Candyman: Tudo sobre a franquia e a origem da lenda por trás dos filmes

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Candyman: Tudo sobre a franquia e a origem da lenda por trás dos filmes

Por Arthur Eloi

O autor inglês Clive Barker ganha força novamente com uma nova onda de adaptações de seus trabalhos. Entre o filme de Livros de Sangue pelo Hulu, e a nova série de Hellraiser pela HBO, quem está em alta é Candyman. Baseado em um dos seus contos, a franquia ganhou em 2021 um novo filme dirigido por Nia DaCosta (Passando dos Limites) e produzido por Jordan Peele (Corra!, Nós), que já se tornou um sucesso de bilheteria.

Aproveite e conheça abaixo tudo sobre Candyman, desde suas origens até as obras inspiradas no conto de Clive Barker!


Como surgiu Candyman?

Alguns anos antes de se tornar um filme, Candyman foi inicialmente publicado como um conto na revista Fantasy Tales em 1985, e meses depois no quinto volume de Livros de Sangue. Essas coletâneas de contos de horror escritas por Clive Barker foram responsáveis por alavancar o autor ao sucesso. Muitas delas foram adaptadas para a TV e cinema, mas Candyman – ou “O Proibibido”, como é o nome do conto – é facilmente a mais popular.

A trama é ambientada no Reino Unido e acompanha uma mulher da classe alta que investiga uma lenda urbana na parte pobre da cidade para fins acadêmicos, mas acaba ficando obcecada por uma figura macabra com um gancho na mão. O conto tem todas as qualidades características de Barker, como a escrita romântica e sensual com toques de horror gráfico.

Inicialmente, o visual do antagonista era muito diferente, com aspecto mais monstruoso. É possível ver isso na ilustração do artista John Stewart, que acompanhou a primeira publicação de “O Proibido” na revista Fantasy Tales (via Bloody Disgusting).

A chegada de Candyman aos cinemas

É importante ter em mente que algumas coisas eram diferentes no conto original pois muito do que consagra Candyman hoje em dia foram as mudanças que passou para chegar às telonas. A primeira adaptação aconteceu em 1992 com O Mistério de Candyman, do direitor e roteirista Bernard Rose. O cineasta se encarregou de levar o trabalho de Barker para o cinema, mas fez alterações que engrandeceram a obra.

De começo, Rose mudou a localização da trama. Ao invés do Reino Unido, país de origem de Clive Barker, ele ambientou a trama nos Estados Unidos, e usou como base sua indignação com homicídios brutais e a desigualdade social da cidade de Chicago. O cineasta se inspirou em um estranho caso de assassinato, em que o criminoso invadiu a casa da vítima por um buraco no armário do banheiro, e também na forma que conjuntos habitacionais foram construídos de frente para condomínios caros na cidade – separados apenas por uma linha de trem. Inclusive, o diretor decidiu rodar o filme em um desses locais, nos conjuntos de Cabrini-Green, notoriamente marcados por pobreza e violência.

Assim, Bernard Rose aprofundou ainda mais a temática de desigualdade social do conto de Clive Barker, mas a outra sacada só viria na fase de casting. Para viver a protagonista Helen Lyle, nomes como Alexandra Pigg (esposa de Bernard Rose na época) e até mesmo Sandra Bullock, mas quem ganhou o papel foi Virginia Madsen (Sideways, Anjos Rebeldes).

Já para o vilão, a produção queria Eddie Murphy, mas não conseguiu bancar o cachê do ator. É aí que entra Tony Todd, que havia atuado em obras como Platoon (1986) e o remake de A Noite dos Mortos-Vivos (1990). O ator não só elevou a ameaça física da entidade, com quase 2 metros de altura e uma voz grossa que penetra a sua alma, como também trouxe elegância ao antagonista, já que queria entregar um monstro no estilo de O Fantasma da Ópera.

Visual original do Candyman, quase 10 anos antes do conto de Clive Barker ir aos cinemas (Créditos: Bloody Disgusting/Reprodução)

Qual o passado do Candyman?

O Mistério de Candyman foi muito elogiado por seu comentário social e racial, e o segundo elemento é cortesia de Tony Todd. Indo além da protagonista branca lidando com problemas fora de sua realidade, como racismo e pobreza, o ator planejou um passado para o seu personagem, que então se tornou cânone dentro dos filmes.

Tony Todd expandiu a mitologia do Candyman ao imaginá-lo como um filho de escravo que foi assassinado após se apaixonar por uma jovem branca da elite

A lenda criada por Tony Todd imagina que a figura que viria a se tornar o Candyman era, durante o século 19, filho de um escravo que se tornou rico ao inventar uma máquina de sapatos. Por conta disso, o pai enviou o garoto para as melhores escolas, e o resultado era um jovem artista bastante intelectual, com modos e vestimentas da elite. O problema surge quando o rapaz é contratado para pintar a filha branca de um magnata, mas acaba se apaixonando por ela.

Quando o pai descobre a relação inter-racial, fica tão furioso que reúne uma multidão raivosa. O jovem então é caçado, e tem a sua mão direita – seu instrumento artístico – cortada com uma serra enferrujada. Ainda mais sádicos, a multidão então esfrega mel fresco em seu corpo, e joga o jovem no meio das abelhas para ser picado até a morte. É daí que surge o nome Candyman. Seu cadáver então é queimado, e as cinzas espalhadas por toda a região, o que serve como a base para a sua maldição.

Quantos filmes a franquia Candyman tem?

O primeiro longa foi O Mistério de Candyman, de 1992, que se tornou um sucesso pelas atuações de Virginia Madsen e Tony Todd, pelo roteiro cheio de camadas, pela direção de Bernard Rose, e pela marcante trilha sonora de Philip Glass. O filme original tem 77% de aprovação no Rotten Tomatoes, mas as sequências não tiveram a mesma sorte.

A primeira continuação aconteceu logo em 1995, chamada de Candyman 2 – A Vingança, e teve direção de Bill Condon – mesmo cineasta que, recentemente, comandou as duas partes finais da saga Crepúsculo e o live-action de A Bela e a Fera (2015). A trama tira o Candyman de Chicago, e o coloca na cidade de Nova Orleans. O segundo filme tem nota de 25% no Rotten Tomatoes.

De alguma forma, o terceiro – e último, por muito tempo – conseguiu ser ainda pior. Candyman: Dia dos Mortos foi lançado direto em home video no ano de 1999, com direção por Turi Meyer, de séries como Buffy, a Caça Vampiros e Smallville. O longa acompanha o assassino atormentando uma de suas descendentes a se tornar uma figura assassina lendária, que nem ele. O resultado é um filme com incríveis 8% de aprovação no Rotten Tomatoes.

Quem ressuscitou a franquia foi a diretora e roteirista Nia DaCosta, de Passando dos Limites, com a ajuda do produtor e coroteirista Jordan Peele, conhecido por Corra! (2015) e Nós (2019). A dupla ignorou as sequências questionáveis, e criaram uma continuação direta do original, que traria novos personagens sendo atormentados pelo Candyman original – dessa vez, de volta ao mesmo bairro de Chicago, mas agora marcado pela gentrificação.

Essa nova abordagem virou A Lenda de Candyman, lançado nos cinemas em agosto de 2021 (após alguns adiamentos por conta da pandemia da Covid-19). O resultado parece agradar: além de ter 85% de aprovação no Rotten Tomatoes, batendo até o original, o filme inédito marca a primeira vez que a obra de uma diretora negra estreou no topo da bilheteria norte-americana.

A Lenda de Candyman segue em cartaz nos cinemas. Já o conto que começou tudo, “O Proibido”, foi publicado no Brasil em edição especial pela DarkSide Books.

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sobre o autor Arthur Eloi

Repórter entusiasta de filmes ruins, jogos de tiro e de horror em todas as suas formas. Dá notas duvidosas para obras questionáveis • @ArthurEloi117