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[Crítica] Demon’s Souls Remake é o resumo brutal da primeira década da franquia Souls

Por Márcio Jangarélli

Bem no início da nova geração de consoles, o desafio brutal original retornou, para a alegria dos fãs de games da FromSoftware. Demon’s Souls, o primeiro jogo da franquia Soulsborne, ganhou um remake pela Bluepoint Games, lançado como um dos exclusivos iniciais de PlayStation 5, e depois de algumas horas de dor, sofrimento e muita alegria (?), eu já posso falar para vocês sobre o título.

Demon’s Souls Remake

Lançamento: 19 de novembro de 2020
Estúdio: Sony Interactive Entertainment
Gênero: RPG / Ação
Desenvolvedores: Bluepoint Games, SIE Japan Studio
Plataforma: PlayStation 5

O Demon’s Souls original foi meu primeiro contato com as criações da FromSoftware e também foi o que me assustou para longe desses jogos por um bom tempo. Na época, anos atrás, não consegui entender como alguém podia ser tão masoquista com o seu gameplay ao ponto de gostar desse tipo de jornada. Hoje, depois de ter passado por quase todos os títulos da saga, minha compreensão sobre ele é bem outra.

Com um remake feito pela Bluepoint Games, responsáveis pelo Shadow of The Colossus de PlayStation 4, Demon’s Souls continua sendo um desafio “brutal”, como sua divulgação coloca. Ainda, sendo relançado depois de uma década de jogos da saga, experimentá-lo agora tem um gostinho especial: dá para notar no game de onde saíram todos os outros títulos da FromSoftware. Se você já se aventurou por Dark Souls, Bloodborne ou Sekiro, vai notar suas raízes ali.

Talvez a parte mais legal sobre esse remake é que, assim como fizeram com Shadow, a Bluepoint se manteve totalmente fiel ao original. O gráfico é absurdamente maravilhoso e digno da nova geração, o sistema de customização de personagens é completamente novo, há mudanças muito bem vindas no gameplay, mas o jogo em si permanece o mesmo do início ao fim, seja em conceito ou jogabilidade. É uma aventura excelente para quem nunca explorou o reino de Boletaria e um retorno empolgante para os corajosos que enfrentaram demônios no PS3.

Entre as novidades mais notáveis estão o sistema de customização, totalmente repaginado; algumas modificações no gameplay, como o armazenamento de itens otimizado, que te permite esvaziar seu inventário sem precisar voltar ao Nexus; e as novas animações de finalização, que deixam o game bem mais sangrento.

Isso sem contar que Demon’s Souls explora ao máximo o poder do PlayStation 5. É extremamente rápido, com carregamentos mínimos – ainda mais se contarmos o original – com gráficos de tirar o fôlego e conta, surpreendentemente, com o auxílio do DualSense para entregar uma experiência mais sensorial e paranoica. O controle emula todo tipo de sensação com sons e vibração, do crepitar das chamas às caixas quebrando, e isso te deixa mais atento aos arredores e causa um sustinho a mais quando o inimigo surge do nada. 

É preciso notar também o esforço da Bluepoint em tentar criar uma aventura fresca até para os players mais calejados da saga Souls. Há indícios de que uma região cortada do game original entrará para o remake no futuro, além das novidades nas conquistas do jogo e mistérios novos, como a tão comentada porta no Palácio de Boletaria que levou mais de uma semana para a comunidade descobrir como abrir. São coisas novas que adicionam a Demon’s Souls sem mudar seu núcleo, algo difícil, mas importante para um título que carrega uma comunidade tão fiel e dedicada.

No entanto, não dá para dizer que o remake de Demon’s Souls é perfeito. Existem alguns bugs e glitchs bem chatos no game que acabam prejudicando a experiência – mesmo para um jogo original da FromSoftware. Se sua câmera fica meio maluca do nada e não responde ao controle, por exemplo, fica difícil jogar algo que requer análise de cenário e concentração. Espero que a Bluepoint já esteja trabalhando em alguns patches para esses problemas porque é realmente uma pena esse game, que é incrível, sofrer com esse tipo de coisa.

Agora, se você nunca jogou um Soulsborne, eis o que eu tenho para dizer: Demon’s Souls é difícil. Muito. Ele não tem muitos checkpoints, até os inimigos mais simples podem acabar com a sua raça, as mecânicas dos boss são bem complexas e o game não tem medo ou receio algum de te matar das piores maneiras possíveis. Mas, assim como toda a franquia, ele é uma experiência de aprendizado e, se você se empolgar e investir um pouco de sangue e suor, depois de um tempo vai entender as engrenagens desse mundo e o sentimento de satisfação que segue é incrivelmente recompensador.

Demon’s Souls é bárbaro, sangrento, até mesmo cruel, e uma experiência inesquecível, mesmo uma década depois. A Bluepoint acertou em cheio em suas escolhas para o remake, ainda que tenha jogado de forma mais segura do que um game Soulsborne pede, e nem mesmo os bugs e glitches conseguem diminuir esse trabalho.

Assim, Demon’s Souls leva 4,5 estrelas suadas, exaustas, mas realizadas, da Legião! É o resumo de toda a saga Soulsborne em uma única experiência épica, relembrando muito bem quem foi o primeiro da franquia e nos preparando para um futuro ainda mais desalmado e incrível.

Já jogou Demon’s Souls? O que você acha da franquia Soulsborne? Não esqueça de comentar!

Veja agora nossa lista sobre o filhote de Demon’s Souls, Dark Souls:

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sobre o autor Márcio Jangarélli

Assessor, redator e jornalista. Madonna de Jakku.