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Star Wars: Saiba tudo sobre os dragões Krayt

Por Raphael Martins

Viver em Tatooine não deve ser fácil, já que o perigo está literalmente em qualquer direção para a qual você olhe. Quer ir a uma cantina na sexta-feira depois de uma longa semana trabalhando nas fazendas de umidade? É uma boa, se você não se importar com os ladrões, assassinos, piratas e caçadores de recompensa que frequentam esses lugares. É uma pessoa mais caseira e prefere se isolar de tudo e todos em uma fazenda distante? O mais provável é que você seja atacado, morto e roubado pelo Povo da Areia, que adora saquear esse tipo de lugar.

Mas digamos que você precise ir até a estação Tosche pegar conversores de energia, ou sei lá, ir comprar leite azul de bantha para o café da manhã. As chances de você ser devorado inteiro do mais absoluto nada por um Dragão Krayt é considerável, e você morreria sem sequer saber o que aconteceu. Mas o que são essas criaturas? O que comem? Onde vivem? Descubra agora, no Legião Repórter!

Como era no princípio

A primeira aparição dos Dragões Krayt em Star Wars, ou quase isso, aconteceu logo em Episodio IV: Uma Nova Esperança, primeiro filme da saga, lançado em 1977. Nele, há duas cenas que fazem alusão à presença das criaturas em Tatooine, seu planeta natal. A primeira delas é logo que C3PO e R2D2 chegam ao planeta na capsula de fuga, após fugirem de uma batida imperial na nave Tantive IV. Nela, o droide de protocolo passa pelo esqueleto de um Dragão Krayt, que já impressiona pelo tamanho.

C3PO passa pelos restos mortais de um Dragão Krayt: sorte dele já ter morrido…

A segunda cena é uma das mais importantes do filme, na qual Luke Skywalker conhece Obi-Wan Kenobi. Ao procurar R2D2 pelo deserto de Jundland, o garoto é atacado pelos Incursores Tusken, que o deixam desacordado e começam a saquear suas coisas. É aí que Kenobi aparece para salvá-lo, mas não empunhando um sabre de luz. Sua estratégia é ainda mais efetiva: ele imita o grito de caça de um Dragão Krayt, que há séculos instila medo no coração do Povo da Areia, os colocando para correr.

Já a primeira vez que um espécime vivo deu as caras foi nos games, mais precisamente em Star Wars: Galactic Battlegrounds, de 2001.

No antigo cânone

Os Dragões Krayt tiveram muito mais aparições no velho cânone da saga, conhecido popularmente como Universo Expandido. Eram divididos em duas categorias: os menores e mais facilmente avistados, e os maiores e mais raros, que chegavam a tamanhos impressionantes. Eles também podiam secretar veneno a partir de sua espinha dorsal.

Não sencientes, eles tinham um tamanho médio de 45 metros, podendo ser o triplo no caso de um Krayt de categoria grande, e viviam cerca de 100 anos. Eram caçadores extremamente ferozes, o que os tornavam admirados por algumas culturas indígenas de Tatooine, como o Povo da Areia. Alguns xenobiólogos da galáxia defendem a teoria de que eles seriam descendentes dos lendários Duinuogwuin, também conhecidos como “Dragões Estelares”.

Durante o verão (como se Tatooine tivesse outra estação…), começava a temporada de acasalamento dos dragões, que enchiam os cânions do planeta. Era nessa época que os Tusken costumavam fazer seus rituais de iniciação para se provarem como guerreiros, realizando a missão quase suicida de matar um espécime. Este era considerado o teste de maior prestígio para aquela comunidade.

Um dragão Krayt no antigo Universo Expandido: temido e admirado por muitas culturas da galáxia

E não eram só os Tusken que admiravam esses leviatãs: os Jedi também os respeitavam, tanto que a Forma V do combate com sabre de luz, composto pelas séries de movimentos Shien e Djem So, era conhecida como “o caminho do Dragão Krayt”. Obi-Wan Kenobi inclusive já chegou a enfrentar um Krayt adulto no livro Kenobi, escrito por John Jackson Miller, para salvar uma família que estava sob seus cuidados.

Os Sith também tinham motivos para respeitá-los. Dragões Krayt eram seres atraídos fortemente pelo lado sombrio da Força, motivo pelo qual alguns artefatos Sith, como o mapa estelar escondido em Tatooine, eram guardados por grandes exemplares destas criaturas. Mas a admiração desses guerreiros sombrios ia muito mais além.

Um antigo Jedi chamado A’Sharad Hett, que viveu muitos anos com o Povo da Areia, adotou para si a alcunha de Darth Krayt após ser seduzido e treinado no lado sombrio, para evocar medo em seus inimigos. Deu tão certo que ele se tornou o senhor de um império tão vasto que cobriu de trevas toda a galáxia, até ser finalmente derrotado por Cade Skywalker, descendente de Luke, na série de quadrinhos Star Wars: Legacy.

Darth Krayt e seus lacaios: ele aterrorizou a galáxia no antigo Universo Expandido

No novo cânone

Os dragões canônicos são um pouquinho diferentes dos vistos no Universo Expandido, fisicamente falando. Eles não possuem braços ou pernas e se locomovem por debaixo da terra, surpreendendo suas presas com um ataque surpresa do qual era quase impossível escapar, sendo praticamente um tubarão da areia. Avistar um também é bem mais difícil, tanto que alguns habitantes do planeta nem acreditam que eles realmente existam.

Seus corpos produzem uma substância conhecida como “veneno Krayt“, um líquido ácido expelido por suas bocarras que reduziam à nada praticamente tudo com o qual que entravam em contato. Assim como no antigo cânone, esses animais eram divididos em duas categorias, mas a maior delas era tão descomunal que poderia até mesmo devorar um Sarlacc sem muita dificuldade, o tornando o predador alfa de Tatooine.

A segunda temporada de The Mandalorian marcou a primeira aparição canônica de um Krayt vivo em toda sua glória letal. No primeiro episódio, Din Djarrin é recrutado pelo xerife Cobb Vanth para matar um exemplar da criatura, justamente da espécie maior, que estava aterrorizando uma cidadela local. Depois de muito trabalho e vidas perdidas, o mandaloriano consegue dar jeito no bicho, recebendo como prêmio a armadura do famoso caçador de recompensas Boba Fett.

Dragão Krayt de classe alta ataca seus captores em The Mandalorian

Outra peculiaridade dos dragões canônicos é sua capacidade de produzir pérolas tão preciosas quanto raras, já que para conseguir uma, era preciso explodi-los ou entrar no corpo de um para pegar, e nenhuma dessas opções parece muito viável. No antigo cânone, essas gemas possuíam cristais Kyber em seu interior, que podiam ser usados nos sabres de luz dos Jedi. Se isso também é verdade na atual cronologia, ainda não se sabe ao certo.

Até mesmo os ossos de um Krayt morto possuíam um grande valor em todas as partes da galáxia, podendo ser usados como produto químico ou na composição de poções e remédios. Os Tusken e as Irmãs da Noite de Dathomir, por outro lado, acreditavam que os ossos possuíam propriedades mágicas, sendo ainda mais valiosos para eles por isso.

Os Dragões Krayt já eram monstros clássicos desde muito antes de sua aparição em The Mandalorian, mas sua popularidade alcançou um novo nível após sua participação em live action. Com sorte, essa não será a última vez que os veremos por aí. Afinal, a galáxia é muito grande e tudo pode acontecer, não é mesmo?

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sobre o autor Raphael Martins

Redator, apresentador e roteirista. Gosto de longas caminhadas na praia, Star Wars, tokusatsu, anime e filé com batata frita. Deixo as pessoas constrangidas. Você pode trocar uma ideia comigo no Twitter: @aqueleraphael