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[Crítica] Paper Mario: The Origami King diverte enquanto luta para se encontrar

Por Gabriel Mattos

Desde o jogo original para Nintendo 64, Paper Mario luta para se reconciliar com suas origens no gênero de RPG. A franquia vem experimentando novas formas de se pensar combate, mas nem sempre consegue agradar o seu público.

Com a missão de reconquistar a confiança dos fãs, surge Paper Mario: The Origami King. A mais nova aventura do encanador promete trazer o retorno de um combate dinâmico e estratégico. Será que finalmente temos o jogo que vai unir a comunidade mais uma vez?

Desenvolvedoras: Intelligent Systems

Publisher: Nintendo

Plataformas: Nintendo Switch

Lançamento: 17 de Julho

Gênero: RPG de Turnos

The Origami King começa com uma reviravolta tremenda. A doce e adorável Princesa Peach é a vilã que está ameaçando dobrar todo Reino do Cogumelo de papel em origamis. Claro que existe alguma coisa de errado nessa história e é então que Mario decide investigar.

Em sua jornada, ele recebe ajuda de Olivia — uma pequena fada de Origami que por algum motivo quer defender o mundo plano. A nova companheira é carismática e prestativa, dificilmente atrapalhando o ritmo do jogo. Sem papas na língua, ela protagoniza os momentos mais engraçados e também mais sensíveis da história.

 

São os personagens que habitam esse expansivo diorama explorável que fazem toda a aventura valer a pena. Mais uma vez, diversas raças conhecidas da franquia Mario marcam presença. Cada uma habita uma área exclusiva no jogo e mesmo que muitos dos personagens sejam visualmente idênticos, todos exibem uma personalidade tão vibrante que fica fácil diferenciá-los.

Os diálogos são muito bem escritos, combinando sempre doses saudáveis de comédia e informação. Conversar nunca é uma perda de tempo, pois além de levar um sorriso ao rosto, sempre rende pequenos detalhes que ajudam a compor o worldbuilding do jogo.

O mundo de The Origami King pode ser imenso, mas nunca é cansativo de explorar. Pelo contrário, sempre há uma reviravolta criativa na jogabilidade e na ambientação. A Nintendo soube muito bem aproveitar os recursos do Joy-Con, explorando as nuances do HD Rumble em suas missões secundárias e integrando sensores de movimento quando fazia sentido.

Essa insistência em arriscar ideias novas é o que mais marcou minha experiência. Não apenas nos controles, mas o jogo em si também navega entre diversos gêneros sem medo algum de se perder no caminho. Uma hora estamos tremendo de medo em um trecho de terror com todo requinte de Alien, em outra desbravamos o grande oceano como The Wind Waker e logo depois enfrentando frotas estelares como em Star Fox. Não dá para saber para onde iremos em seguida, mas é sempre uma agradável surpresa.

As coisas ficam menos interessantes no combate, quando The Origami King tenta criar uma jogabilidade própria. A Intelligent Systems entendeu bem a essência de um RPG do Mario — jogos de puro raciocínio — mas na hora de transcrever isso para o combate erraram a mão.

As batalhas são grandes quebra-cabeças, onde você deve alinhar os adversários em grupos para derrotá-los mais rapidamente. O problema é que os puzzles não são nem um pouco balanceados, oscilando entre pateticamente simples e complicados demais para o tempo limite.

Somado a isso, temos a falta de evolução. Poucos elementos são introduzidos, estagnando o progresso do combate. Inimigos são derrotados do mesmo jeito do início ao fim da aventura. No final, o combate não chega a ser de todo ruim, só não anima como os demais elementos. Sempre que o jogo permitia, eu evitava os inimigos sem sentir nenhuma perda na experiência, mas sim alívio.

A hora de enfrentar os chefes é o único momento em que esse sistema mostra a fagulha de brilhantismo do que ele poderia ser. Além de estarem muito bem conectados com o enredo, de maneiras um tanto inesperadas, cada chefe modifica o campo de batalha de um jeito diferente. Eles injetam um sopro de criatividade tão presente no resto do jogo nesse sistema antes engessado.

Logo, além de precisar encontrar um caminho do Mario até os chefes que cause o maior dano possível, temos que nos adaptar às mudanças no campo. Esses inimigos gigantescos vão tomar um bom tempo e exigir um maior raciocínio, fazendo com que os quebra-cabeças de fato te desafiem. Com algumas melhorias, esse pode ser o caminho certo para os jogos futuros da franquia.

Em geral, The Origami King entrega boa parte do que promete — uma aventura hilariante com momentos de genialidade que vão colocar um sorriso no seu rosto quando você menos espera. Parece o resultado de uma jornada de autodescobrimento da franquia. Tem seus altos e baixo, mas deixa a promessa de um futuro brilhante.

Se você procura algo para passar o tempo e se divertir, sem muito interesse em um combate bem desenvolvido, The Origami King tem algo para te entreter. Por essa razão, ele recebe a nota de 3,5 estrelas da Legião.

Já conhecia a série Paper Mario? Animado com The Origami King? Não deixe de comentar!

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sobre o autor Gabriel Mattos

Redator que joga mais Switch do que deveria e já leu todo o novo cânone de Star Wars, até os livros ruins. • @gabeverse