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[Crítica] Assassin’s Creed Valhalla é um diamante a ser lapidado

Por Lucas Rafael

Assassin’s Creed Valhalla começa com um ritmo estranho. O início da jogatina não faz jus ao resto do game As coisas acontecem rápido, personagens são introduzidos sem muito desenvolvimento e o mapa parece meio esquisito. Isso sem falar que são nestas primeiras horas de aventura que alguns bugs dão as caras. Dublagem cortando, personagens inimigos e aliados com a animação meio travada, gente deslizando por aí sem andar. É uma primeira impressão ruim.

Eventualmente, essa área tutorial acaba. Você joga como Eivor, um (ou uma, dá pra escolher) viking que junto de diversos nórdicos insatisfeitos, resolve arriscar uma vida nova na Inglaterra. O recorte histórico aqui busca explorar o período de 865 D.C., quando um exército pagão invadiu as terras britânicas. Assim que você chega nessas terras, o tom do game muda. A atmosfera em geral sofre um 180. O frio desolador e monótono do início cede espaço para áreas deslumbrantes, impregnadas por um misticismo pagão. O vento dobra as árvores e raios de sol se infiltram pela mata. Pântanos estão acobertados por uma névoa membranosa  e cadáveres flutuam na água barrenta. Valhalla finalmente mostra ao que veio.

 

 

As missões ficam mais interessantes também. Há a trama principal do game e missões secundárias costuradas nela. Isso se dá de uma maneira inovadora que ainda não vimos em jogos anteriores de Assassin’s Creed. Além disso, há pequenas situações nas quais você vai tropeçar ao vagar pelo mapa aberto. A maioria delas são hilárias e muito bem escritas, como um homem se declarando rei de uma pequena ilha. São pequenas pepitas narrativas que te ajudam a emergir naquele mapa gigantesco. Inclusive, Valhalla conta com uma galeria de personagens bem interessante, desde os aliados até os inimigos que você encontra por aí.

Terra Nova

Após montar o seu acampamento na Inglaterra, você pode optar entre explorar ou saquear localidades próximas com seu grupo de vikings. As batalhas são caóticas, mas há algo estranho rolando nas animações, como se alguns dos seus aliados / inimigos estivessem petrificados, avançando ou atacando só quando você se aproxima. Não é tão cinematográfico ou intenso quanto poderia ser por culpa dessas engasgadas. O que nos leva ao combate do game.

O combate de Assassin’s Creed Valhalla é funcional. Às vezes ele consegue evocar aquela brutalidade visceral que a gente espera de um game vestindo uma roupagem viking. Você pode atacar, bloquear ou aparar golpes. Seus inimigos têm uma barra de vida, outra de atordoamento. Do seu lado, você precisa gerenciar seu fôlego enquanto ataca. Eventualmente, você pode finalizar seus inimigos com golpes brutais onde rola uma pequena animação.

Se você deseja ver os melhores pontos de acesso para infiltrar um acampamento inimigo, é possível alterar a visão de Eivor para a de um corvo. Assim dá pra sobrevoar a área e fazer um reconhecimento detalhado de sua geografia.

Ao pilhar vilarejos, você encontra materiais para expandir seu acampamento, fortificando estruturas e liberando novos itens e serviços a serem adquiridos. Também é possível encontrar minérios para melhorar os seus equipamentos no ferreiro ou até mesmo conseguir armaduras e armas diferenciadas.

Sobre conjuntos de armaduras e armas, Valhalla preza por sets, algo no estilo The Witcher 3 (que inclusive parece ter sido uma grande influência na atmosfera do game). Não há tantos itens quanto em AC Odyssey ou Origins, mas o que você encontra é distinto / bacana o suficiente. Qualidade foi priorizada ao invés de quantidade, uma mudança bem-vinda.

Desbravar o mapa e se deixar mergulhar no confronto que assola essas terras idílicas, das ideologias pagãs contra as cristãs, é talvez o maior trunfo de Valhalla. Além de contar com vilarejos e cidades extremamente detalhados, a trilha-sonora foge do genérico e realmente casa com aquela atmosfera primeva. Assassin’s Creed Valhalla dá um show de imersão.

 

 

Dado o escopo gigantesco do mapa, há alguns bugs bem caraterísticos desse tipo de game. Alguns NPCs flutuam e clipam onde não deveriam estar e alguns erros de colisão um tanto bizarros dão as caras. Apenas um deles, isso depois da primeira metade do game, comprometeu meu avanço na trama. Eivor pulou e ficou presa no ar. Tive de resetar o save.

Bom e Velho Assassin’s Creed

Assassin’s Creed Valhalla traz de volta alguns elementos dos games antigos. Há pontos altos que você escala para revelar as atividades do mapa, descendo com um Leap of Faith em seguida.

Ah, é possível usar da furtividade para se sentir como um assassino a espreitar nas sombras novamente. Golpes com a Hidden Blade geralmente matam seu alvo de primeira caso você o surpreenda, mas se o inimigo for de um nível muito alto, ele vai sobreviver.

Falando em níveis, Valhalla conta com uma árvore de habilidades que você vai upando com pontos que ganha ao concluir objetivos. Tais habilidades são em sua maioria passivas, como maior defesa, dano de ataque, bônus de status caso você vista um determinado set, etc.

O mapa te informa o nível ideal em que você deveria estar para progredir em determinadas regiões. Sendo sincero, atravessei muitas delas estando até cinco níveis abaixo e a dificuldade não foi um impeditivo.

Há livros que você encontra também, contendo novos golpes especiais para o protagonista. Você pode escolher quais desses “poderes” deseja alocar no triângulo, xis, bolinha e quadrado; diversificando o sabor do combate.

Sendo Assassin’s Creed Valhalla um game que preda na mitologia nórdica, há também um lado místico envolvendo alguns do principais deuses e lendas daquele panteão. Esse aspecto é trabalhado de um jeito bacana, ainda que sente nas laterais da experiência. Infelizmente, falar nele a fundo implica em muitos spoilers.

Como de praxe temos o lado do game que se passa fora da era viking, nos tempos modernos. Muita gente torce o nariz para esse segmento da franquia, mas aqui ele é bem pouco intrusivo e, quando rola, o jogo faz questão de trabalhar informações relevantes para a continuidade da saga. A interrupção soa menos inconveniente do que em títulos passados.

 

 

Esse é Assassin’s Creed Valhalla. Um jogo denso em atmosfera, com um mapa aberto deslumbrante, minado por um combate regular e por pontuais bugs que comprometem a sua imersão. A situação aqui é contornável: Valhalla tem tudo para ser um candidato à jogo do ano caso a Ubisoft atualize o jogo e corrija seus problemas mais crassos.

A nota final para Assassin’s Creed Valhalla são 3,5 estrelas de 5.  

Assassin’s Creed Valhalla chega ao PS4, Xbox One e Xbox Series X|S em 10 de novembro. Uma versão para PS5 deve sair logo depois.

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sobre o autor Lucas Rafael

Redator. Entusiasta de coisas demais