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[Crítica] Hades é o jogo do ano de 2020

Por Márcio Jangarélli

A Supergiant Games não é novata no quesito de criar jogos aclamados pelo público e crítica. Bastion, Transistor e Pyre estão aí para provar que o estúdio conhece suas qualidades e sabe aplicá-las com perfeição. Hades, no entanto, mandou o nível dessas produções para além do monte Olimpo e não será muita surpresa se o game levar o título de Jogo do Ano no TGA 2020 – ele é excelente dessa forma.

Lançamento: 17 de Setembro de 2020

Desenvolvedora: Supergiant Games

Diretor: Greg Kasavin

Produtor: Amir Rao

Artista: Jen Zee

Roteirista: Greg Kasavin

Compositor: Darren Korb

Plataformas: Nintendo Switch, PC

Gênero: Roguelike, RPG

Hades é um game do gênero roguelike da Supergiant Games e estava em desenvolvimento há um bom tempo. A jornada do Zagreu começou lá no final de 2018, quando o título foi anunciado durante o TGA, e em 2019 entrou em Early Access pela Epic Games Store. Só em Setembro de 2020 o jogo foi lançado em sua versão final para PC e Nintendo Switch.

Dessa vez, o estúdio resolveu apostar na mitologia grega, contando a história de Zagreu, filho de Hades, o Deus do Submundo, em suas várias tentativas de fugir do reino dos mortos para a superfície mortal. Seguindo o gênero roguelike, a ideia de “turnos” foi incorporada na história, quando o rapaz é imortal e, sempre que falha na sua missão, retorna aos salões de seu pai pelo Rio Estige, para começar tudo mais uma vez.

O game acerta em tantos pontos que fica até difícil numerar. Pessoalmente, o que mais me pegou foi o quão carismáticos são esses personagens e detalhismo quase absurdo que a Supergiant aplicou na produção, seja no roteiro ou design do jogo. Hades te faz gostar, se importar e se envolver com cada um dos deuses, semideuses e criaturas que apresenta, enquanto dá uma aula de mitologia grega modernizada que dificilmente você vai encontrar em outro lugar.

Só no design o game já se vende. As ilustrações desses personagens, caracterizações e cenários possuem um estilo muito próprio, belo e cativante, que vai te fazer jogar para absorver mais dessas imagens. Cada coisinha aqui possui um propósito, um pedaço de storytelling, que às vezes você só vai se dar conta tempos depois de estar jogando e aí vem aquele sentimento de “mandaram bem, hein, Supergiant”.

Já a jogabilidade é viciante ao extremo e muito mais do que você pode esperar de um roguelike, porque até seu avanço no gameplay puro vai te trazer pequenas interações e fragmentos da narrativa. Cada arma usada no jogo tem mais de uma história e possui formas muito distintas de serem usadas, só depende de você criar seu próprio estilo fuga com o Zagreu.

Talvez a melhor parte do gameplay em si seja as bênçãos dos deuses olimpianos e como cada uma pode ser usada de maneiras diferentes. Você consegue usar a bênção de, por exemplo, Dionísio como incremento no seu ataque, para deixá-lo extremamente letal ou para diminuir a velocidade dos inimigos. Nenhuma das skills divinas é realmente ruim, elas apenas demandam atenção e compreensão no seu uso.

Mas o principal aqui é a história. Hades explora os mitos gregos das maneiras mais inteligentes que você pode imaginar; é fiel aos contos, mas também coloca suas próprias reviravoltas e moderniza a coisa toda, gerando uma aventura verdadeiramente épica e envolvente. Você vai querer entender a jornada do Zagreu, mas também o que está acontecendo com Aquiles, Tânato, Megara, Nix, entre tantos nomes lendários que o jogo explora.

É interessante, inclusive, como essa narrativa vai se transformando lentamente, mudando sua visão das coisas junto do entendimento do Zagreu. E também como ele é um protagonista excelente, mesmo que carregue vários traços daquela “rebeldia adolescente” que nem sempre agrada quando é empregada em algum personagem. Você compreende o rapaz, o porquê dele querer fugir e como funcionam suas relações de forma muito empática.

Não dá para esquecer de citar a trilha sonora magnífica criada para o game. A Supergiant sempre trabalha a música de um jeito sem igual, mas aqui merece ainda mais palmas que antes. Com muita harpa e instrumentos clássicos, mas contando também com guitarras e um som um pouco mais elétrico, a trilha de Hades merece ser celebrada pelos instrumentais e canções originais que nunca mais vão sair da sua cabeça, como “Good Riddance” ou “Lament of Orpheus”.

Inclusive, vale pontuar que até mesmo a música faz parte da narrativa, contando com Orfeu, Eurídice e sua história para integrá-la na aventura de forma orgânica. Darren Korb e Ashley Barrett, veteranos dos trabalhos da Supergiant, merecem toda a aclamação possível pelo seu trabalho fenomenal na trilha e dublagem do game.

Aliás, é na dublagem que está outra grande qualidade de Hades. Além de diálogos inteligentíssimos e bem humorados, as vozes empregadas no jogo dão vida à aventura e são um dos fatores responsáveis pelo encanto que o game cria no jogador. A atuação é de primeira e te faz entrar fundo na história.

Sinceramente? Não tenho do que reclamar ou apontamentos para fazer sobre Hades. O jogo traz um gameplay incrível e viciante, uma narrativa fenomenal, um design absurdo de bom, uma trilha sonora linda e, mesmo sendo um roguelike, vai demorar MUITO para você enjoar das tentativas de fuga do Zagreu. Esse é daqueles games que a medida já é perfeita, adicionar ou tirar alguma coisa pode estragar a receita.

Portanto, são 5 estrelas merecidíssimas para Hades! Os deuses do olimpo e do submundo se uniram para abençoar esse game e o Zagreu é o favorito deste redator para levar o prêmio de Jogo do Ano na TGA 2020.

Já deu uma chance para Hades? O que achou do game? Não esqueça de comentar!

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.