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[Review] The Pathless: Uma jornada única e bela no início da era PlayStation 5

Por Márcio Jangarélli

Se destacar em meio ao turbilhão de grandes títulos do início da nova geração de consoles deve ser difícil. Ainda mais uma produção menor, com uma jornada mais pessoal e uma proposta diferente da vitrine de gráficos, personalizações e mundos gigantes. Mas te garanto: aqueles que derem atenção para The Pathless serão bem felizes com sua escolha.

Desenvolvedora: Giant Squid

Publisher: Annapurna Interactive

Diretor: Matt Nava

Compositor: Austin Wintory

Plataforma: PC, PlayStation 4, PlayStation 5, iOS

Lançamento: 12 de Novembro de 2020

Gênero: Ação/Aventura

Modo: Single player

The Pathless é um dos games disponíveis no lançamento do PlayStation 5 – ainda que também vá ser lançado para PS4, PC e iOS. Graças à publisher, tive acesso antecipado ao jogo e, depois de tanta informação vinda de outros títulos, foi um prazer imenso relaxar nessa jornada mais tranquila.

Este game é uma criação do estúdio Giant Squid, responsável pelo belíssimo Abzû, de 2016, lançado pela Annapurna Interactive. Anunciado na The Game Awards de 2018, The Pathless acabou adiado para 2020 e entrou para a lista dos jogos de lançamento do PlayStation 5, o que o beneficia e atrapalha ao mesmo tempo. É uma chance única de exposição para uma produção menor, mas o risco de acabar perdido entre um Homem-Aranha e um Demon’s Souls é grande.

Nessa aventura você controla a Caçadora, que vai até uma ilha misteriosa, no limiar entre a vida e a morte, para tentar acabar com a escuridão que vem tomando conta do mundo. Lá ela descobre que o Deicida está controlando os deuses locais, os Gigantes, ficando cada vez mais forte enquanto espalha sua energia maligna. Sua missão é salvar essas divindades e derrubar o vilão, nem que isso lhe custe a vida.

Com uma ilha inteira para você explorar, The Pathless acerta na simplicidade da aventura para criar um clima épico. Imagine que o game toma algumas inspirações de Shadow of The Colossus, Journey Breath of The Wild em sua construção de mundo e narrativa. No lugar de eventos absurdos, o título aposta em algo mais contemplativo, onde o espaço e trilha sonora ditam o ritmo do jogo.

Fiquem com um pouquinho da trilha sonora fantástica do game para entrar no clima:

Os pontos mais altos de The Pathless são seus cenários de fazer o olho brilhar e a trilha sonora fenomenal que acompanha o game. Com um design mais fantástico, de cores fortes e inspirações orientais, a jornada da Caçadora ganha mais vida com sua trilha orquestrada e entoações de mantras usados nos lugares certos, variando o volume de acordo com a situação. É algo de fazer arrepiar até o último fio de cabelo.

A narrativa do jogo é mais silenciosa e contemplativa. Ainda que tenha algumas CGs explicando a trama e mostrando interações entre os personagens, você acompanha a Caçadora em seu descobrimento passo a passo, montando o quebra-cabeças desse mundo através de memórias de almas no lugar. É uma história simples, introspectiva, mas fascinante sobre visões de mundo e o que é a verdade.

O que me deixou dividido sobre The Pathless foi o gameplay, mas acho que vai mais de gosto pessoal do que qualidade propriamente dita. Enquanto algumas coisas são realmente sensacionais, como o sistema de correr e atirar com o seu arco, algo que não fica enjoativo em nenhum momento, ou os puzzles – que são o foco principal do game – essa jornada às vezes parece vazia demais.

Imagine que sua missão é purificar essas divindades animais da ilha. Enquanto você realiza os puzzles e tudo mais, esses seres, ainda inimigos, podem te levar para um espaço “em chamas” onde você tem que se esconder até alcançar sua amiga águia. Depois, completando cada área do game, você enfrenta esses monstros em batalhas épicas envolvendo corrida e truques. Mas essa é a única ação que o jogo te oferece.

Além dessas situações acima, você corre, atira em amuletos, acaricia sua amiga águia e resolve puzzles. Para um mundo tão bonito e grandioso, essa falta de ação me deixou com um sentimento “vazio” em alguns momentos, mas, de novo, é mais por questão de gosto pessoal do que um problema em si.

Enfim, vale ressaltar a companheira águia e o quanto a relação entre ela e a Caçadora é linda. Você assiste essa amizade crescer desde o início e a águia é fundamental para o gameplay, te ajudando a voar, planar, saltar, carregar objetos e atacar os boss. 

Quando você enfrenta algo ou passa pelos espaços em chamas, é necessário ajudar a águia a se limpar daquela energia maligna, então sim, você faz carinho nela. É uma das coisas mais legais do game essa relação entre as duas e o desenvolvimento final é super emocionante.

The Pathless é uma jornada emocional, introspectiva, simples, mas realmente empolgante. O game da Giant Squid leva 5 estrelas e muito amor da Legião. Se os lançamentos AAA explosivos te cansarem, esse é o título para você investir seus trocados.

E aí, já conhece The Pathless? Não esqueça de comentar!

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.