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[CRÍTICA] Remake de Pokémon: O Filme se limita ao original, mas acerta em resgatar sua emoção

Por Evandro Lira

No ano passado, chegou aos cinemas do Japão o longa Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução, remake em CGI do primeiro filme da franquia que ficou conhecido no Brasil como Pokémon: O Filme, lançado lá no final da década de 90. Hoje, porém, essa nova versão desembarcou na Netflix, dando oportunidade ao público do ocidente de conferir essa (não tão) nova aventura de Ash, Pikachu e seus amigos.

Ficha Técnica

Título: Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução

 

Direção: Motonori Sakakibara, Tetsuo Yajima e Kunihiko Yuyama

 

Roteiro: Takeshi Shudo (original), Satoshi Tajiri, Aya Takaha e Eiji Umehara

 

Ano: 2019

 

Data de lançamento: 27 de fevereiro (Brasil)

 

Duração: 1h38

A decisão por trás de fazer uma releitura do longa mais emblemático da franquia não fica mais clara depois que se assiste ao filme. Ao contrário de remakes em live-action da Disney, por exemplo, esse filme não parece ter uma ambição comercial e nem ter a intenção de lançar um novo olhar sobre a trama, lapidando ou corrigindo alguns detalhes. Na verdade, se você, assim como eu, possui o filme original fresco na memória – mesmo eu não o tendo visto há pelo menos dez anos -, vai perceber que essa versão é realmente idêntica, sendo possível fazer até mesmo um quadro a quadro comparando os dois filmes.

O prólogo do filme se detém a apresentar a criação de Mewtwo, um ser poderosíssimo criado em laboratório através do DNA do Pokémon raro conhecido como Mew. A criatura, é claro, se volta contra seus criadores, passando a questionar sua origem e seu propósito no mundo. Um cuidado maior com o roteiro teria sido benéfico à introdução de Mewtwo, pois o texto peca demais ao tornar as reflexões em voz alta do personagem em meras perguntas do tipo “quem sou eu?”, dita no mínimo umas seis vezes apenas na cena inicial. 

Mas é quando partimos para acompanhar Ash, Misty e Brock que as coisas ficam mais aconchegantes, especialmente quando revemos Ash em ação, batalhando em parceria com seus Pokémon ao som do clássico tema de abertura “Temos que Pegar”. Com a nostalgia à flor da pele, acompanhamos a jornada de tirar o fôlego dos treinadores enfrentando uma tempestade em alto mar para se apresentar diante do “maior treinador de Pokémon vivo”.

O impacto emocional do filme original permanece entranhado nessa história, e dá para dizer que, sem dúvida, o maior trunfo desse novo filme é não perder sua essência à medida que se dedica a aprimorar o visual.

Apesar de ser um grande apreciador de animação 2D, não dá para negar que as cenas que pedem mais urgência, tais quais a sequência no mar e as batalhas no palácio de Mewtwo, são favorecidas pela tecnologia da animação 3D. Mas os designs dos personagens humanos, por exemplo, parecem ter se perdido na hora da “conversão”, aqui o cabelo extravagante de Jesse da Equipe Rocket – todos os cabelos, na verdade – ficam esquisitos, seus figurinos soam desinteressantes e os personagens perdem suas particularidades. Já os Pokémon não deixam a desejar, não sendo sequer uma surpresa para os fãs da franquia, que já estão bem acostumados a ver suas versões tridimensionais nos games ou em produtos de merchandising.

Vale dedicar um parágrafo para a versão brasileira do filme, que conta com o retorno de Guilherme Briggs como Mewtwo. O ator empresta novamente a voz que se imortalizou no imaginário dos fãs brasileiros do filme original, e como sempre, faz um trabalho impecável. Os esforços da dublagem brasileira são realmente admiráveis, mas não deixa de ser estranho não ouvir a voz de Márcia Regina saindo da boca de Misty e da Isabel de Sá da boca da Jessie.

Pokémon: Mewtwo Contra-Ataca – Evolução definitivamente não entrega nada além do que você já espera e parece estar bastante satisfeito com isso. O filme certamente se beneficiaria de algumas surpresas, mas mesmo assim traz um saldo positivo e eficaz na hora de estabelecer esse enredo para as novas gerações e para os fãs mais saudosos dos monstrinhos de bolso.

Vale lembrar que não custa nada ficar até o final dos créditos…

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sobre o autor Evandro Lira

Bacharel em Cinema e Audiovisual, potterhead das antiga, filho dos filhos do átomo, fã de mais coisas do que deveria, frequentemente falando sozinho no Twitter. Segue: @evandroslira