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Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips é um bom fim de um universo controverso

Por Gus Fiaux

Um dos grandes lançamentos digitais desse primeiro semestre de 2020, Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips veio para encerrar definitivamente o universo animado dos Novos 52, inciado em 2013 com Liga da Justiça: Ponto de Ignição. O filme traz um grandioso evento de proporções épicas, conforme os heróis se unem para deter Darkseid de uma vez por todas.

Em apenas uma hora e meia, o filme tenta conciliar um grande elenco de personagens em uma sequência de cenas de ação brutais e deslumbrantes, conforme os sobreviventes precisam se unir para pôr um fim definitivo ao reinado do Senhor de Apokolips. Mas será que ele consegue fazer isso bem? Aqui você pode conferir nossa crítica do mais novo capítulo do Universo Animado da DC Comics!

Ficha Técnica

Título: Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips (Justice League Dark: Apokolips War)

 

Direção: Matt Peters e Christina Sotta

 

Roteiro: Mairghread Scott e Ernie Altlbacker

 

Ano: 2020

 

Data de lançamento: 5 de maio (VOD)

 

Duração: 90 minutos

 

Sinopse: Após serem violentamente derrotados por Darkseid e seu exército, os maiores heróis da Terra precisam se unir para impedir o grande vilão e restabelecer a realidade como eles conheciam.

Se tem uma coisa da qual os fãs da DC Comics sempre se orgulharam foram as animações. Há um bom tempo, a editora conseguiu criar uma franquia muito rica e vasta através de desenhos animados – tanto filmes quanto séries – que recriam as maiores histórias dos heróis das HQs. E embora Bruce Timm Paul Dini já tivessem criado um universo compartilhado na década de 90, foi apenas em 2013 que essa ideia de uma “saga expansiva” chegou aos filmes.

Enquanto Homem de Aço dava início ao Universo Estendido da DC Comics, que sofreu alguns obstáculos mas acabou se estabelecendo muito bem, Liga da Justiça: Ponto de Ignição era o ponto de partida de outro universo bem diferente nas animações, completamente inspirado pelo que os Novos 52 tinham feito nos quadrinhos, com versões “atualizadas” dos maiores ícones da editora.

Infelizmente, o universo não agradou a todos – e as reclamações foram muitas, desde o estilo “padronizado” das animações à completa deturpação de alguns personagens e eventos gloriosos. Além disso, havia um foco nítido e descarado no Batman (se bem que isso não é novidade quando falamos da DC Comics, infelizmente). Porém, agora tudo chega ao fim com Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips. 

Desde os primeiros segundos, o filme já prova a que veio, tentando representar um épico e brutal confronto entre os maiores heróis que existem contra Darkseid, o imponente Senhor de Apokolips e maior vilão existente da DC Comics. Nesse sentido, é quase impossível evitar as comparações com Vingadores: Ultimato, o filme que também teve um propósito de conclusão e que funciona mais como um grande evento culminante do que uma aventura contida em si mesmo.

E as comparações não param por aí, já que boa parte do filme segue uma proposta similar. Mas se Ultimato teve todo uma “fase de preparação” com Vingadores: Guerra InfinitaGuerra de Apokolips não se dispõe do mesmo luxo. Tudo transcorre em uma hora e meia, em um evento grandiloquente e barulhento que culmina na batalha final contra a força mais maligna do universo.

E devo dizer que o resultado não decepciona.

Há problemas – alguns bem claros, como a pressa dos acontecimentos e a sensação de que alguns personagens não são bem-desenvolvidos em prol dos “figurões” como John Constantine, Damian Wayne Superman. Porém, nada disso tira o brilho e a emoção que o filme consegue transmitir, corrigindo os principais erros de algumas das animações mais recentes, como Batman: Silêncio ou até mesmo o primeiro filme da Liga da Justiça Sombria. 

Aliás, o título pode soar como uma propaganda enganosa a princípio, mas há uma lógica bem fundamentada aqui, já que o nosso querido e carismático John Constantine embarca nessa jornada desde o começo como um grande protagonista, com seu próprio arco dramático e sua própria agenda pessoal. Nesse sentido, é importante dar uma salva de palmas a Matt Ryan, que definitivamente abraçou os aspectos mais empolgantes de seu personagem.

Tendo vivido o anti-herói desde a mal-sucedida série solo Constantine, Ryan já conhece os trejeitos e os maneirismos do mago inglês, e sabe empregar isso até mesmo em animação, criando uma personalidade única e muito auto-consciente. Em vários momentos, é como se John estivesse se divertindo em meio da carnificina, e isso é um reflexo autêntico de como o ator ama o herói.

Por outro lado, essa é uma animação e empolgação que não é notada em outros personagens. Tirando Stuart Allan (que faz a voz de Damian Wayne) e Hynden Walch (Arlequina), todos os outros atores estão meio que “no automático”, com a maior decepção vindo de Tony Todd, a grande lenda do horror que empresta seu vozeirão para Darkseid – infelizmente, o vilão é deixado de lado e não possui motivações claras, sendo apenas o clássico “vilão que é malvado porque sim”.

Apesar disso, é admirável o esforço que os roteiristas e diretores tiveram para dar um espaço para que cada personagem tivesse sua chance de brilhar, mesmo que isso comprometa um pouco todo o desenvolvimento geral da trama. Um destaque nesse sentido vai para a Trindade. Tanto o Superman quanto o Batman e a Mulher-Maravilha se tornam vítimas da influência de Darkseid, mas também possuem seu “momento de redenção”.

Isso prova definitivamente o quanto é possível explorar um “lado sombrio” para esses personagens sem descaracterizá-los ou despi-los de seus maiores atributos: a esperança e a fé em um mundo melhor. E essa é uma lição que o Universo Estendido da DC Comics nos cinemas ainda precisa aprender para realmente poder decolar como uma franquia compartilhada.

Falando da técnica, não há uma evolução perceptível no traço da animação, o que é uma pena. Por outro lado, é muito importante destacar a trilha sonora de Frederik Wiedmann, que cria uma atmosfera tensa e épica tão boa que faz com que o espectador se sinta imerso na trama e no drama dos personagens. Esse talvez seja o ponto mais alto e memorável de toda a animação.

Em suma, Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips é uma bela conclusão, que mesmo com sua dose razoável de problemas, consegue dar um fim grandioso e bonito ao Universo Animado da DC Comics como conhecíamos. Além disso, o filme abre as portas para um novo reboot que deve vir junto de Superman: Man of Tomorrow, a próxima animação lançada pela editora.

Comandado pelo carisma inigualável de John Constantine e por várias sequências de ação brutais e empolgantes, o filme entrega um final satisfatório e emocionante, que nos faz olhar com carinho e admiração para tudo que já foi feito até aqui dentro desse universo dos Novos 52. Só é uma pena que esse final tenha sido feito de uma forma tão rápida, já que havia mais a ser explorado.

Com sorte, o próximo universo animado e compartilhado da DC Comics talvez nos entregue heróis mais fiéis e deixe o Homem-Morcego descansar por um tempo. Na verdade, se os próximos filmes possuem uma lição valiosa a aprender com Guerra de Apokolips é que há muitos personagens e eventos a serem explorados que não dependem diretamente do Cavaleiro das Trevas…

Abaixo, entenda a cronologia do Universo Animado da DC Comics:

Liga da Justiça Sombria: Guerra de Apokolips está disponível em mídias digitais.

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sobre o autor Gus Fiaux

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFPE. Crítico, roteirista e mago nas horas vagas. Wouldst thou like to live deliciously? || @gus_fiaux