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Diretor de 1917 conta porque decidiu fazer o filme todo em plano sequência

Por Cristiano Rantin

No cinema, o temo “plano sequência” significa algo que não possui cortes aparentes, dando a ilusão de que toda a cena foi feita de uma única vez. Alguns diretores apostam nessa técnica para aumentar a imersão em cenas de ação, por exemplo, mas Sam Mendes, diretor e roteirista de 1917, decidiu fazer todo o filme dessa forma.

Nas duas horas de filme, acompanhamos a jornada de dois soldados que possuem a missão de entregar uma mensagem para seu batalhão, alertando sobre a emboscada que os alemães planejam. “Sem cortes”, o filme é de tirar o fôlego, e foi bem difícil de ser feito.

Em uma entrevista para a Legião dos Heróis em Londres, Sam Mendes explicou o que o fez contar a história dessa forma:

“Eu queria que o público estivesse com os rapazes o tempo todo, queria que eles sentissem cada segundo passando com os rapazes, não queria que eles vissem nada além do que os personagens podiam ver. Queria que o público sentisse o quão difícil foi, o quão distante era [a missão dos personagens] e o desafio genuíno de atravessar aquilo”

Por ser feito em plano sequência, qualquer menor erro que acontecesse resultava na cena inteira precisando ser refeita do zero. Mendes conta que isso aconteceu algumas vezes e nem sempre era culpa de um ator que errava suas falas, por exemplo.

“Algumas vezes os atores erraram e isso ficou no filme, foi um erro bom, mas na maioria das vezes nós só parávamos e tínhamos que voltar do começo. Mas na maioria das vezes não eram os atores cometendo erros, os operadores de câmera… Era bem difícil pra eles. Algumas vezes tínhamos uma cena de sete minutos, e ai depois de seis minutos e trinta segundos, onde tudo estava perfeito, o operador de câmera escorregava ou algo quebrava ou um ator errava, e ai não dava pra aproveitar nada, era preciso recomeçar tudo de novo. Era muito frustrante e eu xinguei muito no set. Mas então, quando você consegue a cena que queria, é um sentimento incrível.” 

Krysty Wilson-Cairns, a co-roteirista do projeto, também enfrentou dificuldades em contar uma história sem cortes. Ela explica que foi preciso muito esforço para que a jornada dos personagens não parecesse impossível ou inacreditável:

“Escrever um filme que é todo em plano sequência é cheio de dificuldades. O tem que ser em tempo real, como se você pegasse um pedaço da sua vida de duas horas, e que tenha começo meio e fim, que tenha personagens interessantes, tenha pelo menos alguns momentos de ação e que valha 90 milhões de dólares para virar um filme… É meio complicado, não é? Não té todo mundo que pode dizer que tem um momento de vida assim. Então, como uma contadora de histórias, você precisa entender o quão longe pode levar o público, o quão longe você pode levar o drama e a ação antes das pessoas acharem que isso é impossível. E o mais importante de 1917 é que era possível. Dava pra imaginar que esses dois rapazes fizeram essa jornada.” 

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sobre o autor Cristiano Rantin

Jornalista • Editor • Mestrando em Comunicação pela UEL • Twitter e Instagram: @Chris_Rantin • "Eu sou o fogo e a vida encarnados. Agora e para sempre eu sou a Fênix!"