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Crítica: Amor e Monstros diverte, mesmo sendo irregular

Por Gus Fiaux

Lançado no ano passado nos Estados Unidos, Amor e Monstros acaba de chegar ao Brasil como um lançamento exclusivo da Netflix. O filme protagonizado por Dylan O’BrienJessica HenwickMichael Rooker garantiu bons elogios pela crítica especializada internacional, sobretudo por trazer uma história de romance e autodescoberta em um cenário completamente inusitado: uma Terra devastada onde os monstros dominaram o globo.

Além de ter sido indicado para a categoria de Melhores Efeitos Visuais no Oscar 2021, o longa conta com uma trama bem charmosa e personagens extremamente carismáticos, além de ter ótimas criaturas e monstros espalhados pela obra. Se você quer saber um pouco mais sobre esse novo lançamento da plataforma de streaming, veja aqui a nossa crítica de Amor e Monstros!

Ficha Técnica

Título: Amor e Monstros (Love and Monsters)

 

Direção: Michael Matthews

 

Roteiro: Brian Duffield e Matthew Robinson

 

Ano: 2020

 

Data de lançamento: 14 de abril de 2021 (Netflix)

 

Duração: 109 minutos

 

Sinopse: Sete anos após ter sobrevivido ao apocalipse dos monstros, o infeliz e adorável Joel deixa seu bunker subterrâneo aconchegante em uma jornada para encontrar sua ex-namorada.

Amor e Monstros diverte, mesmo sendo irregular

Vivemos à beira da colapso, mas nem por isso deixamos de imaginar como seria uma hecatombe global, que abalaria todas as estruturas do nosso planeta e dizimaria a humanidade quase que integralmente. Não é surpresa que, dentro do horror e da ficção científica, um dos subgêneros mais comuns seja justamente o do mundo pós-apocalíptico. Felizmente, Amor e Monstros veio para mostrar uma variante desse futuro sombrio que consegue ser original, à sua própria maneira.

Na trama, a humanidade se depara com um baita problema quando um meteoro se aproxima da Terra. Munidas da mais alta tecnologia, as nações se unem para enviar ogivas e mísseis contra o asteroide – e até conseguem destruí-lo. Contudo, as partículas químicas e radioativas presentes nos mísseis retornam à Terra, causando grandes mudanças na fauna do planeta. Animais e criaturas pequenas se transformam em seres gigantes e monstruosos, e em pouco tempo boa parte da raça humana é exterminada.

É aí que conhecemos Joel (interpretado por Dylan O’Brien), um rapaz covarde e medroso que vive em um bunker junto com outros sobreviventes. Logo descobrimos que os restos da humanidade vivem em colônias subterrâneas, tentando a todo custo evitar os monstros e criaturas que habitam na superfície. Porém, Joel não consegue se sentir feliz em seu novo lar. Por isso, ele decide partir em uma jornada até o bunker onde vive Aimee (Jessica Henwick), que era sua namorada antes do colapso da Terra.

Em seu caminho, no entanto, Joel precisa passar por vários desafios, encontrar vários monstros e tentar sobreviver, mesmo travando diante das criaturas mais grotescas. Felizmente, ele acaba encontrando Garoto, um cachorrinho adorável que vai ajudá-lo a se manter vivo enquanto os perigos mais sinistros espreitam nas matas e nos rios. Assim começa a viagem do nosso herói, que bebe diretamente de uma fonte tão clássica quanto a Jornada do Herói, mas acrescenta seus toques pessoais.

O que destaca Amor e Monstros à primeira vista é o charme de sua produção. O filme não possui lá um roteiro perfeito (falaremos disso depois), mas surpreende pelo carisma de seus personagens. Dylan O’Brien, ator famoso por sua participação em fenômenos adolescentes como Teen WolfMaze Runner, aparece aqui com uma leveza e uma simpatia única. Mesmo que seu personagem seja um medroso, é impossível não torcer por ele.

Jessica Henwick aparece pouco, mas rouba a cena cada vez que aparece como a amável Aimee. Michael Rooker é introduzido posteriormente no filme, como um mentor que Joel encontra em sua jornada – e nesse sentido, o astro de Guardiões da Galáxia e do vindouro O Esquadrão Suicida consegue impor personalidade e graça toda vez que abre a boca para falar.

O resto do elenco manda muito bem, por mais que seja composto por nomes majoritariamente desconhecidos. Entre os destaques, temos que citar a jovem Ariana Greenblatt, que interpreta Minnow. Ah, e se você é do tipo que se derrete por animais, é importante citar o Garoto, cujos “atores”, Hero Hodge, são tão bem-treinados que trazem uma química instantânea com todos os outros personagens humanos.

Falando em animais, o filme também decola ao mostrar seus monstros e criaturas gigantes. Aqui, vemos animais comuns que normalmente não representariam perigo algum (como sapos, lesmas, insetos e caranguejos) virando seres colossais e assustadores. Nesse sentido, o departamento de efeitos visuais merece aplausos, especialmente por conciliar, em algumas cenas, efeitos digitais e práticos para trazer mais verossimilhança a essas bestas.

Em termos de roteiro, o filme segue uma estrutura irregular. Personagens vêm e vão e são tão facilmente largados ao vento quanto são apresentados. Chega a ser criminoso ver o filme desperdiçando tanto o potencial da dupla Rooker e Greenblatt. O clímax, por sua vez, é apressado e se atropela em diversos momentos, inclusive construindo “vilões” onde nem sequer seria necessário.

A impressão que fica, no entanto, é que Amor e Monstros está a todo tempo tentando definir as bases e alicerces para uma eventual continuação – e isso prejudica o andamento da história em si. É como se toda a jornada de Joel fosse apenas um prelúdio para novas aventuras e explorações, enquanto filmes posteriores poderiam desenvolver melhor esse mundo e sua fauna grotesca.

De certo modo, isso atesta mais contra que a favor do filme. Ainda assim, se pegarmos os últimos anos e a enxurrada de filmes pós-apocalípticos que sempre miravam em zumbis ou pandemias, não podemos deixar de ver como o longa de Michael Matthews consegue inspirar um pouco de originalidade. Em suma, preferia mil vezes mais ver várias continuações para esse filme do que mais uma temporada de The Walking Dead ou outro longa genérico de zumbis.

E mesmo com seus defeitos, Amor e Monstros se prova um filme muito divertido e engajante, que até lembra um pouco outras obras pós-apocalípticas mais descompromissadas e “alegres”, como Zumbilândia Todo Mundo Quase Morto. É bom ver que, depois de tanto tempo do domínio dos mortos-vivos, os animais reconquistaram o topo da cadeia alimentar do cinema de horror pós-apocalíptico. E dessa vez, eles estão enormes…

Amor e Monstros está disponível na Netflix.

Abaixo, veja a evolução do Godzilla nos cinemas:

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux