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Marvel’s Spider-Man: O que outros jogos de heróis podem aprender com o game

Por Gus Fiaux

Mesmo tendo sido lançado há dois anos, Marvel’s Spider-Man continua um dos melhores jogos de super-heróis da atualidade. O game exclusivo da Sony surpreendeu na época não apenas por seus gráficos impressionantes, mas também por apresentar dezenas de personagens saídos diretamente dos quadrinhos, entre aliados e vilões, em uma trama divertida e completamente cinematográfica, que tem muito a ensinar a outros jogos baseados em quadrinhos.

Desenvolvido pela Insomniac GamesSpider-Man segue a vida de Peter Parker já oito anos desde que ele foi picado por uma aranha radioativa. Ele já tem a experiência necessária como protetor de Nova York, mas agora precisa enfrentar um dos maiores desafios de sua carreira, tanto com a chegada do Sr. Negativo quanto com o advento de uma equipe de vilões perigosos, o Sexteto Sinistro. 

O jogo aproveita mecânicas de mundo aberto para deixar o jogador livre pela cidade de Nova York, enquanto se balança pelos prédios e encontra pontos turísticos icônicos, como o Empire State, a Torre dos Vingadores e até mesmo o Sanctum Sanctorum do Doutor Estranho. É uma experiência única, que te coloca no mundo do Escalador de Paredes e ainda apresenta um universo vasto povoado por grandes figuras da Marvel.

Porém, não é apenas a jogabilidade que impressiona. Marvel’s Spider-Man tem uma história e uma narrativa que realmente exploram a figura de Peter Parker em uma trama cheia de desafios e momentos de partir o coração – uma história onde a morte importa e onde os dilemas morais do Amigão da Vizinhança são levados em conta quando ele está enfrentando os mais singelos inimigos.

Em termos de construção de narrativa, o jogo realmente dá uma aula para outros jogos de super-heróis, mostrando que não basta jogar meia dúzia de easter-eggs das HQs e recriar momentos icônicos para satisfazer os fãs. Não, também é necessário trazer uma jornada heroica única, que relembre o público do porque gostamos tanto de tal personagem e ainda somos influenciados pelo mito dos heróis dos quadrinhos.

No caso do exclusivo da PlayStation, isso é algo muito válido. O jogo não adapta um único quadrinho do Homem-Aranha. Na verdade, a proposta é um pouco diferente, ainda que o game incorpore elementos de vários arcos de histórias, desde as tramas mirabolantes escritas por Dan Slott até o herói mais “descolado” proposto por Brian Michael Bendis.

Além disso, vemos o impacto do personagem na vida de todos ao seu redor, uma figura idolatrada e amada por sua cidade e por seus aliados, por ser um verdadeiro defensor da liberdade. Claro que, no meio disso, temos figuras como J. Jonah Jameson que repudiam e infernizam a vida do herói, mas esse é um elemento ainda mais interessante vindo diretamente das HQs, que mostra como mesmo ele não é uma figura unânime no Universo Marvel.

Aliás, o jogo faz toda a trajetória da jornada do herói partindo de um ponto bem interessante: não somos forçados a ver a origem do personagem, algo que já foi tratado e explorado dezenas de vezes através de filmes, animações e até mesmo games antecessores. Conseguimos ter uma boa noção da vida e da jornada de Peter Parker, sabendo desses elementos e tendo como base apenas sua história no jogo.

Além disso, Marvel’s Spider-Man aposta em outro aspecto que é esquecido em boa parte dos jogos e até mesmo filmes de super-heróis: heróis podem envelhecer e podem amadurecer, e não precisam sempre ficar presos às mesmas histórias. 

Quando falamos do Homem-Aranha, isso é algo a se louvar, tendo em vista que os próprios quadrinhos do herói recusam-se a deixá-lo crescer. Sempre que Peter Parker consegue ter um avanço em sua carreira, vida amorosa ou até mesmo na luta contra o crime, a Marvel o traz de volta a um estado infantilizado e eternamente jovial, como se ele sempre precisasse ser o “elo” com o público infanto-juvenil da editora.

Felizmente, Marvel’s Spider-Man foge desse clichê e realmente mostra um herói mais adulto, com seus próprios problemas e que não pode voltar sempre para baixo da asa da Tia May. É uma proposta bem interessante, e que nos leva diretamente a Spider-Man: Miles Morales, o novo jogo da franquia que segue um novo herói e suas novas aventuras.

Os dois jogos mostram como é possível ir além do Universo Cinematográfico da Marvel e criar um universo compartilhado rico, vasto e que se interliga com facilidade, adaptando personagens e histórias das HQs, ao mesmo tempo em que criam narrativas próprias e únicas. Em suma, Marvel’s Spider-Man é um jogo indispensável para os fãs do personagem e fãs dos quadrinhos de super-heróis.

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Marvel’s Spider-Man está disponível na PlayStation Store, com 50% de desconto na edição GOTY até o dia 30 de novembro. Além dos vários jogos em promoção, a assinatura do PlayStation Plus por 12 meses está com 25% de desconto, não perca!

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux