Chucky 1×06: Cape Queer

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Chucky 1×06: Cape Queer

Por Gus Fiaux

Após as consequências avassaladoras de um incêndio na casa dos Cross, uma nova troca de corpos e um novo plano para matar Jake Wheeler e seus amigos, Chucky está de volta em mais uma semana, trazendo consigo muito mais do que faz essa ser uma das melhores séries de 2021. Especialmente, em seu novo episódio, o boneco mostra que não veio para brincadeira e se torna ainda mais cruel e sanguinário.

Desde o começo da temporada, Chucky parece ser uma série sobre laços afetivos, conexões e famílias – na maior parte, famílias disfuncionais, como já vimos com Jake e, mais recentemente, com Lexy Cross. Curiosamente, esse episódio tenta nos mostrar o outro lado da moeda com algumas famílias “funcionais” – como é o caso dos pais de Junior (e, consequentemente, tios de Jake) e a mãe de Devon.

No sexto episódio, a série mostra como essas ligações são muito importantes para os protagonistas – e é por isso que Chucky está disposto a destruí-las, justamente para isolar e atacar suas vítimas no momento de maior fragilidade. Uma coisa particularmente interessante sobre esse episódio é ver como cada um desses personagens é marcado pela perda, de um jeito ou de outro.

Andy Barclay e Kyle estão de volta!

Isso fica bem evidente no final do episódio, quando tanto a mãe de Junior quanto a de Devon se tornam as novas vítimas do Brinquedo Assassino. Com isso, o bingo das famílias já está quase no final, e a última que falta perder alguém é Lexy – que diga-se de passagem, saiu do campo de completa megera para uma das melhores personagens em questão de episódios.

A atuação de Alyvia Alyn Lind é um dos pontos altos do núcleo infantil, justamente por mostrar uma figura que sempre se forçou a ser mais adulta do que é, mas que agora precisa regredir alguns estágios para enfrentar o boneco de igual para igual. Ela é uma das melhores personagens do ano, e sua evolução de bully a heroína é espetacular e merece mais destaque nos próximos episódios.

Porém, os fãs da saga original terão motivos para ficar felizes também, já que esse capítulo marca o retorno de Andy Barclay (vivido por Alex Vincent, reprisando seu papel dos dois primeiros filmes da franquia e suas participações mais recentes) e Kyle (Christine Elise, que também esteve em Brinquedo Assassino 2). A dinâmica desses dois é muito boa e ainda passa um clima diferente dentro da própria série, algo quase como Pulp Fiction ou Bad Boys.

O que Tiffany está aprontando?

Contudo, devo admitir que a parte que mais está me mantendo intrigado aqui é justamente todo o plano maligno traçado por Tiffany Valentine junto de Nica Pierce (que continua possuída por Chucky, apesar de ter algumas recaídas de consciência ocasionais). Tiffany está cada vez mais expansiva e Don Mancini começa a demonstrar ainda mais o amor que tem pela personagem vivida por Jennifer Tilly.

Quanto a Nica, a personagem tem sido um bom destaque e promete se tornar ainda mais importante, já que a sua dualidade com o próprio Charles Lee Ray é muito bem desenvolvida – especialmente nas cenas em que a própria Fiona Dourif, que interpreta Nica, também faz o papel de seu pai (Brad Dourif) nos flashbacks, interpretando o próprio Charles Lee Ray antes dele fragmentar sua alma em um boneco maldito.

flashback dessa semana, aliás, já mostra melhor toda a perversão e a decadência do casal, com um cheirinho bem forte de Arlequina Coringa feitos do jeito certo. E o curioso é notar como, no presente, Tiffany está justamente fazendo o contrário e tentando se aproximar mais de Chucky, enquanto até aluga a antiga casa de Charles Lee Ray para algum fim misterioso.

Protejam essas crianças!

Por outro lado, ainda temos a trama central de Jake Wheeler Devon Evans e o desenvolvimento de um leve e adorável romance… ao menos, é isso que vemos em metade do episódio, antes da mãe de Devon ser brutalmente assassinada escada abaixo por Chucky – uma das cenas mais grotescas e quiçá mais desoladoras de todo o ano. Tudo isso nos faz temer ainda mais para os planos finais de Chucky para nossos protagonistas.

De modo geral, “Cape Queer” continua evoluindo a qualidade e a narrativa dos episódios antecessores, mostrando que Don Macini tem planos altos com esses personagens e essas histórias. No fundo, é uma saga sobre amadurecimento, sobre revolta e sobre essa “fuga do ninho”, enquanto as ameaças do mundo real são muito mais fortes que o aconchego do lar.

Pelo visto, ainda restam dois episódios para que a temporada chegue ao fim – e recentemente, fomos brindados com a notícia de que a trama teria sido renovada para a segunda temporada. Tudo o que precisamos saber é se Don Mancini vai conseguir manter o alto nível presente até agora nessa conclusão, para oferecer aos fãs um banho de sangue bem quentinho e uma violência gratuita deliciosamente diabólica.

Chucky está sendo exibida semanalmente no Star+, às quartas-feiras!

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux