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Cowboy Bebop: Sobre o que é, personagens e por que assistir um marco dos animes

Por Arthur Eloi

Graças à Netflix, o nome Cowboy Bebop voltou a circular pela internet. Acontece que a plataforma de streaming está preparando uma adaptação live-action, estrelada por John Cho (Star Trek, Buscando). Mas que raios é isso, para começo de conversa?

Cowboy Bebop nada mais é do que um dos melhores e mais influentes animes já feitos, marcante pela sua ousada mistura de gêneros, temáticas e por ser altamente estiloso.

Bandidos Espaciais

Jet Black, Spike Spiegel, Faye Valentine, Edward e o cachorrinho Ein

Criado por um grupo de animadores do estúdio Sunrise Inc., o anime é ambientado em um distópico futuro distante. No ano de 2071, a Terra se tornou praticamente inabitável, o que fez a humanidade se espalhar em colônias e cidades pelo sistema solar. Com os níveis de criminalidade lá em cima, a polícia não dá conta de tudo, então quem patrulha os vários planetas são, na verdade, os caçadores de recompensas, sempre atrás dos delinquentes e malfeitores em troca de grana.

A trama acompanha justamente um grupo desses caçadores de recompensas: Spike Spiegel, um ex-assassino de aluguel da máfia, e Jet Black, um ex-policial. A dupla, que viaja o sistema solar numa lata velha chamada Bebop, pula de serviço em serviço para conseguir pagar reparos na nave e, claro, comida. Mais tarde, a equipe cresce com a chegada de novos rostos, como a sensual golpista Faye Valentine, a hacker Edward e, é claro, Ein, um cachorrinho geneticamente modificado, com inteligência de gente.

Um pouco de tudo

Exibido no Japão entre 1998 e 1999, o anime teve uma única temporada, com 26 episódios no total. Parece pouco, mas é o suficiente para explorar os mais variados gêneros o possível. Cowboy Bebop funciona através de uma mistura de clichês de faroestes, como os cowboys caçadores de recompensas, com ambientações e ideias de cyberpunk, algo especialmente notável nas naves, modificações corporais e tecnologia em geral. A progressão da trama, com seu grupo marcante de personagens, também lembra muito uma space opera, vertente mais fantástica da ficção científica.

Todos são válidos para descrever Cowboy Bebop, mas nenhum gênero é realmente preciso. O anime é único por combinar os melhores elementos de cada um, seja na figura de pistoleiro solitário de Spike, ou no conflito entre tecnologia e humanidade, tão presente na obra de William Gibson, o pai do cyberpunk.

O carinho da equipe por filmes clássicos de ficção científica também é palpável, com inspirações em 2001: Uma Odisseia no Espaço e Fuga do Século 23, mas especialmente em Blade Runner: O Caçador de Androides. A direção de arte da obra de Ridley Scott norteia muitas das cidades futuristas do sistema solar do anime, que também segue o mesmo tom e até temáticas de trauma e solidão que o longa. Não é a toa que, em 2017, a Warner Bros. recrutou Shinichiro Watanabe, diretor de Cowboy Bebop, para comandar um curta animado inspirado em Blade Runner 2049. Chamado de Black Out 2022, o vídeo especial – que pode ser conferido abaixo – é como o fechamento de um ciclo de influências.

Aliás, é impossível falar de Cowboy Bebop sem exaltar seu fantástico estilo. Além do charme de animes noventistas, a obra surpreende pelas suas cores, montagem moderna, e a divertida e dançante trilha sonora de Yoko Kanno. A compositora tem a árdua tarefa de acompanhar uma trama em constante mudança de tons e gêneros, mas tira de letra com muito jazz. É uma daquelas séries em que é simplesmente impossível pular a abertura.

Cowboy Norte-Americano

Cowboy Bebop se manteve praticamente intocada ao longo dos anos. O anime teve apenas seus 26 episódios, e nunca recebeu uma continuação ou outra série, apenas um longa-metragem em 2001, também dirigido por Shinichiro Watanabe, e alguns jogos de videogame. Mesmo assim, sua popularidade cresceu consideravelmente nos anos 2000, especialmente fora do Japão. Nos Estados Unidos, por exemplo, se tornou um daqueles seriados capazes de convencer até que não curte animes, e foi um dos títulos de inauguração do Adult Swim. Como tudo internacional que faz sucesso nos EUA, isso logo se tornou justificativa para um remake norte-americano.

O projeto de refazer Cowboy Bebop corre desde a metade dos anos 2000, mas sem muito sucesso. Em certo ponto, existia a ideia de fazer um filme live-action em que o protagonista Spike seria interpretado por ninguém menos que Keanu Reeves, mas a ideia nunca saiu do papel. Pelo menos até agora.

Em 2017, Chris Yost, roteirista dos filmes do Thor e de episódios de The Mandalorian, anunciou que estava adaptando o anime em uma série de TV live-action. No ano seguinte, a Netflix revelou que adquiriu os diretos do projeto, que então se tornou uma produção original da plataforma. Dessa vez, parece que as coisas deram certo. O programa escalou o carismático John Cho como Spike, Mustafa Shakir (Luke Cage) como Jet Black, Daniella Pineda (Jurassic World) como Faye Valentine, entre outros. Pouco foi mostrado até então, mas além do elenco ser bastante interessante, o seriado terá o retorno de Yoko Kanno como compositora. Ainda há chances da série decepcionar, mas pelo menos a trilha sonora é um acerto garantido.

John Cho como Spike nos bastidores da série de Cowboy Bebop, da Netflix

A série live-action de Cowboy Bebop estreia na Netflix no fim de 2021, sem data definida até o momento. Já os 26 episódios do anime original, com todo o seu estilo, jazz e genialidade, estão disponíveis no catálogo da Funimation.

Confira 10 motivos para assistir Cowboy Bebop:

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117