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Carnificina Absoluta: Entenda a saga do vilão nos quadrinhos

Por Gus Fiaux

Uma das sagas mais curiosas da Marvel nos últimos anos, Carnificina Absoluta foi publicada originalmente em 2019, sendo escrita por Donny Cates com arte de Ryan Stegman, os dois artistas à frente da revista do Venom na época. O evento originalmente havia sido concebido como um arco de histórias na HQ do Protetor Letal, mas acabou virando uma saga à parte por pedido da própria Marvel. 

Na trama, vemos o Carnificina, um dos vilões mais aterrorizantes da Casa das Ideias, completamente entregue à loucura e à morte, enquanto leva ao mundo a palavra de Knull, o Rei das Trevas e Deus dos Simbiontes. Assim, nós temos um conto cheio de sangue, suor e simbiontes. Caso ainda não tenha lido e queira entender um pouco mais sobre o evento, o Culto de Knull e essa nova era do vilão, reunimos aqui tudo o que você precisa saber sobre a Carnificina Absoluta!

O caminho até Carnificina Absoluta

Quando Donny Cates assumiu a revista solo do Venom, em 2018, ninguém sabia bem o que estava por vir dentro do núcleo dos simbiontes. O autor, que é um astro em ascensão dentro da Marvel, já havia impressionado com seu trabalho em outras revistas – como a dos Guardiões da Galáxia – antes de começar a relar na mitologia de Eddie Brock. E embora Eddie seja o foco dessas revistas, o principal destaque está em seu simbionte.

Em Venom Vol. 4, Cates se propõe a contar a origem dos Klyntar, a raça alienígena amorfa dos simbiontes. E logo descobrimos a história de Knull, a figura sombria e assustadora responsável pela criação desses seres, e como ele ficou adormecido no espaço enquanto espera sua hora de conquistar o mundo inteiro. Tudo isso serviu como uma espécie de “prelúdio” para o que estava por vir em Carnificina Absoluta.

A saga, por sua vez, é uma grande batalha épica entre o Venom e o Carnificina na Terra, com a participação de vários heróis e aliados que tentam impedir o maníaco Cletus Kasady (que, dessa vez, está ainda mais psicótico e violento). Para quem quer entender a saga como um todo, um importante ponto de partida é ler justamente esse quarto volume da HQ do Protetor Letal, para compreender tudo que acontece aqui.

Na HQ do Venom, temos o retorno do Carnificina, que começa a investir em um plano muito sinistro: ele vaga pela Terra assassinando todos os hospedeiros de simbiontes. Como se isso não bastasse, ele “absorve” seus simbiontes e os une com seu próprio, criando uma forma ainda mais poderosa, instável e sanguinária. Isso basicamente dita o tom de tudo que viria na Carnificina Absoluta.

O culto de Knull

Porém, muito antes de sair matando hospedeiros de simbiontes por aí, Cletus Kasady havia morrido em Web of Venom: Carnage Born, após um grande conflito. O personagem passou pouco tempo sem vida, até ser encontrado pelo Culto de Knull, que resgatou seu cadáver e o colocou no caminho para ser um avatar do Rei das Trevas na Terra. E para entender o que exatamente é esse culto, precisamos voltar um pouco no tempo.

Há muitos e muitos anos, Knull – o Deus dos Simbiontes – havia enviado dois simbiontes gigantescos à Terra. Eram dois dragões, um vermelho e um negro, que acabaram pousando na Dinamarca. Impressionados com essa chegada profana, habitantes locais fundaram um culto canibal em honra aos dragões. Nessa época, Thor chegou a deter o dragão negro (Grendel), e pedaços de seu simbionte caíram sobre membros do culto, transformando-os.

Ao longo dos anos, o Culto de Knull esteve vagando na Terra, espalhando a mensagem de Knull e profetizando seu retorno dos confins do espaço. Quando o Cletus Kasady se tornou o Carnificina, o Culto de Knull voltou toda sua atenção e ele, categorizando-o como um verdadeiro emissário do Rei das Trevas. E é por isso que, após sua morte, eles resgataram seu cadáver e o reviveram, dando a ele um fragmento de Grendel para que pudesse se recuperar.

O culto é amplamente inspirado no horror cósmico popularizado por autores como Robert W. Chambers e H.P. Lovecraft (além de parecer-se muito com o Culto de Cthulhu). Todos os membros do culto ostentam uma espiral em seus rostos, um símbolo de sua completa devoção a Knull – esse símbolo é inspirado no Emblema Amarelo, um símbolo muito presente nos contos do Rei de Amarelo de Chambers.

Carnificina Absoluta

Quando a saga começa, o Carnificina já se tornou um monstro, tendo absorvido os simbiontes e os códices dos hospedeiros que ele matou. Seu próprio simbionte passou por uma grande transformação: agora, ele assume uma forma esquelética, com asas e chifres e uma gigantesca espiral branca em sua testa. Com uma sede de sangue bem mais forte e revigorada, o vilão parte em um verdadeiro frenesi diabólico.

Venom então precisa contatar outros heróis, como o Homem-Aranha, para ajudá-lo a deter o Carnificina. Ao mesmo tempo, ele também precisa proteger seu filho, Dylan Brock, que teria um papel muito importante a desempenhar no futuro. Conforme Carnificina põe seus planos em prática, ele também infecta e controla vários heróis, como o próprio Miles Morales, que ganha um simbionte e se torna uma máquina de matança.

O plano de Carnificina, é claro, é despertar Knull de seu sono espacial, para que ele possa vir à Terra governar junto dos vários simbiontes que ali residem. Os heróis lutam contra o tempo para que ele não faça isso, mas tudo acaba em uma conclusão épica quando Carnificina faz Dylan Brock de refém, ameaçando matá-lo (o que, de alguma forma, iria despertar Knull).

Eddie Brock fica desesperado ao ver seu filho quase morrendo e acaba matando o Carnificina. Ao destruir os códices dos simbiontes, ele mesmo acaba despertando Knull. Assim, embora o dia tenha sido salvo e a batalha tenha sido ganha pelos heróis, a guerra só começou. E é aí que entra a saga mais recente publicada pela Marvel Comics nos Estados Unidos.

Consequências e O Rei das Trevas

Embora funcione como uma saga própria e tenha vários momentos bem empolgantes, a verdade é que Carnificina Absoluta também é um prelúdio para a saga mais recente da MarvelO Rei das Trevas (King in Black, como é publicada lá fora). A saga também é realizada pela dupla Donny Cates Ryan Stegman, dando uma “conclusão” ao arco de Knull e o apresentando como um dos maiores vilões do universo.

Basicamente, a saga traz exatamente aquilo que esperávamos: Knull desperta e decide vir até a Terra, trazendo consigo uma guerra sanguinária e violenta. Assim, os outros heróis precisam se reunir para deter essa ameaça cósmica, ao mesmo tempo em que o vilão já chega matando grandes heróis (como o Sentinela) e corrompendo vários outros com os seus próprios simbiontes.

Embora não seja tão bem recebida quanto foi Carnificina AbsolutaO Rei das Trevas tem lá seu valor para quem estava adorando essa mitologia criada por Donny Cates. Tem um final impactante e deve afetar muito do universo da Marvel daqui para frente. Ao todo, a saga tem 5 edições que foram publicadas de dezembro de 2020 a abril de 2021 – sem contar os vários tie-ins e derivados. No Brasil, deve ser publicada pela Panini Comics ainda neste ano.

Onde ler Carnificina Absoluta?

No Brasil, a saga Carnificina Absoluta foi publicada pela Panini Comics em três volumes (que abarcam as cinco edições originais da saga). As edições foram publicadas entre junho e agosto de 2020. Além da saga principal, a editora também lançou alguns tie-ins e revistas derivadas, como Carnificina Absoluta: Contos Sangrentos, que por sua vez é uma antologia com várias histórias ambientadas nas entrelinhas do evento.

Caso você ainda não tenha lido a saga e seus conteúdos adicionais, pode procurar na loja digital da própria Panini Comics ou partir em busca de bancas de revista e jornal que ainda tenham volumes mais antigos. É uma saga que vale a pena ser lida, especialmente pelos fãs dos simbiontes, já que mostra o domínio que Donny Cates tem com essa mitologia e o que ele pretende fazer com isso.

Carnificina Absoluta foi publicada no Brasil pela Panini Comics.

Abaixo, conheça todos os simbiontes da Marvel:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux