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[Crítica] Mortal Kombat: A Vingança de Scorpion é um delicioso prato frio

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Por Matheus Takahashi

O anúncio de que a Warner iria produzir uma animação de Mortal Kombat centrada em Scorpion não foi surpresa alguma para ninguém: apesar de ser o primeiro longa em animação da franquia, o fato do personagem favorito do co-criador Ed Boon ser o principal personagem também era só mais uma amostra de como Scorpion tem status de figura-chave da franquia – quem acompanha a franquia sabe do que se trata. Mas conforme as imagens, os trailers, e a sinopse do filme foi divulgada, muitos fãs criaram expectativas para o novo filme.

Ficha Técnica:

Título: Mortal Kombat Legends: Scorpion’s Revenge

Direção: Ethan Spaulding

Roteiro: Jeremy Adams

Ano: 2020

Data de Lançamento: 18 de março (Brasil)

Duração: 1h 20min

O filme é focado na história de Scorpion, desde a sua origem até suas motivações. Hanzo Hasashi é um ninja do clã Shirai Ryu, que foi morto, assim como sua família, por Sub-Zero e os Lin Kuei. Ao ter sua alma capturada pelo Submundo, Hanzo faz uma barganha com o feiticeiro Quan Chi, que concede poderes e habilidades demoníacas para o ninja, que se tornou Scorpion, em troca de um serviço: pegar o amuleto de Shinnok, em posse de Shang Tsung.

A partir daí, a trama passa a se misturar com a história dos guerreiros escolhidos por Raiden para defender o Plano Terreno no Mortal Kombat: Liu Kang, Sonya e Johnny Cage são convocados pelo Deus do Trovão para impedir uma nova vitória do feiticeiro no torneio, que culminaria na conquista da Terra por Shao Kahn.

Até aqui a história não traz nada de novo para quem conhece a história geral da franquia. Muitos já conhecem as origens dos personagens e os acontecimentos dos eventos do torneio, mas é a partir do momento em que os personagens entram para o Mortal Kombat, realizado na ilha de Shang Tsung, que o filme toma a liberdade de mostrar uma história diferente do que estamos habituados.

O fato do filme mostrar personagens conhecidos serem mortos durante o torneio, como Baraka e Reptile, serem mortos em combate, mostrando que o filme realmente faria o que prometia: mostrar muito sangue, lutas bem feitas e fatalities. Aliás, um grande elogio fica para as sequências de luta, muito bem animadas e movimentadas, e destacando os Krushing Blows, mostrando ossos e órgãos se rompendo a cada golpe mais forte que é aplicado, e que conecta o filme com o jogo mais recente, Mortal Kombat 11, que tem o Krushing Blow como um dos recursos nas lutas do game.

A construção do personagem de Johnny Cage ao longo do filme, que começa sem acreditar que aquilo tudo era real, até perceber que, além de estar no torneio realmente sangrento, ele também teria que mostrar seu valor para seus aliados. Mas é o final da trama que chama mais a atenção.

Diferente do original, o torneio termina de maneira diferente do que é imaginado, exatamente por conta da trama de Scorpion, que descobre os reais motivos para a sua morte, e acaba intervindo no torneio, de maneira que o Plano Terreno conseguiu sair vencedor, além de conseguir sua vingança. Essa mudança acabou se desenvolvendo de maneira interessante, mostrando um final muito diferente do que o fã de Mortal Kombat está acostumado, sempre com Liu Kang salvando o dia.

O filme é ligeiramente curto, o que, ao final, faz com que o fã desejasse por mais. Ao mesmo tempo, alguns detalhes da trama parecem acontecer rápido demais, mas, por bem, não prejudicou o andamento da trama, que foi bem desenvolvida, tanto para quem não conhece a série, quanto para quem é fã desde muito tempo.

Outra detalhe é que o final, talvez por justamente também acontecer bem rápido, traz uma dualidade: os eventos que acontecem no final sugerem que deve haver uma continuação, que deve trazer os eventos do segundo jogo da franquia. Mas, ao mesmo tempo, o final é tão satisfatório que provavelmente não haveria problema se o filme não foi continuado numa sequência.

De toda maneira, apesar de não representar um grande marco na franquia – pelo menos não ainda -, A Vingança de Scorpion é um ótimo filme para quem é fã de Mortal Kombat. Os únicos defeitos, se realmente forem isso, são o traço do desenho – o que, para todos os efeitos, é mais questão de gosto – e a duração do filme. No final, é notável aqui que, se a vingança é um prato que se come frio, A Vingança de Scorpion seria um excelente sorvete para se tomar durante o tempo livre.

Mortal Kombat: a Vingança de Scorpion está disponível para compra digital e em plataformas de mídia.

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sobre o autor Matheus Takahashi

Geógrafo. Amante da cultura geek/nerd, mas ama mesmo super-heróis, jogos de luta e futebol. Conversa fácil sobre (quase) qualquer coisa

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