser pouco exploradas quando o assunto é um filme de zumbi, o projeto tinha tudo para dar certo e trazer mais originalidade para o gênero. Infelizmente, ao tentar ser mais profundo do que realmente é, Army of the Dead ignora o que realmente funciona e perde sua identidade, sendo mais um filme entre os muitos que trabalham essas criaturas.

Ficha técnica:

Título: Army of the Dead: Invasão em Las Vegas (Army of the Dead)

 

Direção: Zack Snyder

 

Roteiro: Zack Snyder, Joby Harold e Shay Hatten

 

Ano: 2021

 

Data de lançamento: 21 de maio (Netflix Brasil)

 

Duração: 113 minutos

 

Sinopse: Um grupo de mercenários decidem se arriscar para realizar o maior assalto da história ao se aventurar numa zona em quarentena em Las Vegas, durante um apocalipse zumbi.

Frustrante, para dizer o mínimo

Desde que a proposta de Army of the Dead: Invasão em Las Vegas foi divulgada e descobrimos que se tratava de um filme de assalto em Las Vegas no meio a uma epidemia de zumbis, fiquei bem ansioso para o novo filme de Zack Snyder. Mesmo que mortos-vivos não sejam meu tipo favorito de criaturas em um filme, estava curioso para ver como o diretor brincaria com esse gênero, especialmente depois do trailer colorido e bem humorado que confirmou que os zumbis do longa seriam diferentes do que estamos acostumados. No entanto, se pudesse resumir toda essa crítica em apenas uma palavra, eu escolheria “frustração”.

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas está longe de ser um filme revolucionário, adjetivo que costuma estar associado com Snyder em todas as suas produções. Apesar de tentar trabalhar conceitos interessantes ao colocar zumbis com características pouco exploradas no cinema — sendo mais rápidos, inteligentes e capazes de se organizar em sociedade — em um contexto de ação e não de horror, o longa consegue parecer absurdamente cansativo em diversos momentos.

Ainda que tenha boas sequências de ação, especialmente a que vemos na abertura do título, isso é ofuscado por todas as outras coisas que Army of The Dead tenta ser. A comédia do filme não funciona, sendo vergonhosa em diversos momentos; Os personagens são descartáveis, apesar de todo o esforço para que você se importe com alguns dos protagonistas; E, principalmente, a quantidade de cenas que tentam ser dramáticas para adicionar peso e camadas para alguns personagens — ainda que isso não leve a lugar algum — garante que a produção perca o foco do que funciona. Ao atirar para todos os lados tentando inovar, Snyder termina com um filme que, independente de sua proposta, acaba sendo mais do mesmo em uma versão que não agrada.

O que funciona e o que não funciona no filme? 

Com os slow-motions que são característicos de Snyder, mas que não são usados de forma exaustiva, as sequências intensas de ação definitivamente são o ponto alto do filme. A invasão em Las Vegas e os confrontos contra os zumbis são momentos divertidos, ainda que, mesmo mais rápidos e supostamente mais inteligentes, eles pareçam o mesmo tipo de criatura que temos em outros filmes, o que tira um pouco do brilho do que estamos vendo. O tigre zumbi que tanto chamou a atenção no trailer, por exemplo, e que seria um diferencial muito interessante, é muito mal utilizado.

A sequência inicial mostrando a queda da cidade é maravilhosa, brincando com o colorido e o exagero de Vegas em um passo frenético que apresenta personagens e o desespero dos sobreviventes. Infelizmente, isso não se mantém por todo o filme. Logo em seguida entramos em um ritmo lento para a entediante apresentação dos vários e vários personagens do filme. A ação só volta a ser destaque próximo ao final, o que faz de todo o meio do filme um tanto sem graça e parado. 

Aliás, um dos maiores problemas do filme é justamente a quantidade gigante de personagens. Ainda que a produção se esforce para tentar dar motivações e personalidade para cada um deles, você termina o longa com a sensação de que todos são descartáveis — com pelo menos a metade deles sendo apenas desconfortável de assistir graças ao roteiro, que tenta ser profundo e filosófico nos momentos errados, ou pelas piadas vergonhosas que não funcionam. 

E então temos o drama. O principal arco de Army of the Dead, apesar da invasão na cidade, é trabalhado especialmente sobre a relação entre Scott (Dave Bautista) e sua filha Kate (Ella Purnell). Longe de ser algo que engaja o espectador ou de realmente parecer emocionante, o que temos é uma trama vazia que serve apenas para estabelecer o clímax do filme. Não funciona para que você se apegue aos personagens ou que fique comovido pela história, é apenas mais um empecilho que rouba espaço do que poderia ter sido melhor explorado

É essa tentativa de ser um drama familiar — em meio a um filme de assalto e zumbis — que arruína o projeto, principalmente quando isso tenta ser trabalhado com outros personagens do longa. No fim, isso é só desconfortável de assistir por todas as indicações nada sutis de que você deveria se emocionar ou se importar, o que não acontece. 

Mesmo que muito presente nos pôsteres, não espere cores vibrantes e todo o exagero de Las Vegas no filme. Entre mais um potencial desperdiçado, Army of the Dead ignora tudo de mais único na cidade do pecado, trabalhando isso somente na sequência inicial. Por isso, o que temos é basicamente um filme qualquer de zumbi — que em sua grande maioria são acinzentados e sem nada de especial — dentro de um cassino abandonado.

Nota

Army of the Dead não surpreende e falha em aproveitar a ação maravilhosa que temos em momentos pontuais do filme. Desesperado para tentar ser mais profundo do que realmente é, o novo longa de Zack Snyder perde de vista os componentes originais da sua ideia. A impressão que fica é que o projeto foi reescrito algumas vezes, adicionando conceitos diferentes que entram em conflito com o que vimos no trailer.

No fim, o que temos é mais do mesmo. Os zumbis inovadores não são bem explorados, a cidade em que eles estão não é trabalhada como poderia e o excesso de personagens e as tentativas de criar uma história dramática alongam o filme além do necessário. E, com isso, a ação que tanto agrada fica de lado.

Frustrante em sua trama e no desperdício de boas ideias, Army of the Dead: Invasão em Las Vegas leva apenas 1,5 estrelas.  

Nota: 1,5

Army of The Dead: Invasão em Las Vegas conta com Snyder na cadeira de diretor e diretor de fotografia. O cineasta também assina o roteiro ao lado de Shay Hatten e Joby Harold. A produção do filme fica por conta de Deborah Snyder, Wesley Coller, e do próprio Zack Snyder. O filme chega na Netflix no dia 21 de maio.

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"