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[Crítica] Watch Dogs Legion é um prato morno, mas competente

Por Lucas Rafael

Watch Dogs é uma franquia atípica. O primeiro game saiu sobrecarregado de expectativas, sendo um título legal ambientado num mapa aberto decente que permitia ao jogador hackear as coisas. “Hacker” é o adjetivo diferencial aqui. É uma franquia sobre tecnologia, corporações malignas e resistência. Watch Dogs 2 resolveu muitos problemas do primeiro, mas vendeu consideravelmente menos unidades. O problema é que ele envelheceu mal. O tom do game predava em muitos memes, numa estética baseada num recorte imediato da internet que já era ultrapassado quando o jogo lançou. Mas e aí, será que Watch Dogs Legion é o grande acerto da franquia que os fãs esperavam? 

Watch Dogs Legion é um próximo passo natural para uma franquia que ainda busca se encontrar. Ainda é um game sobre resistência, hackers e mundo aberto. Agora mais do que nunca é sobre isso. A trama se passa numa Londres distópica. É uma distopia pé no chão, no entanto. O jogo não foge muito da raia da realidade.  

Resumidamente, diversas bombas explodem em Londres. A culpa, segundo a mídia, é do grupo hacker Dedsec (que na verdade é inocente). Com uma cidade instável, a força de segurança paramilitar Albion chega para garantir a “segurança” dos habitantes. “Segurança” entre aspas mesmo, visto que a companhia mais oprime e sufoca a população do que ajuda. 

É nesse contexto que o jogo inicia. Você escolhe um personagem e começa a percorrer o mapa aberto de Londres para realizar missões em nome da DedSec. No decorrer do caminho, você vai recrutando novos personagens, desde alguns que o game empurra no seu caminho até quem você achar interessante por aí. 

Basta escanear um personagem – qualquer um que você encontre pela rua, de verdade – para ler suas habilidades. Então é só se aproximar e pedir para recrutá-lo. Mas lógico que ele não vai lutar pela sua causa de graça. Você precisa realizar uma missão de recrutamento primeiro. Concluída ela, o personagem estará disponível na tela de seleção para você selecionar a qualquer momento.  

Mas o que muda de personagem para personagem, você pergunta?

Cada um conta com suas particularidades. Advogados diminuem o tempo de prisão dos personagens que forem presos, construtores podem caminhar por construções sem chamar a atenção, além de contarem com um drone de transporte de carga que é muito eficiente. Hooligans podem chamar amigos para a luta, alguns personagens possuem um raio de alcance maior na hora de hackear, e por aí vai. 

Algumas dessas variações pendem para o engraçadinho. Uma personagem que eu recrutei não podia realizar missões furtivas por sofrer de um problema de gases, por exemplo. 

 

O legal aqui é como os personagens mais “fracos” possuem uma mobilidade diferenciada dos fisicamente mais fortes. Até na hora de dar socos ou eliminar um inimigo furtivamente, você percebe que enquanto alguns executam golpes precisos e letais, outros são meio desengonçados, precisando refinar a coordenação motora, o que dá um toque de variação para o game. 

Watch Dogs: Legion consiste primariamente em realizar missões para que a verdade acerca da Albion seja exposta ao público. Você libera áreas, destrava novas atividades como ringues de luta pelas ruas, e por aí vai. A fórmula mapa aberto Ubisoft está em peso aqui em Legion

Tudo funciona como deveria, o gameplay é sólido, a história tem seus momentos, o game responde bem em geral. 

Os únicos bugs que encontrei foram meio chatinhos, mas escassos: veículos aparecendo do nada e causando uma colisão inesperada, personagens inimigos se materializando bem ao meu lado e estragando minha abordagem furtiva.

Vamos colocar dessa maneira: para você que curte brincar no mapa aberto de um jogo que oferece uma gama de possibilidades, Legion é divertido e competente. O negócio dificilmente vai ganhar um jogo do ano ou coisa do tipo, mas também não vai ser lembrado como uma decepção ou algo injogável.

 

 

É um game OK que passa na nota de corte, entrega tudo o que promete entregar sem exceder positiva ou negativamente. 

Watch Dogs: Legion é um game competente, cujo pacote completo não revoluciona nem excede o esperado, mas que agrada sem te ofender ou chatear. Dos gráficos à narrativa, tudo aqui é sólido o suficiente para sustentar sua jogatina, ainda que não seja incrível ou reinvente a roda.  

Watch Dogs: Legion foi lançado dia 29 de Outubro, disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S e X, Stadia e PC

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sobre o autor Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais