Pokémon: Conheça o artista brasileiro que está tatuando sua própria Pokédex

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Pokémon: Conheça o artista brasileiro que está tatuando sua própria Pokédex

Por Cristiano Rantin

Alguns amores marcam tanto a gente que é preciso gravá-los na pele. Essa é uma definição que se encaixa bem quando o assunto é tatuagem. Aguentamos horas de uma agulha perfurando nossa pele, tudo para poder carregar para sempre um marca que escolhemos, um ato de eternizar e externalizar aquilo que gostamos. E é isso que Ink Mali faz. O tatuador do Rio de Janeiro lançou sua PokéMali, projeto que tenta registrar todos os Pokémon em tatuagens incríveis.

A franquia Pokémon dispensa apresentações, não apenas por ter uma legião de seguidores, mas porque é impossível fugir deste universo. As adoráveis criaturinhas estão nos mangás, animes, filmes live-action, jogos de cartas, para o celular e para os consoles, e também em tatuagens.

Fã da franquia e dos animes desde pequeno, Mali cresceu desenhando Pokémon e primeiro levou os personagens para o Grafite, que conheceu aos 16 anos. Sua jornada como tatuador, no entanto, só começou após algumas dificuldades financeiras, quando ele recebeu um convite de seu amigo Kreva para se tornar aprendiz.

De início Mali recusou, temendo largar o Grafite se fosse seguir a outra carreira, mas no fim decidiu aceitar pensando em ajudar sua família. “Virei aprendiz achando que seria só um hobby, mas quando fiz a primeira tatuagem, que foi na minha mãe, eu fiquei apaixonado e só conseguia pensar em tatuagem”, conta.

Assim como aconteceu com o Grafite, o artista encontrou uma forma de demonstrar seu carinho pelos animes e, principalmente, por Pokémon. O tatuador do Rio de Janeiro lançou o PokeMali, projeto que visa tatuar todos 151 Pokémon presentes na pokédex da região de Kanto, ou os “Pokémon originais” como alguns fãs gostam de chamar.

A iniciativa começou após uma tragédia pessoal na vida do tatuador. Em 2017, após o falecimento de sua irmã, Mali encontrou nos animes uma forma de lidar com o luto. “A única coisa que me acalmava era assistir Dragon Ball Super, porque o Goku sempre me relaxou demais. Parecia que ele tirava um peso dos meus ombros”, relembra.

Ainda que sempre tivesse vontade de tatuar o herói, foi somente após esse momento difícil que ele seguiu em frente com a ideia. “Decidi que queria tatuar Goku pelo peso emocional que ele tinha na minha vida, mas não tinha ninguém para tatuá-lo em mim, ninguém que entendesse esse valor sentimental,” explica. “E isso é muito importante para mim. A questão de você entender o personagem, a história dele e o peso que ele tem na vida das pessoas. O desenvolvimento que esse personagem trouxe para a pessoa. Tem muita coisa além de ser apenas um personagem, apenas um anime ou uma ‘coisa de criança’”.

A tatuagem do Goku

Por não encontrar alguém que compreendesse o peso que o personagem tinha em sua vida, Mali decidiu tatuar a si mesmo. O resultado impressionou os fãs e muita gente passou a procurá-lo em busca não apenas da tatuagem, mas de alguém que entendesse o significado do personagem na vida da pessoa. “Isso que me revoltou muito. Senti que o público otaku era pouco representado”.

Motivado por isso, ele decidiu focar seu trabalho apenas para tatuagens de anime. “Muita gente me chamou de louco,” relembra. “Eu tinha uma agenda muito lotada na época, mesmo assim parei de fazer tudo para focar em anime. Eu cobrava barato e às vezes até tatuava de graça, tudo para criar um portfólio”.

Felizmente o retorno veio mais rápido do que o esperado. Em pouco tempo o projeto já tinha alcançado proporções maiores do que Mali imaginava: “Logo no primeiro ano tatuando anime eu já fui tatuar na Comic-Com, pelo stand da Comic Ink que faz parte da League of Inks”.

Ao ver o cenário crescendo cada vez mais, o tatuador decidiu iniciar o PokeMali, seu projeto paralelo voltado apenas para os Pokémon. “Eles se tornaram o trabalho que mais acho bonito. São os trabalhos que a galera mais me chama para fazer. Isso é um sonho absurdo!” conta. “Eu amo Pokémon desde o dia que eu nasci e sempre sonhei em ser um mestre Pokémon. Agora, ter 25 anos e trabalhar em construir uma Pokédex com tatuagens deles é juntar o melhor dos dois mundos para mim”.

Quando tatuar todos os 151 Pokémon do projeto, Mali planeja publicar um livro com seu trabalho, contando sua história como tatuador, assim como sua jornada e evolução. Sua intenção é inspirar as pessoas a seguirem seus sonhos e buscar pela felicidade. “Acima de tudo, buscar ser verdadeiro e ser feliz nessa essência, do jeito que a pessoa achar ser mais conveniente para ela mesma, sem medo de julgamentos. O importante é ser feliz, irmão, quero poder levar essa felicidade para o pessoal que me acompanha e me apoia. Sem eles eu não seria nada”, argumenta.  

Até o momento, ele estima que já conseguiu fazer cerca de 60 Pokémon da primeira geração, mas também já começou a tatuar outras gerações, cuja Pokédex ele também quer completar.

Quando perguntado sobre quais são seus Pokémon favoritos, o artista é direto ao citar Gyarados e Mewtwo. “O Gyarados pelo significado de que o mais fraco pode, com muito esforço, se tornar o mais forte. Já o Mewtwo é porque ele é o Mewtwo, né? [Risos]”. A nova geração também tem lugar no coração de Mali, que definiu Obstagoon como um novo favorito, por conta do estilo roqueiro.

Para Mali, além de poder mergulhar nesse mundo de anime e Pokémon, a grande satisfação do seu trabalho é conhecer pessoas novas que gostem deste universo e criar um “paraíso escondido para os nerds”, como ele mesmo descreve.

“Eles podem ficar mega à vontade [no estúdio], ficar mega felizes. Isso é repetir a realização do sonho, sabe?” O artista argumenta que sua principal alegria é criar essa relação com as pessoas, levantar a cena nerd e “em poder mostrar para as pessoas que anime e Pokémon não são coisas de criança, mas sim que eles possuem um peso enorme no nosso desenvolvimento como ser humano”.

Formado em Engenharia de Produção, Mali pretende continuar trabalhando apenas com tatuagem. “Tenho que completar minha Pokedex”, brinca. E essa é uma missão que vai longe. Mesmo que esteja focando apenas na primeira geração para o seu projeto, sua intenção é completar todas as Pokedex. “Vai demorar bastante, mas tô sem pressa. Pretendo tatuar até ficar bem velho e um mestre Pokémon tem que pegar todos os Pokémon!”

Conheça o projeto no Instagram PokeMali. Não deixe de conferir os outros trabalhos do artista em InkMali.

Veja alguns dos trabalho de Mali na galeria abaixo:

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação Social pela UEL • Twitter: @ChrisRantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"